Igreja evangélica em Patos desrespeita decreto de isolamento e é obrigada a suspender cultos com fieis
Por Redação 40 Graus Sábado, 2 de Maio de 2020
Assim como já aconteceu em outros municípios do Brasil, onde pastores e outros líderes religiosos insistem em descumprir normas de isolamento social baixadas em decretos por prefeitos e governadores, em Patos não é diferente. Igrejas voltaram a fazer cultos e outras celebrações com a presença de fieis.
Os decretos baixados até agora pelo governo do Estado, são claros ao dizerem que as celebrações devem ser suspensas com a presença de público.
Em Patos, a Igreja Renascer foi obrigada a suspender os cultos com a presença de membros por não cumprir tais determinações. A igreja vinha realizando cultos online, mas resolveu voltar às suas atividades normais ainda em abril.
Agora, o pastor líder da igreja, Lindimberg, teve que rever a decisão e não mais realizar cultos presenciais. Ele assim anunciou:
“Passando pra informar que estamos cancelando as atividades nas Igrejas Renascer, devido ser notificado por o tenente Fernandes da PM na minha residência hoje, dia 02 de maio. Pelo menos até o dia 18 estão suspensas, devido denúncia de pessoas que nos conhecem de perto e não aceitam minha condução nas atividades durante a pandemia. Sempre deixei claro que as pessoas de risco fiquem em casa, coloquei álcool na entrada da igreja e fiz afastamento de um metro entre as cadeiras, que não quer vir fique em casa mas não pode influenciar outros a não irem, a decisão é pessoal e respeitosa. Peço encarecidamente que não deixem de contribuir com seu dízimo e a oferta pra manter nossos templos, despesas e investimentos feitos na igreja. É com muita tristeza e lágrimas nos olhos que faço esse comunicado, pois todos sabem quanto amo o templo e a obra com Igreja. Forte abraço e beijo no coração de todos vcs. Estarei à disposição para visitas e no gabinete pastoral.”
O Art. 2º do decreto 40.217, publicado na edição deste sábado (2), no Diário Oficial do Estado, diz: “Fica prorrogada, até o dia 18 de maio de 2020, a proibição de realização de missas, cultos e quaisquer cerimônias religiosas.”
Outro pastor que ignorou determinações foi Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, que disse em um vídeo divulgado nas redes sociais, no meio de março, que só ia fechar as igrejas que ele é pastor por meio de ordem judicial. Malafaia disse que os governadores não têm poder de fechar a igreja.
No dia 10 de abril, a Justiça do Rio de Janeiro determinou que o pastor Silas Malafaia não realizasse cultos em suas igrejas, a Assembleia de Deus Vitória em Cristo. A decisão do desembargador Agostinho Teixeira ocorreu na última quinta-feira, 9. O magistrado acolheu um pedido do Ministério Público estadual e estabeleceu uma multa de R$ 10 mil em caso de descumprimento. Em entrevista exclusiva a VEJA, Malafaia afirma ser “absurda” e uma “vergonha” a proibição. O religioso alega que, desde 19 de março, não abre mais as portas dos templos aos fiéis para evitar aglomeração em meio à pandemia de coronavírus.

No final do mês de março, a Justiça Federal no Rio de Janeiro suspendeu os efeitos do decreto do presidente Jair Bolsonaro definindo como serviço público essencial atividades religiosas e o funcionamento de casas lotéricas. A decisão desta sexta-feira (27) é da 1ª Vara Federal de Duque de Caxias.
A determinação atende a pedido do Ministério Público Federal para que as atividades religiosas e o funcionamento de lotéricas fossem suspensos enquanto durar o período de isolamento social para conter a disseminação do novo coronavírus.
"O acesso a igrejas, templos religiosos e lotéricas estimula a aglomeração e circulação de pessoas", escreveu o juiz federal substituto Márcio Santoro Rocha.
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