Após saída de Filipe Luís, o que esperar de Jardim no Fla? Compare estilos
Por O Globo Quarta-Feira, 4 de Março de 2026
O torcedor do Flamengo mal teve tempo de digerir a demissão de Filipe Luís e já sabe quem será o sucessor: Leonardo Jardim. A opção pelo português, aliás, não surpreende. Presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista não decidiu pela troca no comando de uma hora para a outra. No fim do ano passado, durante as negociações de renovação de contrato com o Filipe, Bap já havia se aproximado de Jardim, que havia deixado o Cruzeiro por questões pessoais. Em rota de colisão com o jovem técnico neste início de 2026, o dirigente voltou a contatar o português, que acenou positivamente e acertou até o fim de 2027.
Jardim desembarcou na noite de ontem no Aeroporto do Galeão e “driblou” torcedores e a imprensa presentes no saguão ao deixar o local por uma saída alternativa. Depois de assinar contrato, comandará hoje seu primeiro treino e já pode estrear na final do Campeonato Carioca, contra o Fluminense, no domingo, às 18h, no Maracanã.
Modos de pensar
Um dos motivos que pesaram na escolha por Jardim foi o estilo do treinador. Com um perfil “linha dura”, o Flamengo avalia que o técnico consegue aliar controle de vestiário a desempenho em campo. No Cruzeiro, por exemplo, teve carta branca para interferir no ambiente e barrar jogadores por mau comportamento. Diante de um diagnóstico de relaxamento do elenco após a vitoriosa temporada de 2025, o português foi visto como o nome ideal para retomar o rumo das conquistas rubro-negras.
Em diferentes estágios de carreira, Leonardo Jardim e Filipe Luís carregam semelhanças e diferenças à beira do campo. O português ficou conhecido internacionalmente por um trabalho longevo no Monaco, no qual conquistou o Campeonato Francês em 2016/2017 e desenvolveu jovens talentos, como o craque Kylian Mbappé. Depois de passar por clubes do Oriente Médio, aventurou-se pela primeira vez no futebol brasileiro à frente do Cruzeiro no ano passado.
Em Belo Horizonte, Jardim transformou a equipe mineira sem abdicar de suas ideias de jogo, o que garantiu a terceira colocação no Brasileiro de 2025. Assim como Filipe Luís, o português preza por um estilo ofensivo com e sem a bola. Segundo Rodrigo Coutinho, comentarista do Grupo Globo, os times de ambos se parecem defensivamente por pressionarem a saída adversária, especialmente no momento do pós-perda. Além disso, há outro detalhe que chama a atenção na gestão do trabalho dos dois:
— Acima de tudo, eles colocam a parte tática como principal critério para escalar os times. São treinadores que não têm pudor em deixar no banco jogadores tecnicamente muito qualificados em nome de uma estratégia, de um modelo de jogo e da busca pelo bem coletivo, sempre procurando equilibrar a equipe com atletas que se complementem e ofereçam, na visão deles, aquilo de que o time realmente precisa — destaca Coutinho.
Se Pedro ficou diversas vezes no banco de reservas com Filipe Luís, Jardim também não teve problema em deixar medalhões fora do time principal. Prova disso é que Gabigol não se encaixou no estilo de jogo e viu de camarote Kaio Jorge ser o artilheiro do Brasileiro na edição passada.
Se os técnicos têm pontos de conexão na defesa, não dá para dizer o mesmo do ataque. É o que pensa o comentarista do GE TV Bruno Formiga, que ressalta uma “ruptura” dentro de campo. Na visão de Formiga, a diferença entre um ataque mais paciente de Filipe Luís e um jogo mais direto com Leonardo Jardim pode bater de frente com as características de alguns jogadores, mas também beneficiar outros que tiveram menos espaço no elenco até então.
— O time do Cruzeiro era mais direto e focado em transições, diferentemente do Flamengo de Filipe Luís, que valorizava mais a posse de bola. Isso pode impactar nomes como Pulgar e Jorginho, embora o time conte com jogadores de velocidade para atuar em transição, como Luiz Araújo, Plata e Everton Cebolinha — analisa Formiga, que complementa:
— Pedro pode ser prejudicado, já que tem características diferentes das de um atacante mais móvel, como Kaio Jorge. Arrascaeta também oferece menos mobilidade do que Matheus Pereira. Pode dar certo para os pontas, mas não parece um encaixe imediato para todos.