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Nordestern: o gênero cinematográfico que vive ‘boom’ nos canais de streaming

Por Bruna Couto - Jornal da Paraíba    Domingo, 10 de Setembro de 2023


Nos últimos meses uma verdadeira onda de lançamentos e gravações sobre e no Nordeste brasileiro despontou entre as principais novidades nos canais de streaming. Plataformas como Globoplay, Star+ e Amazon Prime Vídeo, em destaque com Cangaço Novo, estão explorando a região com produções à lá nordestern.

O termo, desconhecido por muita gente, é um gênero cinematográfico usado para se referir às produções que se concentram no famoso cangaço nordestino. O Jornal da Paraíba te explica o que é e traz todas as informações sobre as novas produções no gênero.

Cangaço Novo
Gravações de ‘Cangaço Novo’ em Cabaceiras, Paraíba | Foto: Divulgação/Prime Video

O que é o ‘nordestern

Segundo a Cinemateca Brasileira, o nome nordestern faz referência aos westerns, filmes americanos baseados nas aventuras do Velho Oeste. A nomenclatura dada ao gênero inspirado no cangaço foi pensada pelo crítico Salvyano Cavalcanti de Paiva.

O nordestern, tal como sua contemporânea, a chanchada, torna-se, portanto, um gênero produzido em série, com uma linha própria de valores e códigos”, explica a Cinemateca em uma publicação.

 

Ainda segundo a Cinemateca, o gênero mostra movimentos excessivamente violentos, por vezes “sob uma ótima romantizada e heroica”.

O nordestern foi produzido inclusive no Sul do país, sempre evocando os signos e o imaginário em torno do Nordeste, sua história e cultura”, completa a Cinemateca.

Nas últimas produções de destaque do gênero, no entanto, é possível perceber aproximações com “os nordestes” reais. A começar pela escolha dos elencos, formado por atores que nasceram e vivem na região, e também das locações que servem de cenário.

História do gênero

O gênero nordestern se popularizou no início do século XX, com a presença de produções cinematográficas sobre o cangaço, de acordo com a Cinemateca.

No cinema nordestino, e principalmente nos cinemas pernambucano e baiano, as produções ganham força a partir de 1925. Apesar de não terem se popularizado, filmes como “Filho Sem Mãe” (1925), “Sangue de Irmão” (1927) e “Lampião, a fera do Nordeste” (1930), ajudam a ilustrar o início do momento.

Mas é com “O Cangaceiro” (1953), de Lima Barreto, que o nordestern se consolida como um estilo cinematográfico brasileiro. O título completa 70 anos em 2023, e para comemorar, a Cinemateca Brasileira abriu sua programação anual com a Mostra ‘Nordestern: bangue-bangue à brasileira‘, com exibição de 16 títulos que evocam o cangaço.

A abertura parecia prever que 2023 seria o ano em que diversas produções do tipo ganhariam destaque na cena cultural do Brasil (veja alguns títulos mais abaixo). “Previsão” também reforçada nos últimos anos, com o sucesso de Bacurau, de Kleber Mendonça Filho, e de títulos que retratam diretamente o cangaço, como “A Luneta do Tempo” (2014).

Nordestern
Bacurau, filme de Kleber Mendonça Filho | Foto: Divulgação

 

Nova roupagem

O ‘bangue-bangue’ nordestino se consolidou no cinema brasileiro ao longo dos anos e, agora, vive um ‘boom’ em diversos canais de streaming, como Amazon Prime Video, Globoplay e Star+.

Em pouco tempo, as plataformas anunciaram grandes produções inspiradas nas histórias dos próprios personagens do cangaço, como Lampião e Maria Bonita, ou até mesmo sobre figuras icônicas que seguiram os passos dos cangaceiros em diferentes épocas, como Valdetário Carneiro, precursor do chamado cangaço novo.

Alguns títulos já lançados ou anunciados pelas plataformas estão ganhando, aos poucos ou muito rapidamente, notoriedade (confira abaixo).

