CBF anuncia programa de profissionalização dos árbitros; saiba os salários
Por O Globo Terça-Feira, 27 de Janeiro de 2026
Após promover mudanças no calendário do futebol brasileiro e implementar o sistema de sustentabilidade financeira, a nova gestão da CBF também tirou o atraso no assunto mais delicado entre clubes e jogadores, e enfim promoverá a profissionalização da arbitragem a partir de 2026.
Um grupo seleto de 72 profissionais, entre 20 árbitros centrais, 40 auxiliares e 12 assistentes dedicados apenas ao VAR formarão uma elite contratada pela entidade com remuneração fixa e variável, em um contrato que promete elevar os ganhos e permitir dedicação exclusiva à arbitragem.
O investimento previsto pela CBF é de R$ 195 milhões até 2027, com R$ 24 milhões para os árbitros de elite, o que levará ao pagamento de salários de até R$ 30 mil, fora bonificações possíveis pelo desempenho, traduzido no maior número de escalações na Série A do Brasileiro.
Apesar do torneio ter início esta semana, os contratos serão válidos a partir de março. O anúncio dos nomes dos 20 árbitros centrais e demais assistentes acontece nesta terça-feira, na sede da CBF (Veja lista abaixo). A entidade vai detalhar todas as definições do Grupo de Trabalho que tratou do tema.
Critérios de escolha
O estudo se baseou na profissionalização já vista em países da Europa para chegar a um modelo com quatro pilares centrais: treinamento técnico, saúde e performance, tecnologia e governança/estrutura. Os treinamentos presenciais realizados durante a pré-temporada dos árbitros já se baseiam neles.
Os próprios árbitros e os clubes foram ouvidos sobre os desafios de melhorias para que a CBF atendesse as expectativa de todos. A partir daí, as mudanças foram implementadas com o objetivo de uniformizar os critérios e capacitar os árbitros para que sejam capazes de mantê-los.
As principais queixas dos clubes foram sobre a falta de critério nas decisões, seguidas pelo uso do VAR, a transparência e a dificuldade de compreensão das regras do jogo efetivamente aplicadas. Os árbitros, por sua vez, reclamaram exatamente da falta de um modelo profissional único a seguir.
Além disso, citaram a instabilidade financeira. Vale ressaltar que os árbitros não terão dedicação exclusiva obrigatória e que podem ressalvar o convite, mas o chefe da comissão de arbitragem, Rodrigo Cintra, acredita que o modelo implementado vai inibir essa prática, pois é vantajoso.
Os critérios de escolha dos 20 árbitros e 52 auxiliares se baseia no que já é adotado atualmente. Primeiramente, os que já integram o quadro da Fifa. Além disso, foi levado em conta a escala dos Brasileiro de 2024 e 2025, com a média de avaliação dos profissionais no período.
Haverá no mínimo dois profissionais rebaixados por ano e duas promoções para o grupo de elite. A ideia é promover a formação de uma nova geração de árbitros. Logo, quem estiver fora dos 72 escolhidos também poderá ser escalado na Série A pelos critérios técnicos.
Mas os árbitros ainda poderão ser afastados por erros. A prática vai se basear na preservação dos profissionais e amparo psicológico. Após 28 dias de treinamento, serão reinseridos e apitarão na Série B antes de voltar á Série A, sem mudança na remuneração fixa por parte da CBF.
Mudanças em curso e previstas
Entre as mudanças previstas e outras já em curso, o foco é em dar instrumentos ao árbitros para atuarem com excelência. Nesse sentido, haverá grande investimento no VAR, que gerará gastos de R$ 50 milhões nos próximos dois anos. A tecnologia também estará atrelada aos árbitros.
Com o impedimento semiautomático em testes para ser implementado mais adiante durante esta temporada, a CBF fará intervenções na central do VAR, com melhor estrutura e dinâmica para uso. A cabine de revisão deve mudar de local no campo para não haver tanta interferência externa.
Novidade já vista na Europa e no Mundial de Clubes da Fifa, a Refcam deve ser adotada para permitir decisões mais claras da arbitragem e até inibir ameaças de jogadores e treinadores em campo. A tecnologia é acoplada à cabeça do árbitro e mostra imagens com o ponto de vista do gramado.
