Conselho do Flamengo aprova proposta de profissionalismo e mudança de poderes no estatuto
Por Globo Esporte Quarta-Feira, 16 de Setembro de 2026
O Conselho Deliberativo do Flamengo aprovou, nesta terça-feira (15), uma proposta de reforma estatutária que institucionaliza o modelo de gestão profissional. Elaborado por uma Comissão Permanente, o texto foi apresentado pelo presidente Bap em junho. Foram 92,39% pela aprovação (643 votos), 47 contrários (6,75%) e seis abstenções (0,86%).
O tema gerava certa divisão entre os conselheiros antes da votação. Entre os apoiadores, acreditava-se que existia a necessidade de mudanças no estatuto, que é de 1992 e se encontra defasado em alguns pontos. Já quem é contrário, acredita que o texto, se aprovado, dará ainda mais poder para Bap e menos transparência aos conselheiros.
O texto estabelece uma separação entre governança, supervisão e execução, concentrando a administração cotidiana do clube em uma diretoria profissional, formada por executivos remunerados e selecionados segundo critérios técnicos. A nova estrutura teria duas principais lideranças: o Diretor-Geral, responsável pela gestão corporativa, e o Diretor de Futebol, que ficaria à frente do futebol profissional e das categorias de base.
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Luiz Eduardo Baptista, o Bap, presidente do Flamengo. — Foto: Thiago Ribeiro/AGIF
Essa reforma também resultará na criação de um Conselho Gestor (COGE), que terá como função supervisionar a atuação da diretoria. Ele será composto pelo presidente e o vice-presidente do Flamengo, um Procurador-Geral, e entre nove e 12 membros de livre nomeação de Bap, para um mandato de três anos. O dirigente teria a prerrogativa de nomear e destituir os membros deste conselho, que precisariam lhe reportar autorização e mudanças.
Este grupo vai avaliar estratégias, metas, indicadores, riscos, estrutura organizacional e gestão de pessoas. A emenda incluiu no texto final sugestões de conselheiros, mas cita em vários itens a necessidade de veto ou aprovação do presidente do Flamengo, sobretudo nos temas relacionados ao departamento de futebol. As vice-presidências específicas vão ser extintas.
Com a aprovação, o orçamento anual vai passar a ser elaborado em conjunto com um planejamento para os próximos três anos, além de uma projeção para cinco anos e de indicadores para acompanhar o desempenho do clube. Também há mudanças nas regras sobre nepotismo e sobre a entrada, na estrutura profissional, de associados que já tenham ocupado cargos eletivos no clube.
Vale ressaltar que essa reforma não prevê a transformação do Flamengo em Sociedade Anônima do Futebol (SAF). A mudança mantém o clube como uma associação civil.