Cangaço Novo

Recém-lançada no Amazon Prime Video, a série Cangaço Novo se consagra como um clássico do nordestern. Com um drama familiar inspirado em Valdetário Carneiro, a produção traz a realidade vivida por diversas cidades do interior nordestino nas ações dos bandos que assaltam bancos e deixam rastros de terror por onde passam.

A “Roliúde Nordestina”, como é conhecida Cabaceiras, no Cariri paraibano, foi cenário para as gravações. Diversas cenas se passam nos sítios da zona rural, na Igreja (que também aparece no filme clássico “O Auto da Compadecida”) e no Lajedo de Pai Mateus.

Além de Cabaceiras, as cidades de Campina Grande, Queimadas e Pocinhos, na Paraíba, também receberam as gravações. 

O Prime Video ainda não confirmou se a série terá ou não uma segunda temporada. Mas, um dos diretores da produção afirmou que deve gravar ao menos dois episódios que poderiam ajudar a preencher as lacunas que ficaram da primeira e super bem avaliada temporada de Cangaço Novo (assista ao trailer).

Cangaço Novo
Allan Souza Lima como Ubaldo, em “Cangaço Novo” | Divulgação/Amazon Prime Vídeo

Guerreiros do Sol

Já o Globoplay tem investido no gênero nordestern com a produção Guerreiros do Sol, que deve ser lançada em 2024 e ter a versão em TV aberta exibida na Globo em 2025.

A novela “Guerreiros do Sol” foi escrita por George Moura e Sergio Goldenberg. A obra tem 45 capítulos, está sob direção artística de Rogério Gomes, responsável pelo remake de “Pantanal”, e deve fazer uma releitura da história de Lampião e Maria Bonita.

Nordestern: o gênero cinematográfico que vive 'boom' nos canais de streaming
Isadora Cruz e Alice Carvalho em “Guerreiros do Sol” | Foto: Globo/Estevam Avellar

 

Maria Bonita

A série “Maria Bonita”,  do Star+, está sendo gravada em Cabaceiras. A produção foi confirmada pela Disney em 2021 e iniciou a temporada de preparação do elenco em agosto deste ano.

Segundo informações do jornal O Globo, Isis Valverde vai interpretar a própria Maria Bonita, e Júlio Andrade fará Lampião. O prefeito de Cabaceiras, Tiago Castro, disse ao Jornal da Paraíba que uma parte da produção da série já está em Cabaceiras

Isis Valverde, protagonista da trama, tem publicado diversos registros em solo paraibano em suas redes sociaisEm uma das publicações, ela se declarou para o Nordeste.

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Isis Valverde publica foto em Cabaceiras, a Roliúde Nordestina | Foto: Reprodução/Instagram

Nordestern no Nordeste

Além das novas produções que trazem adaptações modernas às realidades outrora apresentadas de maneira caricata nas telonas, o gênero tem se envolvido de equipes genuinamente nordestinas e/ou de paisagens da região.

E, quando se trata em cenário para filmes no Nordeste a cidade de Cabaceiras, no Cariri paraibano, já é referência.

A “Roliúde Nordestina” recebeu as gravações da primeira versão do filme “O Auto da Compadecida”, com texto de Ariano Suassuna que deve ter continuação adaptada em breve, e voltou a abrir as portas para grandes produções em 2018, com a produção “Onde Nascem os Fortes“, da Globo.

Nordestern
Patricia Pillar foi uma das protagonistas de ‘Onde Nascem os Fortes’ | Foto: Estevam Avellar/Divulgação/TV Globo

Em Cangaço Novo um verdadeiro time de paraibanos fez parte do elenco: Marcélia Cartaxo, Luiz Carlos Vasconcelos, Vinicius Guedes, Buda Lira, Joálisson Cunha, Raquel Ferreira, Daniel Porpino, Fábio Campos, Paulo Philippe, Dudha Moreira, Vando Farias, Geyson Luiz, Ingrid Trigueiro, Pattrícia de Aquino.

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