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Obrigada a se casar, jovem tem o nariz cortado pelo marido

Por Globo.com   Sexta-Feira, 7 de Agosto de 2020

Após mais de dez semanas de agonia, enfim, um fio de esperança.

Com um pequeno espelho de mão, a afegã Zarka pôde ver seu novo nariz. Estava coberto de pontos e coágulos de sangue, mas instantaneamente ela se sentiu bem. Dois meses se passaram desde que seu marido a agrediu com um canivete.

"Estou feliz por ter meu nariz de volta", disse ela aos médicos, enquanto eles trocavam o curativo.

"É bom", diz ela. "Muito bom."

A violência doméstica contra as mulheres é comum no Afeganistão. Uma pesquisa nacional citada pelo Fundo de População das Nações Unidas descobriu que 87% das mulheres afegãs sofreram pelo menos uma forma de violência física, sexual ou psicológica durante a vida.

No pior dos casos, as mulheres são atacadas com ácido ou com facas. Frequentemente, o agressor é o marido ou outro parente.

Zarka, de 28 anos, estava casada há dez e tinha um filho de seis, quando seu marido a agrediu com uma faca. Ela estava acostumada a apanhar, mas não esperava que ele fosse tão longe.

"Ele estava me dizendo que eu era uma pessoa imoral", diz ela. "Eu disse a ele que isso não é verdade."

Zarka permitiu que a BBC acompanhasse sua recuperação e ela descreveu em entrevistas o abuso doméstico que precedeu o brutal ataque com faca.

Zarka estava acordada durante sua operação de três horas, com anestesia local.

"Quando me vi hoje no espelho, o nariz se recuperou muito", diz ela, depois de ver seu novo rosto pela primeira vez.

"Antes da operação, não estava bom", acrescenta.

O médico Zalmai Khan Ahmadzai, um dos poucos cirurgiões no Afeganistão especializados em reconstrução facial, diz estar impressionado com o progresso de Zarka.

"A operação dela correu muito bem. Não houve infecção - um pouco de inflamação, mas isso não foi um problema", explica.

'Só queria um nariz. Nada mais', diz Zarka — Foto: BBC

'Só queria um nariz. Nada mais', diz Zarka — Foto: BBC

Zarka não foi sua primeira paciente. Na última década, Zalmai tratou dezenas de mulheres afegãs desfiguradas por seus maridos, pais e irmãos.

 

'Casamento abusivo'

 

Zarka vem de uma família muito pobre do distrito de Khairkot, 250 km ao sul da capital Cabul, perto da fronteira com o Paquistão. Ela não sabe ler nem escrever.

Seu casamento foi arranjado por seu tio quando ela era criança. "Eu era muito jovem na época, não sabia nada sobre vida ou casamento", conta.

Zarka recebeu anestesia local para a operação — Foto: BBC

Zarka recebeu anestesia local para a operação — Foto: BBC

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