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Pedrinho pede desculpas por pontuação do Vasco no Brasileiro e assume a crise

Por Globo Esporte   Quinta-Feira, 20 de Agosto de 2026

O presidente do Vasco, Pedrinho, assumiu, nesta quarta-feira, a responsabilidade pelo desempenho do clube no Campeonato Brasileiro - o time é o vice-lanterna e está há cinco rodadas na zona do rebaixamento. O dirigente falou no embarque do time para Assunção, onde o Vasco enfrenta o Olimpia, nesta quinta-feira, pela Copa Sul-Americana.

Em entrevista ao canal Podcast Cruzmaltino, Pedrinho separou a situação esportiva dos problemas financeiros e jurídicos enfrentados pelo clube. Segundo ele, o desempenho no Brasileirão é de sua responsabilidade e não deve ser usado como justificativa para as dificuldades encontradas fora de campo.

 

"Todo o insucesso é desportivo, pelo menos com relação à pontuação, e a responsabilidade é toda minha. Eu sou responsável pelo insucesso de pontuação no Campeonato Brasileiro", disse o presidente.

 

O presidente afirmou que tem trabalhado para corrigir os problemas identificados e disse que entende as críticas da torcida.

— Eu peço, do fundo do meu coração, desculpa aos torcedores por esse momento de pontuação. Nem eu nem nenhum atleta tem direito de reclamar algo sobre o torcedor. Torcedor do Vasco tem direito a tudo, a reclamar sobre tudo. E o maior responsável sou eu. O único responsável sou eu. Então, eu mereço todas as críticas, toda a reivindicação, todo o protesto, porque a responsabilidade é minha.

 

Pedrinho defende contratações e critica 777

Na sequência do longo discurso, Pedrinho abordou a situação da recuperação judicial e defendeu que o Vasco possa contratar jogadores enquanto cumpre os acordos firmados com os credores.

O presidente comparou a situação a um devedor que negocia uma dívida e passa a cumprir regularmente as parcelas acordadas. Para ele, desde que o clube honre os compromissos da recuperação judicial, não há irregularidade em realizar investimentos paralelamente:

— Essa analogia que eu quero fazer com relação a honrar os compromissos que eu tenho dentro da RJ e, ao mesmo tempo, fazer as contratações. Eu não posso fazer a contratação porque eu estou em recuperação judicial? O que eu não poderia era contratar e deixar de pagar.

Pedrinho afirmou que os procedimentos passam pela análise dos órgãos que acompanham a recuperação judicial.

— Nem posso fazer isso porque eu tenho um gatekeeper, eu tenho um watchdog e todos eles estão avalizando e autorizando todo o procedimento.

Pedrinho também criticou a atuação da 777 Partners no processo de recuperação judicial. Segundo ele, o acordo entre o Vasco, o futuro investidor e a empresa americana está bem encaminhado e a solicitação de uma auditoria pela 777 o surpreendeu.

O presidente também citou os diretores exonerados do Vasco. Segundo Pedrinho, os dirigentes atuavam contra a venda no clube e que a burocracia para conseguir o empréstimo aumentou depois que o presidente foi afastado temporariamente pela Justiça.

— E aí o que me assusta e eu peço encarecidamente à juíza que ela olhe com bons olhos tudo o que está acontecendo com relação à instituição, é que foi depois dos personagens que saíram do Vasco. Eu fui tirado da cadeira, a burocracia aumentou para o empréstimo. E esses empréstimos, como eu já falei, eu não tiro da minha cabeça. O acordo entre o investidor, o futuro investidor e a 777 está muito bem construído. E me surpreende muito a 777 carioca ter pedido uma auditoria. Uma empresa falida pediu a auditoria. Quem está por trás da 777? Quem está por trás da 777 - questionou Pedrinho.

— Fui ameaçado de perder os meus bens e, obviamente, se o empréstimo continuar negado, eu vou ficar inadimplente. E a inadimplência, a falta de pagamento para os credores, é uma gestão temerária e automaticamente prejudica o processo legal da recuperação judicial. Com isso, meus bens são bloqueados. E o mais importante do que isso é a instituição, porque essas pessoas que saíram do Vasco não estão pensando na instituição. Elas não querem a venda. Elas não querem a venda - completou o presidente.

No processo de recuperação judicial, Pedrinho colocou os seus bens à disposição. Se a Justiça considerar a gestão temerária, os bens do presidente do Vasco são bloqueados.

— A inadimplência, a falta de pagamento para os credores, é uma gestão temerária e automaticamente prejudica o processo legal da recuperação judicial. Com isso, meus bens são bloqueados.

 

Veja outros trechos da entrevista de Pedrinho

 

 

Tem chance do jogo ser no Maracanã ?

 

— Tem, se não tiver nenhum problema contratual que possa surgir no meio do caminho, a gente tem direito a alguns jogos e a possibilidade existe. E, até pela sensibilidade, como eu já falei, de vestiário, jogadores, comissão técnica, hoje a tendência é que seja mais Maracanã do que São Januário.

