Bruno Henrique diz que julgamento serviu de lição: "Me fez fortalecer ainda mais"
Por Globo Esporte Domingo, 1 de Fevereiro de 2026
Bruno Henrique passou sete dos 35 anos de vida no Flamengo. Jogador mais vencedor da história do clube, ao lado de Arrascaeta, o atacante proporcionou inúmeras alegrias aos rubro-negros, com gols em jogos decisivos. É "iluminado", como ele mesmo se definiu. Neste domingo, contra o Corinthians, BH vai buscar sua quarta taça da Supercopa do Brasil.
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Ao lado de Arrascaeta, Bruno Henrique é o jogador mais vencedor da história do Flamengo — Foto: Pedro Vilela/Getty Images
No ano passado, ele fez dois gols no título sobre o Botafogo. Também marcou na decisão de 2020, em cima do Athletico-PR. Em 2022, foi titular na conquista frente ao Palmeiras. O Flamengo conta com o ídolo na primeira oportunidade de ser campeão na temporada 2026.
— O principal no futebol é ganhar títulos. Considero a Supercopa um torneio muito importante, já ganhei três vezes, ficarei muito feliz se vencermos, é como se fosse o primeiro título. Importante para começarmos 2026 com o pé direito — destacou o atacante em entrevista exclusiva ao ge.
— Tenho muitos gols em jogos decisivos, e a palavra que posso dizer é iluminado. Não escolho jogo para fazer gol, quero fazer gol em todos os jogos. Mas fico feliz de cada vez mais colocar meu nome na história do clube. Que eu possa ajudar em muitos jogos — completou ele.
Bruno Henrique diz que julgamento serviu de lição: "Me fez fortalecer ainda mais"
O camisa 27 chegou ao Flamengo no dia 23 de janeiro de 2019. De lá para cá, foram muitos os momentos de glória, entre eles os tricampeonatos do Brasileiro e da Libertadores, mas também enfrentou passagens difíceis. Como a lesão multiligamentar no joelho direito em 2022, que o tirou de combate por dez meses, e mais recentemente, no ano passado, o julgamento após acusação por envolvimento em esquema de apostas esportivas — ele foi absolvido. Situações que fizeram Bruno Henrique buscar e valorizar o acompanhamento psicológico:
— O mais importante é estar focado no que tenho que fazer. Do portão do Ninho para dentro eu mantive meu foco. O que surgiu extracampo, eu me preocupava em não estar pensando nisso, minha família foi muito importante. Serve de lição para tudo o que eu vivi na minha vida, desde que saí do bairro onde eu morava em Belo Horizonte. Isso me fez fortalecer mais ainda, é um ano novo e que eu possa voltar a fazer o que eu sei e dar alegria à nação rubro-negra — disse o jogador sobre o julgamento no STJD.
BH valoriza acompanhamento psicológico: "Pressão faz parte da vida de todo mundo"
— O clube tem um profissional, o Paulo Ribeiro (psicólogo), um cara com quem eu tenho uma identificação muito grande. E, além disso, eu também tenho acompanhamento por fora. Isso é muito importante, porque em determinados momentos você não consegue lidar com algumas pressões da vida, e isso é normal, faz parte da vida de todo mundo. Todo mundo passa por isso. Então, ter esse trabalho no clube e também fora ajuda bastante. O Arrascaeta já falou isso também, que ele faz esse trabalho, e vários outros jogadores também fazem. Eu acho muito importante e válido esse trabalho que o clube tem aqui — continuou ele.

Bruno Henrique, sobre encerrar carreira no Flamengo: "Vou morar no Rio"
Com a saúde mental em dia, Bruno Henrique arranjou espaço na prateleira para mais dois troféus pesados na reta final de 2025, o do Brasileirão e o da Libertadores. E se prepara para o que vem pela frente. Com contrato com o Flamengo até o fim de 2026, o jogador ainda não sabe se o fim da carreira será no clube rubro-negro, mas não tem dúvidas de que a vida pós-aposentadoria será na cidade que o acolheu tão bem nos últimos sete anos.
