Homem e adolescente morreram em Patos ao tomar veneno ao invés de bebida, conclui Polícia Civil
Por Vicente Conserva com Assessoria Quinta-Feira, 12 de Fevereiro de 2026
A Polícia Civil da Paraíba, por meio da Delegacia de Homicídios e Entorpecentes de Patos (DHE), vinculada à 15ª Delegacia Seccional de Polícia Civil (15ª DSPC), concluiu o Inquérito Policial que investigou as mortes do pescador Idelbrando Martiniano Vieira e da adolescente Ana Cristina Galdino Ferreira, ocorridas na cidade de Patos na madrugada do dia 01/02/2026, após passarem mal durante o consumo de bebidas alcoólicas no bairro do Mutirão.
Em vídeo disponibilizado pela Polícia Civil, é possível entender a dinâmica do incidente.
As investigações comprovaram que ocorreram dois óbitos na madrugada de 01/02/2026, em contexto de ingestão de líquido apresentado como bebida, com registro formal do evento do pescador Idelbrando na Praça do Mutirão às 05h00 e da ocorrência de Ana Cristina vinculada à UPA do Jatobá às 05h50.
Durante a ocorrência, o pescador Idelbrando, de 46 anos, morreu ainda no local, enquanto a adolescente de 16 anos foi socorrida por terceiros, antes da chegada do Samu, e levada à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Jatobá, onde faleceu.

O delegado seccional, Rodrigo Monteiro, deu mais detalhes
DO INQUÉRITO
Figura como envolvido central nos autos um adolescente de 15 anos de idade, cuja conduta foi apontada, pelos relatos e imagens, como elemento fundamental para compreender a cadeia causal dos eventos.
Os elementos reunidos descrevem que, na madrugada de 01/02/2026, havia um grupo de pessoas reunido na Praça do Mutirão, ingerindo bebidas alcoólicas.
A dinâmica fática foi refinada por diligências, em especial por oitivas e análise de imagens de câmeras de segurança, que foram fundamentais para reconstituir a dinâmica real.
As investigações comprovaram que, em dado momento, a bebida disponível ao grupo se esgotou, quando o adolescente e outro participante se ausentaram com a finalidade de obter mais bebida.
O relatório do delegado Claudinor Lúcio esclarece que, não encontrando comércio aberto, o adolescente afirmou possuir bebida em casa (acreditando tratar-se de conhaque), acondicionada em garrafa plástica do tipo “pitchulinha”, retornando em seguida ao local. Este ponto tem especial importância probatória, pois situa a origem imediata do líquido utilizado por vítimas e envolvidos, estabelecendo o encadeamento causal entre conduta anterior (buscar/transportar) e a posterior ingestão.
Ainda conforme as investigações, ao colocar a garrafa sobre a mesa, Idelbrando serviu-se imediatamente e ingeriu, seguido pela adolescente. As investigações também apontaram que tanto Idelbrando quanto Ana Cristina cuspiram a bebida logo após a ingestão, o que reforça o caráter sensorialmente “incompatível” com a bebida comum.
Exames periciais tanatoscópicos e toxicológicos realizados nas vítimas pelo Instituto de Polícia Científica da Polícia Civil da Paraíba identificaram a presença da substância METOMIL no estômago das vítimas, tendo como causa das mortes a intoxicação exógena por metomil (veneno pertencente ao grupo dos carbamatos) por via oral.
A hipótese de metanol foi superada técnica e clinicamente, permanecendo como agente causal o metomil, segundo informou o perito médico legal, Dionísio da Costa Filho.
A perita química Mirela Quirino deu mais detalhes sobre os exames realizados.
Com a conclusão das investigações, os autos serão encaminhados ao Ministério Público, para que, à vista do conjunto probatório consolidado (testemunhal, audiovisual e pericial), adote as providências que entender cabíveis quanto às medidas pertinentes no âmbito da infância e juventude.