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Crise na segurança pública: paralisação de jornadas extras expõe dificuldades operacionais na Polícia Civil da Paraíba

Por Camila Bezerra - Click PB   Terça-Feira, 3 de Março de 2026

A paralisação voluntária de jornadas extras por investigadores e escrivães da Polícia Civil da Paraíba passou a produzir efeitos visíveis no funcionamento das delegacias do estado. A medida, conhecida entre os servidores como extra zero, ocorre em meio a um movimento de insatisfação com os salários pagos à carreira investigativa e com a ausência de uma política de valorização da categoria. Sem a adesão dos policiais às horas adicionais que tradicionalmente complementavam o funcionamento das unidades, algumas delegacias passaram a operar de forma reduzida e outras tiveram o atendimento reorganizado.

O cenário expôs uma dependência estrutural das jornadas excedentes para manter o funcionamento de parte das atividades policiais. Com menos profissionais disponíveis para assumir plantões além da carga regular de trabalho, a administração passou a concentrar atendimentos em polos regionais de plantão que reúnem equipes responsáveis por mais de um município.

Na prática, a reorganização tem provocado mudanças no atendimento à população. Moradores de algumas localidades precisam se deslocar até cidades vizinhas para registrar ocorrências e há relatos de aumento no tempo de espera para atendimento. Policiais também apontam sobrecarga de trabalho nas equipes que permanecem nos plantões regionais e alertam para o acúmulo de procedimentos investigativos.

Entre os efeitos observados estão a redução de diligências nas ruas e menor cumprimento de mandados judiciais, consequência direta da diminuição de efetivo disponível em determinadas unidades. Especialistas na área de segurança pública afirmam que a continuidade desse cenário pode afetar a capacidade investigativa da polícia e repercutir na percepção de segurança da população.

Investigadores e escrivães afirmam que não se trata de greve. Segundo representantes da categoria, a decisão consiste apenas em não aderir a jornadas extras enquanto não houver avanços nas discussões sobre remuneração e condições de trabalho. Os policiais também defendem tratamento isonômico dentro da estrutura da Polícia Civil e apontam que a Paraíba figura entre os estados com menores salários da carreira investigativa.

Para os servidores, o pagamento de horas extras acabou se tornando um mecanismo recorrente para compensar o déficit de pessoal e a ausência de reajustes estruturais. A interrupção dessa prática teria revelado uma fragilidade organizacional já existente.

Publicamente, a direção da Polícia Civil sustenta que o funcionamento da instituição segue dentro da normalidade. Nos bastidores, porém, integrantes da própria corporação reconhecem que a situação exige atenção e diálogo para evitar agravamento do quadro.

Até o momento, o Governo do Estado não anunciou proposta formal de recomposição salarial nem abertura de mesa de negociação com as categorias envolvidas. Enquanto isso, o debate sobre condições de trabalho na Polícia Civil e seus reflexos na segurança pública segue em evidência.

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