Carregando...
Por favor, digite algo para pesquisar.

Como Sampaoli deve escalar o Flamengo? GE analisa

Por Globo Esporte   Terça-Feira, 18 de Abril de 2023

A chegada de Jorge Sampaoli ao Flamengo gera expectativa no torcedor rubro-negro. Apesar da vitória na estreia do Brasileiro, a equipe vem de uma temporada instável, ainda sem títulos, e precisa reverter a desvantagem na Copa do Brasil e vencer na Libertadores após derrota para o Aucas. Por isso, o treinador precisará mostrar trabalho imediato. Mas como isso será feito? Os nossos comentaristas opinam sobre como o argentino comandará o time.

O principal para a torcida do Flamengo é saber que o time vai voltar a ter construção com posse de bola - e não querer explorar espaço vazio, como foi na gestão do Vitor Pereira. Os times do Sampaoli costumam ter como base os esquemas 4-3-3 ou 4-2-3-1, usando também jogadores de velocidade pelos lados, carência do elenco do Flamengo - disse o comentarista Marcelo Raed, que ainda comparou:

- Diria que o Flamengo vai ter um padrão de jogo muito parecido com o que foi o Brasil do Tite para a última Copa: posse de bola, dois zagueiros construtores, laterais pelo meio auxiliando o volante, e 5 jogadores de ataque na última linha - concluiu Raed.

Conhecido pelo caráter de jogo ofensivo, Sampaoli terá um desafio inicial que é ajustar a defesa do Flamengo. Em 2023, o time tem uma média superior de um gol sofrido por jogo: são 21 jogos e 22 bolas na rede. O antecessor Vítor Pereira implementou o esquema com três zagueiros - algo que já foi utilizado pelo argentino em outros trabalhos.

- Ayrton Lucas deve ter mais liberdade para apoiar e se juntando ao ponta esquerda para interações. Por isso, imagino Cebolinha como titular do time, o ponta que traz para dentro e oferece corredor para o lateral agudo. Bruno Henrique também pode fazer, mas o Everton larga na frente pela questão física - opinou o comentarista Henrique Fernandes.

 

Papel de Gerson e a construção ofensiva

Uma das principais dúvidas é Gerson. Os dois trabalharam juntos no Olympique de Marseille.

Vejo utilizando o Gerson como um segundo homem de meio, muito mais para poder acomodar os demais jogadores do grupo. No Olympique de 21/22 ele fazia muito esse papel, mas partia de um posicionamento mais a esquerda. Acho que para ter Arrascaeta acomodado ali ao lado, ele vai partir da direita pra dentro - detalhou Henrique.

Além do papel do camisa 20 do Flamengo, Marcelo Raed apontou também a necessidade de um encaixe no ataque, que deve ir se alterando conforme o tempo de trabalho:

- Em um primeiro momento, tentando pensar com os trabalhos apresentados pelo Sampaoli, diria que Arrascaeta e Pedro tendem a disputar uma vaga no time. E Bruno Henrique e Cebolinha disputarão o lado esquerdo do ataque. No Olympique ele usou bastante o Payet, seu principal meia, como um 9, abrindo os atacantes pelas pontas. Podemos pensar na utilização do Arrascaeta nessa função, deixando o Gabigol pela direita. O problema é que o Pedro não tem a característica de fazer o lado do campo.

gabigol, gerson, flamengo — Foto: Thiago Ribeiro/AGIF

gabigol, gerson, flamengo — Foto: Thiago Ribeiro/AGIF

Nesse mesmo aspecto ofensivo, Henrique Fernandes analisa de outra forma:

- Na frente, ele vai tentar ajustar Gabigol e Pedro. Como é time de posse e volume e de pressão pós-perda ajustada, não vejo um problema grande para Gabigol cobrir o lado direito. Ele mesmo vai perceber que vai precisar baixar metros no campo poucas vezes e apenas em alguns jogos. Pedro vai como centroavante com certeza. Apesar de Sampaoli ter o histórico de centroavantes com mais mobilidade, a fase técnica dele falará mais alto e ele deve ser mantido no time.

 

Reforços e gestão do elenco

 

Outro tópico relacionado a Sampaoli é sempre a gestão do elenco e a pedida por reforços. Sobre isso, Henrique Fernandes analisa e faz comparativos com base na trajetória recente do treinador no comando do Atlético-MG.