— Mais do que conquistas, a identificação que tenho com a Nação e com o Flamengo é marcante. Me faz refletir muitas coisas. Desde que cheguei e recebi o carinho do torcedor no aeroporto me deu uma sensação muito boa. Vivi muitas glórias e títulos e sou muito grato — afirmou o camisa 27, que acrescentou:
— O que posso dizer é que meu futuro é no Rio, vou morar no Rio de Janeiro, não tenho dúvidas. Uma vida todo aqui, meus filhos adaptados, flamenguistas. Isso é o que eu posso falar (risos).
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Bruno Henrique interage com crianças durante entrevista no CT do Flamengo — Foto: Emanuelle Ribeiro
"Bruno Henrique! Bruno Henrique!". O atacante precisou interromper uma resposta ao passo que um grupo de crianças da base rubro-negra, da faixa etária de 5 anos, reconheceu o atleta em um dos pontos do Ninho do Urubu. Apesar de frequentarem o centro de treinamentos, não é sempre que os pequenos têm a sorte de esbarrar com um ídolo. O olhar fixo, de deslumbramento, dos garotos traduziram por alguns segundos o tamanho de Bruno Henrique na história do Flamengo. Atenciosamente, ele atendeu a todos antes de seguir com a entrevista. A pausa não foi tão curta e até permitiu à equipe de reportagem contar e enumerar todos os títulos do atacante pelo clube:
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Bruno Henrique foi o destaque do Flamengo na Supercopa de 2025 — Foto: Gilvan de Souza / CRF
A conversa seguiu para o universo online. Além dos títulos e dos gols e atuações memoráveis, Bruno Henrique também faz a torcida sorrir com suas declarações autênticas e seu carisma. A palavra "patamar" mudou de patamar depois que ele a proferiu em 2019, após um clássico contra o Vasco. É impossível não remetê-la ao clube e ao jogador. Produtor de "memes" em massa, o atacante é um dos principais personagens rubro-negros na internet. Algo que ele aprendeu a lidar e trata com leveza.
— Patamar é uma palavra normal. Às vezes a gente não usa muito, mas cresceu quando eu falei. Não tinha a dimensão que tomaria essa proporção, mas sempre que falo me lembro do jogo. Antes eu ficava meio assim, “Caraca, que repercussão para uma palavra que eu falei”. Eu não tinha a dimensão de que isso poderia tomar essa proporção por causa de uma palavra. Hoje eu consigo lidar super bem com isso — destacou BH.
— Teve uma que eu falei que foi “esforça-te”, e é uma palavra bíblica, isso está lá na Bíblia. Foi meu avô que me deu essa palavra em um jogo da Libertadores. Ele sempre me manda mensagem com uma palavra bíblica, e essa palavra ele colocou para esse jogo que era muito importante. E ele falou: “Esforça-te, tenha bom ânimo”. Meu avô me manda essas palavras. Para mim hoje é muito tranquilo em relação a isso — completou o atacante do Flamengo.
Bruno Henrique comenta memes de torcedores: "Uma palavra minha ganha muita repercussão"
Com bom ânimo, esforço e em outro patamar, Bruno Henrique e Flamengo disputam o primeiro título da temporada 2026 neste domingo, às 16h, contra o Corinthians, no Estádio Mané Garrincha. A Supercopa do Brasil terá transmissão da Globo.
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Bruno Henrique, ídolo do Flamengo, em entrevista ao ge — Foto: Emanuelle Ribeiro
Quando caiu a ficha que você estava entrando para a galeria de ídolos do Flamengo?
— Quando conquistamos os primeiros títulos em 2019. Isso já foi criando uma identidade e mostrando que eu poderia ser muito feliz aqui. Esses primeiros títulos me fizeram muito presente desde o início. Depois, vieram mais títulos, a identificação cresceu e minha gratidão será eterna.

Flamengo é campeão da supercopa com Bruno Henrique sendo o destaque
Longevidade no Flamengo e reconhecimento dos jogadores que chegaram nos últimos anos
— O Flamengo é como se fosse um time europeu, a gente recebe todo mundo muito bem, os jogadores que vêm de fora e os que chegam daqui, da base, para que todas possam desempenhar o melhor futebol. Quando cheguei aqui, recebi o carinho de todos os jogadores, de quem passou pela Europa, Diego Ribas, Diego Alves, Filipe Luís... Isso facilita para quem está chegando.
Momento preferido
— São vários momentos, não tenho um específico. Em cada temporada eu vivi uma emoção diferente. A sensação de ganhar é muito prazerosa. Ganhei mais uma Libertadores recentemente, e a sensação é muito boa. São vários momentos.
