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Braz diz: 'Se ganhar, ano será bom. Se perder, não é tragédia'

Por Globo Esporte    Quarta-Feira, 24 de Novembro de 2021


A final da Libertadores, sábado, contra o Palmeiras, no Uruguai, é o jogo mais importante da temporada para o Flamengo e terá o peso de determinar o rumo do clube. Se for campeão, vive dias tranquilos e inclui em seu calendário um Mundial de Clubes, em fevereiro. Mas qual efeito teria uma eventual derrota?

Marcos Braz ao lado de Bruno Spindel no treino do Flamengo em Porto Alegre — Foto: Alexandre Vidal/Flamengo

Marcos Braz ao lado de Bruno Spindel no treino do Flamengo em Porto Alegre — Foto: Alexandre Vidal/Flamengo

O ânimo da torcida com o técnico Renato Gaúcho também está ligado ao que acontecer no estádio Centenário. O vice de futebol Marcos Braz considera que serão necessários ajustes dentro do departamento, mas não acredita em "céu ou inferno".

- É o tamanho do peso de uma Libertadores. Quando se coloca em questão essa competição, ela tem todo um tamanho, uma engrenagem. O departamento de futebol precisa de ajustes, independente de título. É sempre necessário avaliar se não poderia ter feito melhor, tomado decisões melhores para ter mais brilhantismo. Se ganharmos, será uma temporada muito boa, acima da média. Se perde, não dá para achar que tudo foi uma tragédia - disse o dirigente.

Em entrevista ao ge, Braz também comentou sobre os questionamentos a alguns setores do departamento de futebol, criticou o calendário e classificou a arbitragem brasileira de "trágica". Ele explicou o estágio da renovação de Arrascaeta, fez elogios a Michael, David Luiz e disse que se fechou para o mercado neste período pré-Montevidéu.

ge: Qual o nível de ansiedade para o dia 27, às 17h? A experiência de final de Lima ajuda?

Marcos Braz: Estou tranquilo. O que era possível fazer, fizemos. Depois de estar aqui em Porto Alegre, tenho convicção de que foi a melhor escolha de logística, independente do resultado. Vamos sair unidos e com uma grande estrutura, um mundo de gente para não faltar nada e não termos a sensação de que algo mais poderia ser feito. Agora é no campo. Acho essa final diferente, mas espero que o resultado seja o mesmo. O Flamengo entra mais tranquilo com si próprio, mais experiente. Em 2019 tinha a pressão de quase 40 anos da última conquista.

A percepção é de que o ânimo da torcida, que ficou abalado em especial após a eliminação na Copa do Brasil, melhorou agora perto da final. A venda de ingressos no Uruguai também aponta para maioria rubro-negra. Essa mudança de clima você sentiu também?

Primeiro que isso não me surpreende, conheço bem a torcida do Flamengo. Sabia que chegando perto da final, essa atmosfera ia mudar. Eu disse internamente para ter calma, fazer as coisas que julgamos certas e ajustar o que fosse necessário. A desclassificação tem um mês. Claro que era normal o sentimento da torcida de querer questionar. Até porque foi 3 a 0 no Maracanã. Quem viu o jogo foi uma coisa, e quem só viu o resultado foi outra. Athletico teve os méritos.

É uma competição que nós queríamos, até porque achamos que seria bom pelas finais serem fora do calendário do Brasileiro. Teríamos tempo depois da final da Libertadores. Não foi possível. Mas não é surpresa para mim esse apoio da torcida para mais uma final.

A eliminação na Copa do Brasil vai completar um mês no dia da final da Libertadores. E de lá para cá foram outros nove jogos. A questão do calendário é uma discussão obrigatória para se avaliar essa temporada?

Eu já não aguento mais falar nisso, mas não tem jeito. O Flamengo foi exposto a uma insanidade de jogos a cada três dias, convocações, de situações que as pessoas reclamavam, mas, quando o Flamengo teve o resultado esportivo adverso, elas não ficaram do lado do Flamengo. Precisam ser mais firmes e claras.

Os nossos receios se converteram em lesões, desgaste... e ficamos em situação ruim no Brasileiro, mesmo lutando pelo título até o fim.

Renato Gaúcho e os dirigentes do Flamengo na chegada ao Uruguai — Foto: Alexandre Vidal/Flamengo

Renato Gaúcho e os dirigentes do Flamengo na chegada ao Uruguai — Foto: Alexandre Vidal/Flamengo

A tendência é de o problema de as competições não pararem nas datas Fifa continuar em 2022? Existe alguma forma de minimizar o impacto?

