Grandes apreensões de drogas em Patos ajudaram a polícia a prender o líder de organização do tráfico na Paraíba
Por Vicente Conserva com Janinne Vivian Quinta-Feira, 26 de Fevereiro de 2026
As grandes apreensões realizadas em Patos-PB desde o ano de 2023 fazem parte da investigação que culminou com a Operação Argos realizada nesta quinta-feira (26) na Paraíba e mais quatros estados.
Desde 2023, foram pelo menos três grandes apreensões de drogas em Patos que ajudaram a polícia a montar um verdadeiro quebra-cabeça e chegar ao principal fornecedor de drogas para Patos e Sertão do estado.
O prejuízo calculado pela polícia dessas apreensões é de quase R$ 30 milhões
Segundo a Polícia Civil, o prejuízo é superior a R$ 100 milhões à organização criminosa se calculado outras apreensões. Entre os casos registrados estão:
- Maio de 2023, em Patos: 150 kg de cocaína, com prejuízo estimado em R$ 27 milhões;
- Junho de 2023, em Cajazeiras: 400 kg de drogas, com prejuízo de R$ 6,8 milhões;
- Outubro de 2023, em Conceição: 1 tonelada de drogas, com prejuízo de R$ 46 milhões;
- Dezembro de 2024, em Patos: 30 kg de drogas, com prejuízo de R$ 1,5 milhão;
- Fevereiro de 2025, em São José de Piranhas: 80 kg de cocaína pura, com prejuízo de R$ 10 milhões;
- Setembro de 2025, em Patos: 50 kg de entorpecentes, com prejuízo de R$ 1 milhão.
Segundo a corporação, a organização criminosa era estruturada em núcleos gerencial e operacional na Paraíba. O grupo utilizava carretas de transportadoras lícitas para camuflar drogas, além de manter um esquema sofisticado de lavagem de dinheiro que movimentou cerca de meio bilhão de reais desde 2023.
A investigação também identificou operadores financeiros responsáveis por movimentações milionárias, além de indícios de infiltração em contratos públicos para ocultação de recursos ilícitos.
O nome “Argos” faz referência ao gigante mitológico Argos Panoptes, conhecido por seus cem olhos. Conforme a Polícia Civil, o simbolismo representa a vigilância contínua e estratégica no combate ao narcotráfico interestadual.
Com a operação, a instituição afirma ter neutralizado os três pilares da organização criminosa: logística, varejo e capital.

Mais de 40 mandados de prisão preventiva estão sendo cumpridos nesta quinta-feira (26) durante uma ação policial contra uma organização criminosa investigada por tráfico de drogas. Na Paraíba, são 32 ordens judiciais, executadas em diferentes cidades do estado.
A operação é conduzida pela Polícia Civil da Paraíba e também ocorre em outros três estados. Além das prisões, há mandados de busca e apreensão e bloqueio de valores em contas bancárias ligadas aos investigados.
Segundo a polícia, o grupo é investigado por atuar no fornecimento de entorpecentes para a Paraíba e para outras regiões do Nordeste.

Para interromper o funcionamento da organização, a Justiça autorizou um conjunto de medidas que, segundo a Polícia Civil, têm como objetivo enfraquecer financeiramente o grupo. Entre as determinações estão:
- 44 mandados de prisão preventiva, sendo 32 na Paraíba, 10 em São Paulo, 1 na Bahia e 1 no Mato Grosso
- 45 mandados de busca e apreensão
- Bloqueio de R$ 104.881.124,34 em contas bancárias ligadas a 199 investigados
- Sequestro de 13 imóveis
- Sequestro de 40 veículos, entre carros de luxo e frotas de transporte
Liderança presa no Sertão da Paraíba
Na capital, João Pessoa, três pessoas foram presas até o momento — duas mulheres e um homem — durante o cumprimento de mandados nos bairros de Paratibe, Gramame e Mangabeira, na região Sul da cidade.
Em Campina Grande, a Polícia Civil cumpriu três mandados de prisão no bairro Três Irmãs, contra dois homens e uma mulher. Um dos alvos chegou à delegacia com a mão ensanguentada após quebrar o próprio celular no momento da abordagem, segundo a polícia. No município, também foram apreendidos uma arma de fogo, duas motocicletas e dois carros de luxo.
Já em Pombal, no Sertão do estado, foi preso o principal operador da organização criminosa na Paraíba, identificado como Luciano Moraes.
Além disso, uma das principais lideranças investigadas foi presa na cidade de Hortolândia, em São Paulo. O homem foi identificado como Jamilton Alves Franco, conhecido como “Chocô”, natural de Cajazeiras. As investigações apontam que ele manteve conexões com um núcleo de liderança de uma organização criminosa em São Paulo.
Segundo a polícia, essas conexões permitiram a estruturação de uma rota de distribuição interestadual, com a Paraíba como um dos principais destinos da droga, além de regiões do Sertão de Pernambuco e do Ceará.
Investigação começou em 2023
De acordo com a Polícia Civil da Paraíba, a investigação teve início em meados de 2023, após uma sequência de apreensões de grandes carregamentos de drogas em diferentes regiões do estado.
A investigação revelou que a organização criminosa funcionava de forma estruturada, com divisão de tarefas e atuação em diferentes estados. O grupo era organizado em núcleos responsáveis pelo transporte, pela distribuição das drogas e pela movimentação do dinheiro obtido com o tráfico.
De acordo com a apuração, a droga era transportada em carretas e veículos de apoio, muitas vezes misturada a cargas lícitas. Na Paraíba, subnúcleos ficavam responsáveis pela distribuição do material para o consumidor final.
A polícia também identificou um núcleo financeiro responsável pela lavagem de dinheiro. Esse setor atuava na ocultação e na movimentação dos valores obtidos com o tráfico, por meio de empresas de fachada, aquisição de veículos e imóveis e movimentações bancárias fracionadas.
A Polícia Civil informou que a operação busca atingir três frentes da organização: o transporte da droga, a distribuição no varejo e a estrutura financeira.