Ministro Alexandre Moraes suspende visitas de Flávio a Bolsonaro por 90 dias
Por Brasil 247 Segunda-Feira, 13 de Julho de 2026
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a suspensão, por 90 dias, das visitas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a Jair Bolsonaro. Segundo o G1, Moraes também deu um prazo de 48 horas para que a defesa explique a divulgação da carta escrita pelo ex-mandatário
A decisão foi tomada após Flávio Bolsonaro tornar pública uma carta, no último sábado (11), em suas redes sociais, uma carta supostamente escrita por Jair Bolsonaro. No documento, o ex-mandatário reafirma apoio ao filho mais velho na disputa pela Presidência da República nas eleições de outubro.
Para o ministro, a conduta caracterizou um desvio de finalidade do direito de visita e representou uma tentativa de contornar a proibição judicial de publicações atribuídas a Jair Bolsonaro.
Moraes aponta tentativa de burlar restrições
Relator da execução da pena de Jair Bolsonaro, Alexandre de Moraes afirmou que o senador utilizou o encontro com o ex-presidente para conseguir um documento cuja finalidade exclusiva seria sua divulgação nas plataformas digitais.
Na avaliação do ministro, a medida contrariou diretamente as condições impostas à prisão domiciliar, que incluem restrições relacionadas ao uso de redes sociais. Por esse motivo, Moraes determinou a suspensão das visitas de Flávio ao pai.
A decisão também ressalta que houve reincidência. De acordo com o ministro, episódio semelhante já havia sido registrado em agosto de 2025, circunstância que, à época, contribuiu para a decretação da prisão domiciliar do ex-presidente.
Prisão domiciliar de Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar desde novembro do ano passado. O ex-presidente foi condenado a 27 anos e três meses de prisão após ser considerado líder de uma organização criminosa que, segundo a decisão judicial, tentou promover um golpe de Estado para mantê-lo no poder após a derrota nas eleições de 2022.
O processo de execução da pena é conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes, responsável pelas decisões relacionadas ao cumprimento das medidas impostas ao ex-presidente.
Decisão ocorre em meio à crise na família Bolsonaro
A suspensão das visitas foi determinada poucos dias após a divulgação de uma carta de Jair Bolsonaro, lida em meio ao acirramento das divergências públicas entre Flávio Bolsonaro e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
A troca de acusações entre os dois ocorreu pelas redes sociais e ampliou a crise interna no grupo político ligado ao ex-presidente. Em meio ao episódio, Michelle Bolsonaro deixou a presidência do PL Mulher, após entendimento firmado com o presidente nacional do Partido Liberal.