Não é só Plata: Leonardo Jardim chama atenção pela recuperação de jogadores do Flamengo
Por O Globo Terça-Feira, 28 de Abril de 2026
A atuação de Plata na goleada sobre o Atlético-MG jogou os holofotes para a trajetória do atacante do Flamengo nas últimas semanas. O equatoriano foi de quase fora dos planos a peça importante de Leonardo Jardim, que após o jogo destacou sua volta por cima. A recuperação ilustra uma característica marcante do trabalho do técnico até aqui: a capacidade de potencializar individualmente alguns rubro-negros.
O trabalho feito com Plata chama mais atenção porque a queda e a reação ocorreram num espaço de tempo mais curto e envolveu uma crítica pública do treinador — feita após deixá-lo fora da relação para o jogo contra o Corinthians, em 22 de março. Um dos mais usados pelo antecessor Filipe Luís, o equatoriano só havia atuado por 21 minutos (sem contar acréscimos) com Leonardo Jardim até a pausa para a data Fifa. Depois disso, esteve presente em sete de oito jogos, sendo quatro como titular. Já marcou um gol e deu uma assistência em 392 minutos em campo.
— Desde o momento que ele se integrou às ideias do grupo em termos de trabalho e de atitude, o talento está lá — resumiu Jardim.
Outros que vinham de um começo de ano oscilante também seguiram este mesmo caminho com a chegada do português. Que o diga Pedro. O centroavante não conseguia ter protagonismo na temporada. Nos 11 jogos antes de Jardim assumir, balançou as redes seis vezes e deu duas assistências. Com um detalhe: quatro destes gols haviam sido nos 8 a 0 sobre o Madureira, pelo Carioca.
Presente em todos os 13 jogos da era Jardim, o camisa 9 voltou aos seus melhores momentos. Já marcou nove gols, deu duas assistências e tenta chamar a atenção de Carlo Ancelotti antes da convocação para a Copa.
Samuel Lino também está numa crescente. Soma sete participações diretas em gols (dois marcados e cinco assistências) em 12 jogos com Leonardo Jardim contra cinco nas 11 partidas anteriores (dois gols e três assistências). Números que refletem o aumento de sua importância.
Titular só quatro vezes no começo do ano, Samuel Lino vinha perdendo espaço e sendo cobrado pela torcida. Com Jardim, ganhou liberdade para deixar a ponta em direção ao centro, correspondeu e recuperou seu status, tendo sido titular dez vezes.
Até Arrascaeta passou por este processo. Melhor jogador do time em 2025, o uruguaio iniciou o ano sem o mesmo nível físico e técnico. Somava três gols — todos de pênalti — nos oito primeiros jogos de 2026. Só foi titular em cinco, somando 533 minutos.
Com Jardim, o meia iniciou em nove dos 11 jogos em que atuou e já soma 737 minutos. Um salto que se reflete na volta de seu protagonismo, com seis participações diretas em gols (quatro marcados e duas assistências) neste período.
Atrás, Léo Ortiz não tem gols e assistências para medir. Até marcou o seu primeiro no ano já sob comando do português. Mas o fim das falhas que vinham manchando suas atuações e a volta da regularidade comprovam a sua evolução. Uma volta por cima que compõe a melhora da defensa como um todo: o time que havia sofrido 14 gols em 17 partidas com Filipe Luís em 2026, levou apenas oito nos 13 após a troca de treinador.