Pizzaria em Pombal: polícia considera improvável envenenamento intencional no caso
Por Janinne Vivian - JP Online Quarta-Feira, 18 de Março de 2026
A Polícia Civil considera improvável um envenenamento intencional no caso da pizzaria investigada por um surto de intoxicação alimentar que causou a morte de uma mulher e deixou mais de 110 pessoas doentes em Pombal. A informação foi confirmada pelo delegado Rodrigo Barbosa, responsável pelo inquérito.
O delegado afirmou que a a própria dinâmica do caso levou a polícia a afastar a possibilidade de envenenamento. Isso porque funcionários da pizzaria também consumiram o alimento e passaram mal na noite do domingo em que as pizzas foram vendidas.
“Atualmente a polícia considera improvável um envenenamento intencional, mas ainda trabalha com a possibilidade de um envenenamento acidental. A própria equipe, na noite do domingo, também consumiu o alimento e passou mal. O caixa comeu e, em menos de 10 minutos, passou mal", afirmou.
Um dos admnistradores da pizzaria, que é padrastro do dono do estabelecimento, Marcos Antônio, foi ouvido pela polícia. Em depoimento, ele afirmou que desconfiou da carne de sol utilizada na pizza com nata. Essa nformação, segundo o delegado, também apareceu em outros relatos colhidos durante a investigação.
Segundo o delegado, o homem relatou que a carne teria sido comprada no sábado (14) pela manhã e a nata teria sido preparada à tarde. O homem também negou que o local tivesse sido exposto a veneno ou que tivesse passado por dedetização no dia.
Duas linhas de investigação
A Polícia Civil apura dois crimes no inquérito. O primeiro está relacionado ao consumo de alimento impróprio, previsto na Lei 8.137, que trata dos crimes contra as relações de consumo. O crime consiste em vender, expor à venda ou entregar mercadoria em condições impróprias ao consumo, com pena de detenção de dois a cinco anos ou multa.
“A princípio, tem o crime relacionado ao consumo, que seria a principal linha de investigação. O mais importante é saber o que causou essas intoxicações. Quem tiver agido com negligência, ainda que de forma não culposa, pode responder. Pode ser o dono ou mesmo vendedores dos alimentos. São dois crimes”, explicou o delegado.
O segundo crime investigado é o de homicídio culposo, em razão da morte da cliente, de acordo com o delegado. A vítima fatal, Raíssa Meritein Bezerra e Silva, de 44 anos, foi submetida a exame toxicológico, e amostras do corpo, dos alimentos e das pizzas foram recolhidas. O resultado do exame é estimado para sair em cerca de duas semanas.
“A morte dela passa a ser considerada um possível homicídio culposo. Precisamos esclarecer o que aconteceu com base nos alimentos que foram usados e tentar descobrir a possível contaminação”, afirmou.
Segundo a polícia, todos os envolvidos na cadeia de preparo e venda dos alimentos podem ser responsabilizados, caso fique comprovada negligência. Até o momento, o dono da pizzaria ainda não foi intimado a prestar novo depoimento.
Dono de pizzaria diz estar colaborando com investigações
O dono da pizzaria investigada após a morte de uma mulher e o atendimento médico de cerca de 118 pessoas afirmou que está colaborando com as investigações e disse que “não teve intenção de machucar ninguém” e que “não sabe o que aconteceu” com os alimentos. Em vídeo, ele lamentou a morte da vítima e o transtorno causado aos clientes.
Após o caso, a Polícia Civil abriu inquérito para apurar possíveis responsabilizações. A Vigilância Sanitária Municipal interditou o estabelecimento, e a Agevisa realizou inspeção, apontando problemas como pragas, insetos e alimentos mal acondicionados.
Sobre as apurações, o empresário declarou: “Eu estou colaborando com a vigilância, fornecendo amostras, com a Polícia Civil também, que eles pediram também, estamos enviando isso, estou entregando porque eu preciso da verdade”. Ele acrescentou: “Eu preciso da verdade para me sentir bem”.
A morte da mulher

Quem é a mulher que morreu após comer em pizzaria investigada por intoxicação alimentar em Pombal - Foto: Prefeitura de Pombal. Gustavo Demétrio
A mulher que morreu após comer em uma pizzaria foi identificada como Raíssa Maritein Bezerra e Silva, de 44 anos. Na noite do domingo (15), ela foi para o estabelecimento com o namorado comer uma pizza de carne de sol. O namorado passou por atendimento após comer o alimento, mas não teve mais problemas graves na saúde.
Raíssa Meritein era engenheira agrônoma, servidora pública e descrita por familiares como alguém que era 'alegre e acolhedora'.
"Era uma pessoa alegre, simples, acolhedora. Rayssa era servidora pública, engenheira agrônoma, não tinha filhos e não era casada. (Era) divertida", disse a prima de Rayssa, Izabele Freitas.
Em nota, o Hospital Regional de Pombal afirmou que a "paciente apresentou rápida evolução clínica, sendo prontamente assistida pela equipe médica e encaminhada à Unidade de Terapia Intensiva (UTI), já em estado geral gravíssimo, com sinais compatíveis com um quadro infeccioso grave". Por volta das 8h59 desta terça-feira (17), a morte foi confirmada.
Ainda no domingo, após retornarem para casa, os dois começaram a passar mal e foram para o Hospital Regional, receberam atendimento e foram liberados. No entanto, na manhã desta segunda-feira (16), a mulher deu entrada novamente na unidade de saúde, onde permaneceu internada até vir a óbito nesta terça-feira (17).
Exames periciais com o material encontrado na pizzaria e também no corpo da mulher morta vão ser feitos, tanto pela Polícia Civil quanto por órgãos de saúde, como a Agevisa-PB, respectivamente. Ainda não há prazo para a realização desses exames.
O velório dela acontece no Auditório da UBS Solar das Oiticicas, em Pombal. O sepultamento da vítima vai acontecer na quarta-feira (18), às 8h, no Cemitério São Francisco, também em Pombal.
Mais de 100 atendidas após comer na pizzaria

Mais de 80 pessoas têm sintomas de intoxicação alimentar e pizzaria é interditada em Pombal - Foto: Governo da Paraíba. Gustavo Demétrio
Um total de 118 pessoas precisaram de atendimento em duas unidades de saúde, entre o domingo (15), quando comeram na pizzaria e a noite de terça-feira (17). Os pacientes apresentaram sintomas como náuseas, vômitos, dores abdominais, diarreia e mal-estar geral. Esses atendimentos ocorreram na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do município e no Hospital Regional de Pombal.
Segundo a UPA, 44 pacientes foram atendidos na unidade com sintomas relacionados ao quadro de intoxicação alimentar. No local, os pacientes relataram em comum o consumo de pizza proveniente do mesmo estabelecimento comercial da cidade, consumida ainda na noite do domingo.
No Hospital Regional de Pombal, outras 74 pessoas também deram entrada com sintomas semelhantes, sendo 36 atendimentos no domingo (15) e 38 na segunda-feira (16).
A UPA de Pombal disse que todos os 44 que deram entrada na unidade receberam atendimento e tiveram alta. Até a última atualização do Hospital Regional, uma criança de 8 anos estava internada, assim como uma mulher, passando por cuidados.