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Bíblia do Diabo? Conheça o ‘Codex Gigas’, manuscrito de 800 anos que ainda intriga estudiosos

Por O Globo   Terça-Feira, 30 de Setembro de 2025

Você já imaginou que um livro poderia ser tão misterioso a ponto de carregar a fama de ter sido escrito com a ajuda do próprio Diabo? Esse é o Codex Gigas, o maior manuscrito medieval conhecido, popularmente chamado de “Bíblia do Diabo”.

Sua aura de mistério atravessa séculos, alimentada tanto por seu tamanho monumental quanto pelas lendas que envolvem sua origem. A mais famosa delas conta a história de um monge tcheco condenado a ser emparedado vivo, que teria prometido escrever, em uma única noite, o maior livro do mundo para escapar da punição. Incapaz de cumprir a tarefa, teria invocado o Diabo, oferecendo sua alma em troca da conclusão da obra — e como prova do pacto, incluiu uma ilustração assombrosa do demônio em uma de suas páginas.

Com quase um metro de altura, 51 centímetros de largura e pesando cerca de 75 quilos, o Codex Gigas não impressiona apenas pelo tamanho. Produzido em pergaminho feito do couro de mais de 160 animais, ele reúne em 310 folhas uma verdadeira biblioteca medieval: o Antigo e o Novo Testamento, textos do historiador judeu Flávio Josefo, escritos do teólogo Isidoro de Sevilha, uma história da Boêmia, um manual médico do século XII, além de feitiços, exorcismos e até resumos de alfabetos antigos.

 

 

Três páginas do manuscrito — Foto: Reprodução/Redes sociais
Três páginas do manuscrito — Foto: Reprodução/Redes sociais

O elemento mais célebre do livro é, sem dúvida, a ilustração do Diabo em página inteira, com garras, chifres e língua bifurcada. A imagem está lado a lado com outra igualmente imponente: a da Cidade Celestial. Para estudiosos, esse contraste pode simbolizar as duas faces da vida cristã após a morte — céu e inferno —, mas para o imaginário popular, foi o suficiente para consolidar o apelido de “Bíblia do Diabo” e garantir sua fama.

A trajetória do manuscrito também tem contornos de romance histórico. Registros apontam que ele foi produzido entre 1204 e 1230, provavelmente por um único escriba recluso, e passou por diferentes mosteiros até chegar a Praga, em 1594, levado pelo imperador Rodolfo II, conhecido por seu interesse no ocultismo. Durante a Guerra dos 30 Anos, em 1648, foi saqueado pelas tropas suecas e levado a Estocolmo, onde permanece até hoje na Biblioteca Nacional da Suécia, guardado sob rigorosas condições de conservação.

Com o tempo, outras lendas se somaram à sua história: relatos de guardas que teriam visto o livro flutuar nos corredores da biblioteca e até a crença de que o dramaturgo sueco August Strindberg buscava contato com o submundo lendo suas páginas à luz de fósforos.

Verdade ou invenção, o fato é que o Codex Gigas segue despertando fascínio. Entre mito e realidade, sua força não está apenas na escrita medieval ou nas imagens perturbadoras, mas no poder de atravessar gerações como um símbolo do eterno mistério que cerca a relação humana com o desconhecido.

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