Atlas da Violência: paraibanos negros correm 6,6 vezes mais riscos de morte que brancos
Por Jornal da Paraíba Quinta-Feira, 6 de Junho de 2019
Os negros que vivem na Paraíba correm 6,6 vezes mais riscos de serem assassinados que os não negros (brancos, amarelos e indígenas). Os dados fazem parte do Atlas da Violência 2019 e foram divulgados nesta quarta-feira (5) pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. As informações têm como base dados repassados pelo Ministério da Saúde e revelam a face mais dura de uma segregação materializada pela violência. O índice paraibano é o maior do Brasil. Enquanto a taxa de homicídios de negros na Paraíba, em 2017, foi de 46,4 por grupo de 100 mil, a de não negros, no mesmo período, foi de 7,1 por grupo de 100 mil – taxa compatível com a de países europeus.
O levantamento também mostrou que houve crescimento 2,8 vezes maior dos casos de homicídios nas regiões Norte e Nordeste do que a média nacional, entre 2007 e 2017, ano em que 65.602 pessoas foram assassinadas. A taxa de homicídios nessas duas regiões aumentou 68% no período, saltando para 48,3 vítimas por 100 mil habitantes. Enquanto isso, a média nacional cresceu 24%, atingindo o patamar inédito de 31,6. O Sudeste e o Centro-oeste tiveram uma leve diminuição, e o Sul ficou estável.
Confira a taxa de homicídio por 100 mil habitantes no Nordeste entre 2007 e 2017
Estado 2007 2017 taxa de crescimento
Alagoas 59,5 53,7 -9,8%
Bahia 26,0 48,8 87,8%
Ceará 23,2 60,2 159,7%
Maranhão 18,0 31,1 73,1%
Paraíba 23,7 33,3 40,7%
Pernambuco 53,0 57,2 7,8%
Piauí 12,5 19,4 55,6%
Rio Grande do Norte 19,1 62,8 228,9%
Sergipe 25,7 57,4 123,5%
Em números totais, no caso da Paraíba, o volume de homicídios aumentou de 864, em 2007, para 1.341, em 2017. A curva em relação ao estado seguiu em uma crescente até 2011 e começou a baixar a partir de 2012. Do Nordeste, os números mais graves são registrados no Rio Grande do Norte, que passou a ser o estado mais violento do Brasil, levando em consideração os números totais. Lá, a taxa de homicídios foi de 62,8 mortes por 100 mil habitantes. O aumento em dez anos foi de 229%. No extremo oposto está São Paulo, com 10,3 mortes por 100 mil habitantes e queda de 34% no período.
Os números da Paraíba preocupam também quando se fala na morte de jovens. A taxa de homicídios no Estado é de 72 por grupo de 100 mil, um índice maior que a média nacional, que ficou na casa de 69,9 por grupo de 100 mil. Os dados mostram ainda que os homens jovens são os mais expostos à violência. Para se ter uma ideia, a taxa de homicídios neste grupo é de 136,8 por grupo de 100 mil.