Entenda como é o acordo de R$ 117 milhões entre o Palmeiras e a WTorre
Por Globo Esporte Segunda-Feira, 14 de Outubro de 2024
Palmeiras e WTorre assinaram acordo para colocar fim a uma batalha judicial de quase 10 anos na gestão do Allianz Parque. O ge detalha os termos do acerto, que tem um saldo total de R$ 117,1 milhões para o clube.
Na última quarta-feira, a construtora depositou R$ 50,1 milhões na conta do Verdão, à vista, como parte da negociação. Além disso, ficaram acertados os seguintes pontos entre os parceiros:
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Allianz Parque, estádio do Palmeiras — Foto: Marcos Ribolli
- O Palmeiras ficará quatro anos sem precisar pagar por seus camarotes na arena
- Também ficará três anos sem pagar para usar a loja do Avanti
- Não pagará nos 20 anos restantes do contrato o aluguel e condomínio do museu
- Poderá aumentar o Gol Norte em cerca de 1000 lugares
As propriedades, acrescidas dos R$ 50 milhões à vista, chegam aos R$ 117 milhões. Cada um destes pontos foi colocado no cálculo; o aumento do Gol Norte, por exemplo, equivale a R$ 20 milhões neste saldo (R$ 1 milhão por cada ano dos 20 restantes no contrato).
Palmeiras e WTorre chegaram ao número para finalizar todas as brigas que tinham a partir do encontro de contas de cada lado.
O clube fazia uma série de cobranças ao parceiro, sendo a mais famosa referente aos repasses de receitas geradas pelo Allianz Parque. Mas a construtora, também, cobrava despesas em dias de jogos e contas operacionais.
Ao se confrontar estes números, chegou-se aos R$ 117 milhões. O Palmeiras não teve de desembolsar nenhuma quantia à WTorre para chegar ao acerto; aquilo que era considerado devido pelo Verdão foi debitado do que a empresa tinha a pagar.
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Membros de Palmeiras e WTorre celebram acordo por fim de briga no Allianz Parque — Foto: Thiago Ferri
Impacto financeiro para o clube
Além dos descontos e os R$ 50 milhões, o acordo vai potencializar as receitas do clube daqui para frente. Isto porque as propriedades que precisava pagar, como camarotes, loja e museu, entravam no acerto dos repasses mensais da Real Arenas, braço da WTorre responsável pela gestão do Allianz.
Ou seja, ao apresentar as contas do percentual que o Palmeiras tinha pela exploração de setores da arena, a empresa descontava antes do pagamento aquilo que o clube tinha de pagar. A partir de agora não haverá esta dimunição.
A WTorre retomou o pagamento frequente das receitas do Allianz Parque em abril, o que significa mensalmente para o Verdão algo em torno de R$ 3 milhões.
A partir do acordo, com a suspensão do pagamento de propriedades alviverdes, a expectativa é de que o número já suba para R$ 4 milhões.
Como os ganhos da arena só têm crescido anualmente com novos negócios e a partir do próximo mês o clube terá um aumento no percentual de receitas (leia mais abaixo), Palmeiras e Real Arenas entendem que é possível o clube ter uma renda de mais de R$ 60 milhões anuais com suas fatias de repasses.
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Leila Pereira, presidente do Palmeiras, e Sílvia Torre, cofundadora da WTorre — Foto: Thiago Ferri
Percentual dos repasses vai aumentar
O contrato de 30 anos firmado entre os parceiros começou a valer quando a arena foi inaugurada, em novembro de 2014. Ou seja, no próximo mês, o vínculo chegará ao 10º ano.
Isto vai gerar o aumento no percentual a que o Palmeiras tem direito pelas áreas exploradas no Allianz Parque, conforme a Escritura de Superfície assinada anteriormente pelas partes.
As receitas pela locação da arena para eventos, além da exploração de áreas como lojas, lanchonetes e estacionamento hoje são 25% do clube e vão subir para 30% mês que vem.
Já as receitas pela locação de cadeiras, camarotes, além do naming rights com a Allianz são 10% do clube e vão aumentar para 15% em novembro.
Fim da disputa por cadeiras
Palmeiras e Real Arenas fecharam neste acordo a setorização das cadeiras do Allianz Parque. Isto encerra uma outra longa disputa, referente ao espaço para Avanti, Passaporte (programa de venda de assentos da WTorre), Lounge Centenário e Cativas.
A partir de agora, as partes definiram com exatidão as cadeiras destinadas para cada fim, evitando o risco de mudanças de locais ou de número a partir de uma briga jurídica.
Por uma decisão judicial, a construtora poderia mudar a localização das cativas das regiões centrais do estádio para setores atrás do gol. Com o acordo, estes tópicos estão superados.
Desde a inauguração do estádio, a receita de ingressos em jogos é toda do Palmeiras, mas havia a discussão sobre a divisão para comercializar as cadeiras.