Não parar o Brasileiro nas datas Fifa só prejudica quem investe mais, os times com mais potencial. É uma ducha de água fria. O mais legal como dirigente é contratar um jogador que representa sua seleção. Com o Isla foi assim, um cara que disputou Copa, foi campeão de Copa América. Arrascaeta é o camisa 10 do Uruguai.

Aí você mantém o Everton Ribeiro, que tem 32 anos e recebeu uma proposta firme de 8 milhões de euros... Seguramos porque acreditamos. Chega a convocação e o clube fica perdido. Não reclamo de serem convocados, mas de o campeonato não parar. Em 2022 tem oito datas Fifa no Brasileiro. Aí no fim do ano vão me questionar novamente. Ainda tem Copa do Mundo. Não é só o jogo que o atleta não joga, tem a partida seguinte que é comprometida. Quem for para o Mundial de Clubes faz como? Não dá férias para os jogadores?

A arbitragem também é um tema recorrente a cada rodada. Qual avaliação você faz?

Tragédia. A melhor palavra é essa. É o símbolo da arbitragem no Brasil. Infelizmente. Não quer dizer que quem está à frente não tem mérito. Não quero que seja desculpa, mas alguns clubes foram prejudicados, e o Flamengo foi um deles. Essa balela de que o Flamengo sempre foi beneficiado por causa da força da torcida... nada! Esse ano comprova. Nem preciso enumerar.

É uma coisa louca. Temos a tecnologia e há a desconfiança no VAR. Isso veio para dar mais transparência, credibilidade e dar mérito ao talento. Mas as coisas estão mal, e isso é ruim para o futebol. Quando tem a desconfiança sobre como a regra é cobrada, é muito ruim.

O departamento de futebol recebeu críticas sobre a parte de recuperação médica dos jogadores, preparação física... Achou justas?

O departamento médico do Flamengo tem o mesmo chefe (Marcio Tannure). Está aí há muito tempo. Teve tantos elogios em muitos momentos, e alguns questionamentos também. Mas temos uma relação bem tranquila em relação aos outros departamentos. São pessoas em quem o Flamengo confia. No futebol as coisas mudaram. O mundo mudou.

Tem as redes sociais, os youtubers... E aí os jornalistas dos meios de comunicação tradicionais também meio que vão nesse sentido de apurar com mais fragilidade. Não na má intenção, mas por causa da necessidade de rapidez para publicar. Eu entendo. Não vejo sacanagem. Mas acho que em alguns momentos faltou mais cuidado. Tem um fato central que não pode ser esquecido, que foi jogar de três em três dias.

Ainda viemos de uma temporada 2020 que terminou em 2021. Vamos terminar o ano perto dos 90 jogos. Não é desculpa, mas eu não falar isso não seria justo também. Eu sou questionado e a minha equipe, acho que tenho que defendê-los.

Marcos Braz e Bruno Henrique na comemoração do título de 2019 — Foto: Paula Reis/Flamengo

Marcos Braz e Bruno Henrique na comemoração do título de 2019 — Foto: Paula Reis/Flamengo

Você, Marcos Braz, ainda tem algum sonho a cumprir como VP do Flamengo? Seja um título, a contratação de algum jogador específico...

 

Campeão do mundo. Jogador, não. Jogador faz parte do processo, não tenho sonho de contratar ninguém. Meu sonho é ser campeão do mundo. Bati na trave. E, se tivesse sido campeão, eu tinha saído do Flamengo.

 

Qual será o peso do resultado da final da Libertadores para o planejamento de 2022, incluindo a estrutura do departamento de futebol, comando técnico...

É o tamanho do peso de uma Libertadores. Quando se coloca em questão essa competição, ela tem todo um tamanho, uma engrenagem. Se ganharmos, todos vão ficar felizes. As pessoas vão entender algumas situações. No caso de um resultado adverso, acho que é entender que chegar na final, e de forma invicta... Olha como está a vida do Flamengo: ou é campeão invicto, o que poucos clubes conseguiram, ou não será campeão. Não tem meio-termo.

Mas acredita que o impacto será esse: ganhou está tudo bom, perdeu está tudo errado?

Não. O departamento de futebol precisa de ajustes, independente de título da Libertadores. É sempre necessário avaliar se não poderia ter feito melhor, tomado decisões melhores para ter mais brilhantismo durante a temporada. Se ganharmos, será uma temporada muito boa, acima da média. Se perdermos, não dá para achar que tudo foi uma tragédia.

Chegamos na semifinal da Copa do Brasil e vamos lutar no Brasileiro até quando for possível. Se não formos campeões brasileiros, provavelmente ficaremos em segundo. E, se não formos campeões da América, ficamos em segundo. É pouco para o Flamengo, ganhar isso não significa que não precisa ter ajuste.

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