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As novidades do novo Brasileirão e como elas devem afetar a disputa

Por O Globo   Quarta-Feira, 28 de Janeiro de 2026

É como um jogo de tabuleiro. São 38 casas a serem atravessadas até o ponto de chegada. O percurso do Campeonato Brasileiro é longo e exige, além de eficiência em campo, estratégia e perseverança. Este ano, mais ainda, já que as condições mudaram. O maior impacto do novo calendário foi justamente na Série A, que começa nesta quarta e, pela primeira vez, atravessará todos os meses do ano. Um contexto que gera novas dinâmicas e põe todos os participantes num terreno desconhecido. Como em qualquer nova disputa, vão sair na frente aqueles que entenderem as regras primeiro.

 

 

O 'jogo de tabuleiro' do Brasileirão em 2026 — Foto: Editoria de Arte
O 'jogo de tabuleiro' do Brasileirão em 2026 — Foto: Editoria de Arte

Se só com a bola rolando algumas mudanças ficarão mais claras, outras já são visíveis. Esqueça o Brasileiro com jogos todos os fins de semana (e em algumas quartas-feiras). Com a duração estendida, a disputa passará por momentos distintos, com características e níveis de dificuldade que variam.

As 38 rodadas podem ser divididas em cinco blocos. O primeiro é como um ponto de partida morno. São só quatro partidas em um mês. Como dividirão espaço com os Estaduais, que entrarão em reta final, e serão sucedidas por um período de 15 dias sem jogos da Série A, correm o risco de ficarem em segundo plano. Uma cilada, já que são 12 pontos em disputa.

A partir da 5ª rodada, o Brasileiro entra no modo tradicional, com jogos uma ou duas vezes por semana. O período até a 18ª representa um segundo bloco. Ocorrerá paralelamente aos grupos da Libertadores e da Sul-Americana e à quinta fase da Copa do Brasil e vai até a pausa para a Copa do Mundo.

Da retomada até a última rodada, duas datas Fifa dividirão o campeonato em três blocos com características bem definidas. Da 19ª a 28ª, um período que abrange a janela de transferências do meio do ano. Ou seja: com os times recebendo reforços e perdendo atletas.

Da 29ª a 34ª, já com a janela fechada e elencos definidos, começa a reta final. Mas o Brasileiro ainda dividirá atenções com as semifinais dos outros torneios.

Por fim, da 35ª a 38ª, a arrancada decisiva. E, como o desfecho da Copa do Brasil será após o encerramento da Série A, só eventuais finalistas da Libertadores e da Sul-americana terão que dividir suas atenções.

Dos impactos deste novo cenário, dois prometem mudar a forma como os clubes lidavam com o campeonato. O primeiro é o intervalo de 50 dias que divide o torneio ao meio. Com férias e uma “intertemporada”, os times disputarão o returno mais descansados e melhor preparados fisicamente. Ao contrário do que estamos acostumados, a promessa é de que a segunda metade do Brasileiro tenha jogos com intensidades maiores do que na primeira.

— Normalmente o desafio é manter ao longo do ano o que foi conquistado (em condição física) na pré-temporada. Esse novo período no meio do ano é suficiente para aquisição (de condicionamento). Se souberem aproveitá-lo bem, os clubes tendem a ganhar um novo gás para a disputa do último semestre — avalia o gestor de performance Luiz Felipe Sinforoso, ex-preparador de Vasco e Botafogo que, por outro lado, teme um começo marcado por lesões:

—Os clubes perderam um pouco de pré-temporada e vão ter jogos mais competitivos mais cedo (do que nos outros anos). É necessário tempo para criar uma carga crônica que vai dar segurança para os atletas terem picos de intensidade e performance. Em contrapartida, vai ter o respiro no meio do ano. Então serão como dois campeonatos diferentes.

Outro elemento novo é a abertura da janela de meio de ano a partir da 19ª rodada, mais tarde do que o tradicional. Ou seja: praticamente um turno inteiro será disputado com o elenco montado no começo da temporada, o que aumenta o peso do planejamento inicial.

—Tradicionalmente os times se modificam demais nesta janela. Às vezes até setembro ainda tem elenco sendo modificado. O futebol brasileiro era permissivo demais. Não se punia tanto quem se planejava mal. Agora, você terá quase 50% do campeonato jogado com o time montado no início do ano — observa o colunista do GLOBO Carlos Eduardo Mansur.

Ele aposta ainda que o intervalo no meio do campeonato será usado para desvios de rota como trocas no comando, já que haverá tempo para os treinadores trabalharem com os grupos. Mas alerta:

— É como se fossem duas temporadas em uma só. Mas 54 pontos já vão ter sido disputados.

Como num jogo de tabuleiro, há caminhos que levam ao prêmio e outros que fazem perder a vez ou até recuar. Mapear o cenário e definir boa estratégia são importantes para não ficar para trás.

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