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Acordos firmados por Bolsonaro em Moscou devem afundar após início de guerra na Ucrânia

Por CNN Brasil   Segunda-Feira, 28 de Fevereiro de 2022

Após países ocidentais anunciarem uma série de graves sanções econômicas à Rússia e ao presidente russo Vladimir Putin, o governo brasileiro já avalia a possibilidade de que os acordos firmados entre Putin e o presidente Jair Bolsonaro em Moscou não possam ser honrados.

Dois exemplos principais disso, de acordo com assessores presidenciais são a articulação do governo para garantir o envio de fertilizantes ao Brasil e a preocupação com o preço da gasolina. Para o governo, a guerra promovida por Putin impacta nos compromissos desenhados na viagem.

No dia da invasão, o preço dos fertilizantes dispararam. A tonelada passou de US$ 320 para US$ 850. A conta está na ponta do lápis em conversas no Planalto. O pessimismo é sintoma também do que ocorreu neste sábado: a exclusão da Rússia do sistema Swift, sistema de transferências internacionais que conecta bancos ao redor do mundo.

Isso pode inviabilizar a própria transação financeira para efetivar a importação de fertilizantes, calculam fontes do governo.

Outro indicador negativo mostra que o início da invasão russa levou o preço do barril de petróleo a superar 100 dólares pela primeira vez em mais de sete anos. Uma das preocupações do Brasil na viagem de Bolsonaro a Moscou era com os efeitos de uma guerra no preço do barril de petróleo.

Auxiliares do presidente defendem que a posição é de cautela. Até o momento, Bolsonaro não criticou a Rússia diretamente, tampouco condenou os ataques à Ucrânia, apesar do Brasil ter votado a favor do repúdio aos ataques no Conselho de Segurança da ONU.

No lugar de uma declaração, porém, Bolsonaro curtiu publicações do perfil internacional do governo brasileiro no Twitter que fala da condenação aos atos.

A conta oficial Government of Brazil, em que o governo se comunica em inglês na rede social, publicou um vídeo do embaixador Ronaldo Costa, representante do Brasil na ONU, com a descrição dizendo que o Brasil condena fortemente a violação da soberania e da integridade territorial da Ucrânia pela Rússia. Bolsonaro, por meio de seu perfil pessoal, curtiu a publicação – sem compartilhá-la.

Para assessores presidenciais, o like representa a posição do presidente, ainda que a comunicação não seja das mais diretas.

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