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Pesquisa Quaest: Quase 70% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6×1

Por Brasil 247   Quarta-Feira, 15 de Julho de 2026

O fim da escala de trabalho 6×1 é apoiado por 69% dos brasileiros, segundo a pesquisa Genial/Quaest de julho de 2026. Outros 22% se dizem contrários à mudança, 3% não são favoráveis nem contrários e 6% não souberam ou preferiram não responder.

De acordo com a Genial/Quaest, o apoio à proposta permaneceu praticamente estável nos últimos meses. O índice era de 68% em março e chegou a 69% em julho, enquanto a rejeição continuou em 22%.

O levantamento também mostra que 75% dos entrevistados sabiam que a Câmara dos Deputados havia aprovado a proposta e que o texto estava em análise no Senado. Outros 25% afirmaram desconhecer o estágio da tramitação.

PEC aguarda avanço no Senado

A proposta aprovada pela Câmara chegou ao Senado em 28 de maio e, até meados de julho, ainda não tinha relator definido nem havia sido encaminhada para uma comissão. A última movimentação legislativa relevante registrada foi a autuação e a publicação do texto recebido dos deputados.

A PEC 221/2019 reduz de 44 para 40 horas a duração máxima da jornada semanal, assegura dois dias de repouso remunerado e impede a redução dos salários. O texto foi aprovado pelos deputados em dois turnos, em 27 de maio, e estabelece um período de transição de 14 meses para a entrada em vigor das novas regras.

O andamento da proposta depende de decisões administrativas e políticas da Presidência do Senado. Davi Alcolumbre (União-AP), presidente da Casa, descartou a possibilidade de levar imediatamente o texto ao plenário e afirmou que a PEC deverá ser examinada pelas comissões.

“Essa proposta vai ter que tramitar nas comissões”, afirmou Alcolumbre ao defender uma análise mais prolongada. Segundo ele, os senadores não deveriam apenas “carimbar” o texto aprovado pela Câmara.

Apesar de uma sessão temática realizada em 1º de julho e de reuniões com sindicatos, parlamentares, empresários e representantes de prefeituras, a proposta ainda não havia alcançado a fase de votação.

A condução da matéria provocou cobranças de parlamentares favoráveis à mudança e abriu uma nova frente de tensão entre Alcolumbre e integrantes da base do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Após críticas do deputado Pedro Uczai (PT-SC), o presidente do Senado divulgou uma nota na qual afirmou que não aceitaria “pressões, intimidações ou ameaças” relacionadas ao calendário de análise da PEC.

Apoio permanece elevado

Os resultados da Quaest revelam um contraste entre a demora na tramitação legislativa e a posição majoritária da população. Em dezembro de 2025, 72% dos entrevistados apoiavam o fim da escala 6×1, o maior percentual da série apresentada pelo instituto.

O apoio caiu para 68% em março de 2026, mas voltou a 69% em julho. A parcela contrária, que era de 26% em julho de 2025, recuou para 22% e permaneceu nesse patamar nas duas pesquisas mais recentes.

Antes de responderem, os entrevistados foram apresentados aos argumentos de defensores e críticos da proposta. Os apoiadores destacam os possíveis benefícios sociais da redução da jornada, enquanto os opositores alertam para eventuais impactos econômicos. Mesmo após a exposição das duas posições, mais de dois terços se mostraram favoráveis à mudança.

Metade espera trabalhar menos

A percepção sobre os efeitos práticos da proposta é mais dividida. Para 50% dos entrevistados, o fim da escala 6×1 deverá resultar em menos horas de trabalho por semana. Outros 45% não acreditam que isso ocorrerá, e 5% não souberam responder.

As respostas variam de acordo com o posicionamento político. Entre os entrevistados que se classificam como lulistas, 65% acreditam que trabalharão menos. O percentual é de 52% entre pessoas de esquerda não lulistas e de 46% entre os independentes.

Entre os eleitores de direita não bolsonarista, 41% esperam uma diminuição da carga de trabalho, enquanto 56% não acreditam nesse resultado. No grupo bolsonarista, 44% preveem redução da jornada e 50% discordam.

Descanso e convivência familiar são prioridades

Entre os entrevistados que esperam ter mais tempo livre, 53% disseram que pretendem descansar ou passar mais tempo com a família. Essa foi, com ampla vantagem, a principal atividade mencionada.

Outros 13% afirmaram que buscariam um segundo emprego ou fariam horas extras para ampliar a renda. Fazer cursos ou estudar foi a opção escolhida por 12%, enquanto 9% disseram que usariam o tempo para frequentar igrejas ou cerimônias religiosas.

Passeios, idas a bares e restaurantes e participação em festas foram mencionados por 6%. Outros 4% disseram que pretendem viajar, e 3% não souberam responder.

Proposta estabelece jornada de 40 horas

A PEC busca substituir o modelo de seis dias de trabalho para um de descanso por uma jornada que assegure dois dias de repouso semanal remunerado. A carga máxima seria reduzida de 44 para 40 horas semanais, sem diminuição salarial.

Por alterar a Constituição, o texto precisa ser aprovado em dois turnos no Senado, com os votos de pelo menos 49 dos 81 senadores. Caso o conteúdo seja modificado, a proposta terá de retornar à Câmara dos Deputados.

A Quaest entrevistou presencialmente 2.004 brasileiros com 16 anos ou mais entre os dias 10 e 13 de julho de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi registrado na Justiça Eleitoral sob o número BR-07181/2026.

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