Maníaco do Parque, Suzane e o patoense Lindemberg: onde estão responsáveis por crimes chocantes
Por O Globo Sábado, 2 de Agosto de 2025
“Sou um novo homem. Aquele Francisco não existe mais.” A declaração é de Francisco de Assis Pereira, mais conhecido como Maníaco do Parque, em entrevista à psicóloga forense Simone Lopes Bravo. Condenado a 280 anos de prisão pelo assassinato de onze mulheres, Pereira está prestes a deixar o sistema prisional após cumprir os 30 anos máximos de pena permitidos pela legislação da época de sua sentença. A liberdade está prevista para 2028, sem direito a exames criminológicos, já que ele sairá direto do regime fechado para as ruas.
Entre 1997 e 1998, Pereira cometeu uma série de estupros e assassinatos nas imediações do Parque do Estado, na zona sul de São Paulo. Atraía vítimas com promessas falsas, como um convite para sessões de fotos, e as atacava em áreas isoladas do parque. Sua história marcou uma geração e estampou capas de jornais, tornando-se símbolo do medo nas grandes cidades brasileiras no fim dos anos 1990.
Hoje com sobrepeso e sem dentes, devido a uma rara condição genética chamada amelogênese imperfeita, o Maníaco divide cela com outros seis estupradores na Penitenciária de Iaras (SP). Segundo Simone Bravo, que transformou os encontros com ele no livro "Maníaco do Parque: A Loucura Lúcida", o detento afirma estar regenerado desde sua conversão religiosa em 1999.
Mas Francisco não é o único criminoso que caminha rumo à liberdade. Outros nomes que abalaram o Brasil com crimes bárbaros também estão em diferentes estágios de reintegração social. Abaixo, trouxemos onde estão e como vivem alguns deles:
Suzane Von Richthofen
Condenada por planejar o assassinato dos próprios pais em 2002, Suzane cumpre atualmente pena em regime aberto. Com 41 anos, casada e mãe, vive uma vida familiar no interior paulista e estuda Direito, numa tentativa de reconstrução pessoal e profissional.
Segundo o jornal online O Antagonista, a mudança de comportamento e o foco na rotina doméstica indicam um esforço de adaptação e, talvez, de apagamento do passado, ainda que a sombra do crime cometido siga presente no imaginário coletivo.
Elize Matsunaga
Conhecida pelo assassinato e esquartejamento do marido, o executivo Marcos Kitano Matsunaga, em 2012, Elize foi condenada a mais de 16 anos de prisão.
Desde 2022, vive em liberdade condicional e trabalha como motorista de aplicativo em Franca (SP). Também segundo reportagem do O Antagonista, para evitar ser reconhecida, usa máscaras e óculos escuros durante as corridas. Avaliações de clientes apontam uma média de 4,8 estrelas, sinal de esforço em manter uma nova imagem pública, sob outro nome: Elize Giacomini.
Lindemberg Alves
Responsável pela morte de Eloá Pimentel durante o sequestro que parou o país em 2008, Lindemberg Alves, natural de Patos-PB, cumpre pena de 39 anos no presídio de Tremembé (SP).
De acordo com o G1, ele tem obtido reduções de pena por bom comportamento, estudo e trabalho, como permite a Lei de Execução Penal. De 2021 a 2024, atuou dentro da prisão e até completou um curso de empreendedorismo pelo Sebrae. Ainda não há previsão para sua saída, mas os abatimentos já somam mais de 100 dias.
Tiago Henrique Gomes da Rocha — o Maníaco de Goiânia
Com quase 700 anos de condenação por pelo menos 35 assassinatos, a maioria contra mulheres e pessoas em situação de rua, Tiago foi preso em 2014. Apesar da longa sentença, poderá sair em 2044, graças ao limite de 30 anos de prisão vigente à época dos crimes.
Atualmente com 36 anos, segundo o Metrópoles, ele vive em cela isolada no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia (GO). Sua trajetória de violência em série e confissões frias o colocaram no pódio dos assassinos mais cruéis da história criminal do país.
A perspectiva de reintegração desses criminosos à sociedade levanta muitos debates: ressocialização real ou risco anunciado? A mudança da lei em 2019, com o Pacote Anticrime, elevou o tempo máximo de reclusão de 30 para 40 anos, mas a regra não retroage, beneficiando condenados por crimes cometidos antes disso. Na prática, muitos dos protagonistas de tragédias recentes já têm data para retornar às ruas.