Análise: Queda do Flamengo tem repetição de erros e derruba tese de que time escolhe jogar as Copas
Por O Globo Sexta-Feira, 11 de Agosto de 2023
A eliminação do Flamengo na Libertadores para o Olimpia-PAR serve para derrubar um mito que vinha ganhando força nas últimas semanas: o de que a equipe rubro-negra escolhia as competições em que seria, de fato, competitiva. A tese foi implodida de vez pela atuação na derrota por 3 a 1 em Assunção. Um tropeço decorrente de uma queda vertiginosa de rendimento que já havia custado a briga pelo título brasileiro e que, nesta quinta, atingiu seu auge.
Salvo uma reviravolta pouco provável na história do Brasileirão (e que não depende apenas de uma melhora rubro-negra), o Flamengo, agora, só tem a Copa do Brasil ao seu alcance. Mas é bom lembrar que a vaga para a decisão, embora bem encaminhada, ainda não está concretizada, já que falta o segundo jogo da semifinal contra o Grêmio, quarta que vem, no Maracanã. Muito pouco para o clube com o maior orçamento do país — e que, com exceção do do Palmeiras, sobra muito em relação ao dos demais.
A sequência do Flamengo no último mês dá o tom do que é o momento do time. Em nove jogos, venceu apenas quatro (Athletico, Grêmio, Atlético-MG e o jogo de ida com o Olimpia). As frustrações foram maiores: três empates (Palmeiras, Fluminense e América-MG) e duas derrotas, justamente nos dois últimos compromissos (Cuiabá e Olimpia).
O que se viu no jogo em Assunção foi uma síntese de todos os problemas que já vinham aparecendo nesta sequência, independentemente das escalações escolhidas. O principal deles, a falta de intensidade. Foram raros os momentos em que o time conseguiu acelerar seu jogo. Quando isso ocorreu, foi com Bruno Henrique, pela esquerda; ou com Wesley, na direita. Mas a tendência foi a de uma equipe que tocava com lentidão e que não avançava. Apenas fazia a bola circular. Isso, apesar do Olimpia não ter se fechado tanto como no primeiro duelo e ter oferecido espaços.
Complicou ainda mais a situação do Flamengo na partida o fato de o time só ter utilizado o lado esquerdo para atacar, o que ocorreu graças aos avanços de Bruno Henrique. Não por acaso, o único gol do time veio a partir de uma falta sofrida por ele ali. Arrascaeta levantou na área, e o camisa 27 desviou com a ponta da chuteira para abrir o placar, aos 8.
Na direita, a produção foi nula. Gabigol, mais uma vez, até tentou aparecer por lá. Mas não acrescentou nada — da mesma forma como não vem produzindo nos últimos jogos.
— É ruim falar quando perde, parece que está chorando. Mas o juiz inverteu faltas, expulsou nossos treinadores (Sampaoli e um dos auxiliares). A Conmebol é aqui do lado (no Paraguai), são muitas coisas que acontecem na Libertadores e vocês (da imprensa) sabem — disse Gabigol, numa tentativa de tirar o foco do fracasso do futebol rubro-negro.
Os números da partida mostram que o problema foi o Flamengo. Foram 14 finalizações dos paraguaios contra apenas quatro da equipe de Jorge Sampaoli.
Para completar, o sistema defensivo foi uma tragédia total. Principalmente por causa de Filipe Luís. Péssimo no primeiro tempo, ele deu espaço para González cruzar na medida para Torres aparecer entre Wesley e Fabrício Bruno e empatar de cabeça.
Sampaoli tentou ajustar o posicionamento defensivo do time na etapa final sem promover mudanças. Acabou pagando caro. A intensidade despencou ainda mais, e o time se viu preso num estágio de letargia. Quando o Olimpia acelerou e pressionou mais, passou a levar perigo. Principalmente na bola aérea.
Embora este fosse um conhecido ponto forte dos paraguaios, o Flamengo não soube se proteger dele. Aos 23, Ortiz nem precisou sair direito do chão para cabecear e acertar o canto de Matheus Cunha, que pulou atrasado na bola. Já aos 34, foi a vez de Bruera levar a melhor pelo alto e definir o placar. Ambos em cobranças de escanteio.
Só a partir daí é que o time acordou e acelerou. Até chegou a marcar nos acréscimos, mas Gabigol estava impedido no lance. A verdade é que a reação foi tardia. Um gol milagroso àquela altura seria muito para um time que não o merecia. Resta ao Flamengo agora buscar a reação para salvar o restante da temporada de um fracasso que ainda pode ser pior.
—Temos que vencer. O Flamengo é movido a isso, a vitórias. Mas também em momentos difíceis temos que nos unir mais do que nunca. Claro que queríamos estar na final, jogar o próximo Fla-Flu (nas quartas). Mas agora estamos perto da final da Copa do Brasil e vamos em busca do título brasileiro — concluiu Gabigol.