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Análise: esse não é o pior vexame em 2023 do Corinthians

Por Globo Esporte   Quinta-Feira, 8 de Junho de 2023

Com 70 minutos do penúltimo jogo da fase de grupos da Conmebol Libertadores, o Corinthians jogou a toalha. O placar marcava 3 a 0 para o Independiente del Valle quando Vanderlei Luxemburgo tirou Renato Augusto e Róger Guedes, os dois principais jogadores da equipe.

O recado era claro: a eliminação estava sacramentada e a prioridade a partir dali passava a ser fugir da zona de rebaixamento do Brasileiro.

Organizado dentro e fora de campo, o Independiente del Valle atropelou o Corinthians. Fez três, criou chances para mais e tirou o pé do acelerador na etapa final.

A diferença de organização tática entre os equatorianos e os brasileiros já tinha sido notada no jogo de Itaquera, em que o Timão perdeu por 2 a 1, mas ficou ainda mais gritante na partida em Quito. Foi constrangedor, mas longe de ser o maior vexame do Corinthians na temporada.

O clube acumula fracassos e decepções em 2023. Caiu nas quartas de final do Paulistão para o Ituano, penou para passar pelo Remo na Copa do Brasil e está um ponto acima da zona de rebaixamento do Brasileirão. Porém, as grandes vergonhas no ano vem de fora, não de dentro do campo.

Vexame é ter quatro treinadores no intervalo de duas semanas. É dar duas pré-temporadas para um técnico e, por falta de convicção, demiti-lo em um momento em que o substituto não tem tempo algum para treinar. É possuir um dos maiores faturamentos do futebol brasileiro e atrasar direitos de imagem e FGTS dos jogadores.

Róger Guedes, atacante do Corinthians, cabisbaixo em derrota para o Del Valle — Foto: Franklin Jacome/Agencia Press South/Getty Images

Róger Guedes, atacante do Corinthians, cabisbaixo em derrota para o Del Valle — Foto: Franklin Jacome/Agencia Press South/Getty Images

Corinthians contratou apenas três jogadores na primeira janela de transferências. Dois deles, Romero e Chrystian Barletta, nem sequer ficaram no banco de reservas contra o Del Valle por opção de Luxemburgo.

Por muito tempo, a diretoria do clube disse que não havia urgência para reforçar o elenco e que aguardaria a segunda janela de transferências para isso. Quando o mercado reabrir, em julho, o Timão já estará fora da Libertadores, talvez até da Sul-Americana, e mais de um terço do Brasileirão terá sido disputado.

Após 11 jogos e 37 dias de trabalho, Vanderlei Luxemburgo não consegue dar regularidade à equipe. É possível questionar alguns métodos do bombeiro para lidar com o fogo, mas todo mundo sabe que não foi ele o responsável pelo incêndio.

Diante do Del Valle, a estratégia foi marcar "baixo", no campo de defesa, mas mesmo assim o Corinthians foi envolvido com facilidade e cedeu muitos espaços. O principal problema se deu no setor esquerdo da defesa, onde os equatorianos conseguiam criar vantagem numérica de jogadores e infiltravam na área entre Murillo e Matheus Bidu. Foi por ali que Hoyos marcou os dois primeiros gols.

Luxemburgo tentou corrigir o problema com a entrada de Roni no intervalo, acabando com a linha de cinco defensores e montando um 4-4-2. Nessa formação, porém, os dois meio-campistas abertos do Timão passaram a ser Renato Augusto e Maycon, jogadores que oferecem pouca velocidade.

Renato Augusto em ação na partida entre Corinthians x Del Valle — Foto: Franklin Jacome/Agencia Press South/Getty Images

Renato Augusto em ação na partida entre Corinthians x Del Valle — Foto: Franklin Jacome/Agencia Press South/Getty Images

Enquanto o Del Valle impressionava pela mobilidade de seus atletas e a capacidade de variação tática - Ortíz, por exemplo, foi meia no primeiro tempo e líbero na etapa final - o Corinthians era um time estático, pouco combativo e sem criatividade alguma.

Sem ideias ofensivas, a equipe se limitava a entregar a bola para Róger Guedes e esperar que ele arrumasse algo. Responsável por metade dos gols do Timão em 2023, o camisa 10 não conseguiu resolver sozinho dessa vez.

 

Estatísticas da partida - Del Valle x Corinthians

  • Posse de bola: 55% x 45%
  • Finalizações: 16 x 3
  • Finalizações no alvo: 6 x 1
  • Passes completos: 538 x 404
  • Passes incompletos: 58 x 70
  • Desarmes: 11 x 10
  • Faltas cometidas: 5 x 8
  • Escanteios: 4 x 3

Corinthians paga o preço dos muitos erros de gestão ao longo dos últimos anos. Um dos custos é voltar a cair na fase de grupos da Libertadores depois de 46 anos.

E essa conta ainda pode ficar mais cara...

 

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