 

O Vasco vai recorrer?

 

— Vai recorrer em todas as instâncias com relação a todos os procedimentos. Para ficar muito claro, tudo o que foi acordado dentro da recuperação judicial está sendo cumprido à risca. Inclusive, se não tiver o recurso, todos esses fiscalizadores. Eles são pagos por nós, colocados pela juíza, obviamente, né? O watchdog. Eles são pagos pelo Vasco. Então, eu preciso dos recursos necessários. E não é assim: "Ah, hoje eu quero R$ 150 milhões. Ah, amanhã acordei, quero R$ 40 milhões". Não. Isso está dentro de um cronograma.

Então, vai ser pago. Se eu não estivesse pagando, eu não estaria nem aqui, porque eu estaria correndo atrás dos meus bens que eu teria perdido. Mas não é sobre isso. É sobre a instituição. Estão fazendo mal à instituição, não querem a venda.

O insucesso desportivo, que é responsabilidade minha, é o que eles precisam para criar esse tumulto todo. Então, assim, eu só peço que não precisa pensar em mim, nos meus bens, não, porque virou o pessoal. Eu quero que pense na instituição. Deixem o Vasco em paz. Deixem o Vasco seguir o seu caminho. Só isso. Deixem o Vasco seguir o seu caminho.

 

Felipe e pressão em cima da diretoria

 

Felipe é uma pessoa mais calada e, por isso, de repente, as pessoas ficam: "O que o Felipe faz?" O Felipe é o primeiro a chegar, um dos últimos a sair. O Felipe tem uma avaliação técnica dentro de um processo de avaliação de atletas. Ele sabe qual é o DNA do Vasco, sabe o que o time precisa. É a conversa com o treinador, conversa com o scout, avalia os jogadores, passa para o Admar para o Admar fazer a negociação. Existe todo um processo ali.

E essa rejeição pelo Felipe aconteceu por causa de um atleta que eu já falei, que foi o Capasso. É por um problema com um youtuber, que eu não vou citar o nome, em respeito, em preservar também a pessoa, porque a questão não é pessoal. A questão é sobre o tema.

E, por isso, o Felipe criou uma rejeição. E esqueceram que o Felipe deixou o pai falecido, o irmão falecido no dia, e criaram que o Felipe não faz nada, que o Felipe está ali, ganha dinheiro, que é esquema. É muito fácil isso.

Com relação a mim, especificamente, quando ganho, eu sou o melhor, e quando perco, eu sou o pior. Eu sei que eu não sou o melhor e nem é minha intenção ser o melhor presidente da história.

E também ninguém gosta de ser o pior em nada. Eu também não gosto. Eu também sofro. Primeiro, eu sofro pela instituição, de viver um momento desportivo ruim. Segundo, eu sei de toda a transformação que aconteceu no clube, toda a transformação que aconteceu no clube. E se isso um dia vai ter reconhecimento, não sei.

Não sei. Eu não estou preocupado se as pessoas vão falar: "Porra, isso tudo começou com o Pedrinho lá atrás". Eu não estou preocupado com isso. Eu só quero que as pessoas deixem o Vasco seguir o seu caminho.

Se um dia as pessoas vão reconhecer, "Porra, eu vou ficar feliz", porque todo mundo fica feliz pelo seu trabalho reconhecido. Se não for, também compreendo, porque o torcedor é emoção. O torcedor é paixão. E, como eu falei, nem eu nem nenhum deles tem o direito de reclamar de qualquer coisa com a torcida.

E, com relação a ser criticado, machuca, porque o primeiro que eu sou vascaíno, pô, e eu estou fazendo o meu melhor. E o que me machuca é que o meu melhor, às vezes, não está sendo o suficiente. O que me resta é trabalhar ainda mais, me dedicar ainda mais para tirar o Vasco dessa situação. E é isso que eu vou fazer.

 

Situação do Vasco sem empréstimo?

 

Crítica. Estão comprometidas, estão comprometidas. Um dos objetivos (de quem tenta atrapalhar o Vasco) é esse: comprometer o plano de recuperação judicial, porque causa um caos danado, causa um caos pessoal, como eu já falei, que fui ameaçado, mas, o mais importante de tudo, um caos institucional.

Eu estou preocupado com a instituição. Eu estou preocupado com o Vasco da Gama, que era com isso que eles deveriam estar preocupados, independente de qualquer problema pessoal.

Ele está preocupado com o Vasco. Por isso, eu peço que a juíza olhe, escute bem o que o gatekeeper falou, o que o AJ falou, o que o watchdog falou, com tudo o que está sendo feito e reestruturado dentro da instituição, e que o mais rápido possível a gente possa abrir o processo de venda, porque isso de competitividade acaba com todos os problemas.

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