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Jorge Jesus exalta Flamengo e diz que só saiu por causa da pandemia

Por Band/Uol   Sábado, 14 de Março de 2026

O técnico Jorge Jesus, atualmente no Al Nassr, afirmou ao jornal português Record que o Flamengo foi o maior clube que comandou na carreira, ao relembrar a passagem pelo time carioca. Ele também falou dos motivos que o levaram a deixar o Brasil em 2020.

Jesus estreou como colunista no diário esportivo português com o texto intitulado “Na cidade maravilhosa”, no qual descreve a experiência de viver e trabalhar no Rio de Janeiro enquanto dirigia o Flamengo. O tom nostálgico do relato repercutiu em Portugal, sobretudo entre torcedores do Benfica, clube que o recebeu após a saída do Rubro-Negro.

Na coluna, o treinador coloca o clube carioca no topo de sua trajetória. “O maior clube que treinei foi o Flamengo. Segundo os estudos, só o Barcelona supera a ‘Nação rubro-negra’ em número de torcedores. Mas com a grandeza vem a exigência, por vezes sufocante, dada a disputa com o Palmeiras, pelo troféu de ‘clube com mais títulos do Brasil'”, escreveu.

Ele também destacou a relação próxima com o elenco rubro-negro. Segundo Jesus, o grupo de jogadores demonstrou interesse constante em entender métodos e decisões. “Foi o grupo que mais se interessou e preocupou comigo. Interessavam-se em saber o porquê dos exercícios e das conversas com alguns durante o treino. E eu ficava no gramado explicando tudo, no final”, relatou.

Covid-19 e sensação de “prisão” no isolamento

Ao tratar da saída do clube, o português aponta a pandemia de covid-19 como fator central. Ele conta que recebeu um primeiro teste positivo e um segundo inconclusivo, o que levou o Flamengo a isolá-lo em um apartamento, sob acompanhamento médico e com contato mínimo com outras pessoas.

Jesus descreve o período de isolamento como um dos mais difíceis da passagem pelo Brasil. “Por precaução fui fechado no apartamento, sozinho. Os médicos me visitavam vestidos com roupas anti-contágio e os funcionários do clube deixavam a comida à minha porta. Tocavam e fugiam antes de eu abrir. Sentia-me numa prisão”, escreveu. Segundo ele, a situação da pandemia no país pesou na decisão: “Via as notícias e no Brasil a Covid parecia sentença de morte. Então decidi, se era para morrer, que fosse em Portugal. E vim embora”.

O treinador afirma ainda que, sem a crise sanitária, poderia ter permanecido por mais tempo no comando rubro-negro. “Sem a pandemia, se calhar hoje ainda estaria no Flamengo. Entre julho de 2019 e abril de 2020 ganhamos cinco troféus e só perdemos quatro jogos”, destacou, ao lembrar a sequência vitoriosa no período.

Jesus relata que a vontade de ficar mais perto da família e a proposta apresentada pelo presidente do Benfica o convenceram a retomar a carreira em Portugal após deixar o Rio. As declarações sobre o Flamengo como maior clube que dirigiu geraram debate entre benfiquistas, que o acompanharam em diferentes passagens pelo clube lisboeta.

Hoje no Al Nassr, na Arábia Saudita, o português concilia o trabalho no Oriente Médio com a escrita da coluna em Portugal. Já o Flamengo vive nova fase com outro treinador português: Leonardo Jardim, contratado após a demissão de Filipe Luís, é o responsável por conduzir o time carioca neste momento.

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