Como o Botafogo saiu da euforia do início de 2025 para o caos de 2026
Por Globo Esporte Quarta-Feira, 28 de Janeiro de 2026
Era janeiro de 2025, e o Botafogo se preparava para a temporada de defesa dos títulos de Brasileirão e Libertadores, conquistados pouco mais de um mês antes. Algumas incertezas começavam a aparecer, mas o cenário ainda era mais positivo na comparação com o início de 2026 — ano que começou com as restrições de um transfer ban imposto pela Fifa e problemas financeiros mais graves.
Em 2025, além de os atletas campeões ameaçarem não se reapresentar por discordância na verba de premiações, o clube seguia sem técnico após a saída de Artur Jorge, que só seria substituído no fim de fevereiro, com a chegada de Renato Paiva. Ainda assim, a SAF tentava demonstrar força, com chegadas de reforços e indicações de um planejamento focado nas principais competições do ano, ignorando os primeiros meses do calendário. Um ano depois, o panorama é completamente diferente.
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John Textor em Botafogo x Corinthians, pelo Brasileirão 2025 — Foto: Thiago Ribeiro/AGIF
Impedido de registrar novos jogadores desde dezembro, o Botafogo vive um cenário de instabilidade política e múltiplas cobranças de dívidas. A mais recente é do Vélez Sarsfield, da Argentina, que reivindica pagamentos atrasados pela transferência de Montoro. Dono da SAF, Textor passou a enfrentar críticas e protestos da torcida, que passou a cobrar satisfações em meio à crise.
Se há um aspecto em que o clube se encontra avançado em 2026 em relação a 2025, é a comissão técnica. Enquanto no ano passado a procura pelo substituto de Artur Jorge se arrastou por quase dois meses, dessa vez o novo comandante foi decidido antes mesmo da virada do ano, após a saída de Davide Ancelotti.
Martín Anselmi assinou em dezembro e estreou na terceira rodada do Carioca, contra o Volta Redonda. O argentino, que tem se esforçado para blindar o elenco dos problemas extracampo, não escondeu a urgência por uma mudança de cenário.
Vamos precisar de mais jogadores. Entendo a torcida se manifestar e nós como instituição temos que resolver esse problema urgente. Acho que vamos resolver. Mas o ruído não afeta o campo. Os jogadores dão o máximo e nós focamos no que podemos controlar, que é o nosso trabalho.
— Martín Anselmi
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Martín Anselmi em apresentação no Botafogo — Foto: Vitor Silva/BFR
Se apenas Luiz Henrique e Almada deixaram o Botafogo no início de 2025, outros titulares deram sequência à reformulação do elenco no decorrer da temporada. Dos 11 titulares na vitória sobre o PSG na Copa do Mundo de Clubes, por exemplo, seis já deixaram o clube.
O trio John, Jair Cunha e Igor Jesus foi vendido para o Nottingham Forest, da Inglaterra, logo após a competição nos Estados Unidos; Gregore também saiu na mesma janela. Por fim, Marlon Freitas e Savarino deixaram o clube após o fim de 2025 e reforçaram rivais nacionais: Palmeiras e Fluminense, respectivamente.
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Time do Botafogo contra o PSG na Copa do Mundo de Clubes — Foto: Alexandre Neto/Sports Press Photo/Getty Images
Um dos principais líderes do elenco, o zagueiro Alexander Barboza — que acaba de chegar a um acordo pela renovação com o clube — chegou a falar publicamente sobre o cenário de incerteza vivido como um fator a se avaliar na negociação de um novo contrato.
— Estou falando com o clube, não tem nada fechado. Eu tive várias propostas, mas a prioridade é ficar no Botafogo. Eu já falei isso. Eu não quero ir embora, eu quero ficar. O clube já falou com o meu empresário e estamos falando. Tem coisa que não depende de mim — declarou.
O clube primeiro tem que regularizar a situação e eu ter a certeza do que vai acontecer daqui para frente. Não tem nada fechado ainda. Eu quero, o clube quer. E que daqui para frente que a gente tenha boas notícias.
— Alexander Barboza
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Barboza, zagueiro do Botafogo — Foto: Letícia Marques
O Botafogo volta a campo nesta quinta-feira, às 21h30 (horário de Brasília), pela primeira rodada do Campeonato Brasileiro. Os comandados de Martín Anselmi receberão o Cruzeiro no estádio Nilton Santos.