Pior momento
— O da lesão, quando machuquei o joelho. Momento de sofrimento e muita luta. Processo lento e muito doloroso, tem que estar muito disposto a querer voltar a jogar, a performar de novo. A medicina hoje oferece um patamar diferente, mas requer muita resistência e força mental para passar por esse momento.
— O mental é o primordial. Você estar mentalmente forte ajuda a fazer aquilo que você está determinado a fazer. Sou um cara dedicado, me cuido bastante, treino em casa, faço minhas sessões de fisioterapia e academia. Futebol hoje é isso, os jogadores todos estão se cuidando dentro e fora do clube. Isso ajuda bastante ao longo da temporada.
Em 2019, você fez três gols em um jogo contra o Corinthians pelo Brasileirão...
— Esses gols ficam na lembrança, mas é diferente agora, depois de muitos anos. Final é diferente, se ganha nos detalhes. A primeira decisão na ano, que a gente possa vencer e começar o ano bem. Ano passado fiz gol na final contra o Botafogo, boa lembrança, gol, título… Que a gente possa começar igual em 2026.
Transição do Filipe Luís jogador para treinador
— Ele é um cara muito dedicado, que cobra bastante. Como jogador, já era um líder e já cobrava muito. E agora, como treinador, é claro que a cobrança é maior, a responsabilidade em cima dele também é maior. Dentro do clube, ele tem um tratamento bom com todos, porque ele é um cara que trata todos os jogadores bem, um cara muito gentil. E eu fui companheiro dele dentro de campo. Não tem como não ser só como um treinador, vai além disso. É um cara que eu respeito muito, ele e a família dele. A gente se dá super bem. A gente se via mais quando jogava do que agora (risos), porque ele é um cara que separou a vida de treinador e de jogador. Esse carinho, independentemente de qualquer coisa, vai ser sempre recíproco. E eu vou levar para o resto da minha vida, assim como ele também sempre me diz isso, que vai levar para o resto da vida dele tudo o que vivemos.
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Filipe Luís abraça Bruno Henrique após título da Libertadores 2025 — Foto: Rodrigo Valle/Getty Images
Depois de estreia com derrota no Brasileiro, título pode ser sinal de dias tranquilos no Flamengo
— O principal no futebol é ganhar títulos. Considero a Supercopa um torneio muito importante, já ganhei três vezes, ficarei muito feliz se vencermos, é como se fosse o primeiro título. Importante para começarmos 2026 com o pé direito.
Como manter a motivação depois de tantos anos e conquistas?
— A maior motivação do futebol é ganhar títulos e ficar cada vez mais marcado na história do clube. E durante esses anos todos vão chegando jogadores que também querem conquistar, marcar seu nome na história do clube, e isso nos motiva mais ainda, porque nós somos os jogadores que têm mais títulos no elenco e isso é uma responsabilidade para nós, para mim e o Arrascaeta. E isso faz com que os outros jogadores também se motivem para poder conquistar títulos. É um prazer para a gente estar cada vez mais na história do clube e ganhando títulos.
Das quatro Libertadores que o Flamengo tem, três foram com você... Tem espaço lá na sua galera para mais troféus?
— Espaço sempre vai ter, a gente dá um jeito (risos). E ganhar a terceira Libertadores… Quando apitou ali o final do jogo foi uma emoção muito grande por estar ganhando três Libertadores. Isso é muito difícil. Arrascaeta e eu conseguimos fazer esse feito em um clube do tamanho do Flamengo, é uma honra.
Mundial é o título que falta para esta geração. Sente que está perto de acontecer?
— Em 2019, acredito eu também que a gente esteve perto, a gente tomou o gol na prorrogação e não ganhamos o título. Em 2022, a gente não passou na primeira fase e agora em 2025, perdemos nos pênaltis, é claro que fica aquela sensação que poderia ter feito melhor para poder vencer. Mas trata-se do PSG, um dos melhores clubes do mundo e batemos na trave. Eu acredito que o Flamengo está perto de ganhar um título como o Mundial, porque em três disputas, em duas chegamos na prorrogação, uma foi parar nos pênaltis, então acredito eu que o Flamengo está perto de poder conquistar esse título.