Saúde e performance
O que muda na rotina dos árbitros com a profissionalização é que a CBF terá um estafe próprio para promover diretrizes e cobrar o cumprimento do contrato e do desempenho técnico e físico. Essa estrutura prevê encontros mensais no Rio para revisão por parte de uma comissão técnica.
Apostando na telemedicina, os árbitros também serão monitorados à distância enquanto estiverem apitando jogos atrelados em praça variadas. A aposta é em relógios com tecnologia capaz de gravar dados sobre treinamentos, sono e alimentação.
Os árbitros poderão ter as suas equipes pessoais multidisciplinares, como já acontece no alto rendimento, mas precisarão estar alinhados com o direcionamento da CBF. Após testes, o grupo de árbitros estrangeiros para orientação está descartado e o intercâmbio vai ser de forma orgânica.
Investimento
Nos cálculos da CBF, a iniciativa vai elevar o investimento na arbitragem em R$ 50 milhões em relação ao ano passado. Além dos R$ 24 milhões com o grupo de 20 árbitros, o orçamento prevê mais R$ 20 milhões em remuneração para os demais 52 profissionais, fora R$ 10 milhões com equipes da CBF.
O principal gasto da entidade será com a logística de todo esse pessoal e o respectivo estafe. Serão R$ 60 milhões em dois anos, com deslocamento, hospedagem e estrutura, mais que os R$ 50 milhões com o VAR e os R$ 25 milhões com o impedimento semiautomático.
CONFIRA OS NOMES:
Árbitros Centrais
Alex Stefano — CBF
Edina Batista — FIFA
Lucas Torrealba — CBF
Raphael Claus — FIFA
Anderson Daronco — FIFA
Felipe Lima — CBF
Matheus Candançan — CBF
Rodrigo Pereira — CBF
Braulio Machado — CBF
Flávio Souza — CBF
Paulo Zanovelli — CBF
Savio Sampaio — FIFA
Bruno Arleu — CBF
Jonathan Pinheiro — CBF
Rafael Klein — FIFA
Wagner Magalhães — CBF
Davi Lacerda — CBF
Lucas Casagrande — CBF
Ramon Abatti — FIFA
Wilton Sampaio — FIFA
Auxiliares
Alessandra Matos — CBF
Alex Ang — FIFA
Alex dos Santos — CB
Alex Tmo — CBF
Andrey Freitas — CBF
Anne Kesy — FIFA
Brígida Cirilo — FIFA
Bruno Boschilia — CBF
Bruno Pires — CBF
Celso Silva — CBF
Cipriano Silva — CBF
Daniela Coutinho — CBF
Danilo Mainardi — FIFA
Douglas Pagung — CBF
Eduardo Cruz — CBF
Evandro Lima — CBF
Fabiani Belarmino — CBF
Felipe Alan — CBF
Fernanda Kruger — FIFA
Fernanda Nandrea — FIFA
Francisco Bezerra — CBF
Gizeli Casari — FIFA
Guilherme Camilo — FIFA
Jovertson Lima — CBF
Leila Najara — FIFA
Leone Rocha — CBF
Luanderson Lima — FIFA
Luiz Regozane — CBF
Maíra Mastella — FIFA
Michael Stanius — CBF
Nilson Junior — CBF
Neusa Back — FIFA
Rafael Alves — CBF
Rafael Trombeta — CBF
Rodrigo Correa — FIFA
Schumacher Gomes — CBF
Thiago Labes — CBF
Thiago Farinha — CBF
Tiago Diehl — CBF
Victor Imazu — FIFA
Árbitros VAR
Caio Max — FIFA
Diego Lopez — CBF
Rodrigo Dalonso — FIFA
Charly Wendy — FIFA
Marco Aurélio — CBF
Rodrigo Guarizo — FIFA
Daiane Muniz — FIFA
Pablo Ramon — CBF
Rodrigo Sá — CBF
Daniel Bins — FIFA
Rodolpho Toski — FIFA
Wagner Reway — FIFA