Matheus França deve ter uma minutagem interessante, entrando como 3º de meio ou pelas pontas. Outros dois que podem ganhar mais minutagem são Marinho Vidal, até pela experiência anterior que tiveram juntos. Vidal concorre direto com Gerson na função por dentro. Marinho é opção para a ponta direita na ausência de Gabigol, mas talvez esteja atrás até de Matheus França nessa disputa - disse Henrique, que ainda completou:

- Sampaoli não abre mão de um goleiro com facilidade em gerar linhas de passe. Por isso, tenho alguma dúvida em relação ao Santos. No Atlético-MG, a primeira grande briga que comprou foi bancando a contratação de Éverson mesmo o clube tendo trazido um goleiro, o Rafael. Eu não duvido ele insistir para trazer um cara da confiança dele nessa janela do meio do ano - concluiu o comentarista.

Matheus França comemora gol em Aucas x Flamengo — Foto: Marcelo Cortes/Flamengo

Matheus França comemora gol em Aucas x Flamengo — Foto: Marcelo Cortes/Flamengo

 

Plantel montado para outro treinador e falsas promessas: Como foi a passagem no Sevilla?

 

Antes de assumir o Flamengo, o último clube de Jorge Sampaoli foi o Sevilla, da Espanha. O ge conversou com Fernando Ruiz, jornalista espanhol do Estadio Deportivo, de Sevilha:

- A verdade é que Sampaoli ficou um pouco de mãos atadas no Sevilla. Quero dizer que ele tinha um elenco feito para outro treinador [Lopetegui]. Não tinha a melhor equipe, nem os jogadores para seu estilo de jogo. Após a Copa do Mundo, teve uma boa série de resultados, mas fez coisas muito estranhas nas escalações e acabou perdendo o crédito no vestiário - iniciou Fernando explicando de forma geral o desempenho do treinador.

Sampaoli iniciou sua segunda passagem pelo Sevilla em outubro de 2022. Antes disso, já havia treinado o clube entre 2016 e 2017. Desta vez, Jorge sucedeu os mais de três anos de trabalho do espanhol Julen Lopetegui e, com isso, o argentino teve que trabalhar com todo elenco estruturado por outro treinador - algo que também acontecerá no Flamengo.

Jorge Sampaoli, técnico do Sevilla, reclama da Copa ser realizada no meio da temporada europeia — Foto: REUTERS

Jorge Sampaoli, técnico do Sevilla, reclama da Copa ser realizada no meio da temporada europeia — Foto: REUTERS

Improvisações que custaram caro

 

Depois de bons resultados após a Copa do Mundo, com uma sequência de 5 vitórias, um empate e apenas uma derrota nos sete jogos seguintes ao Mundial, a situação foi mudando para o treinador. Diante de muitas improvisações, os jogadores começaram a demonstrar insatisfação, acusando-o inclusive de confundir o time com as muitas mudanças.

Um desses exemplos foi a manutenção do esquema com três zagueiros, mesmo nem sempre tendo jogadores suficientes. Houve caso de improvisação na posição como Gudelj, que é meio-campista, e Alex Telles, um lateral, como defesas pelo centro.

 

Ele foi criticado pela falta de adaptação aos jogadores que tinha e pela imobilidade do seu sistema de três centrais quando tinha poucos zagueiros. Ele também usou o Rafa Mir, centroavante, na ponta esquerda por um tempo, posição que ele nunca havia ocupado antes - falou Fernando.

 

O ápice envolveu Acuña. Enquanto o meia Óliver Torres lia as orientações passadas pelo treinador, o jogador argentino pegou o papel, amassou e jogou no chão. A cena aconteceu após o time levar o terceiro gol na derrota para o Osasuna, por 3 a 2, em partida válida pelo Campeonato Espanhol.

Acuna, Sevilla x Atletico Madrid — Foto: REUTERS/Marcelo Del Pozo

Acuna, Sevilla x Atletico Madrid — Foto: REUTERS/Marcelo Del Pozo

- Foi a primeira prova de que algo não estava indo bem vestiário. O próprio jogador disse que não tinha as ferramentas e, às vezes, não entendia o que o Sampaoli estava pedindo. No jogo contra o Getafe, o Bono falou isso também, que jogaram com muitos improvisos. Boa parte do vestiário não acreditava na sua ideia e essa foi a chave para a sua demissão - explicou o jornalista.

Apesar da demissão, em Sevilha, Sampaoli não é considerado um dos responsáveis pela temporada abaixo. O clube ocupa apenas a 12° colocação no Campeonato Espanhol, foi eliminado nas quartas de final da Copa do Rei e ficou em 3° lugar no grupo da Liga dos Campeões [Sampaoli assumiu na metade da fase de grupos] e conseguiu herdar a vaga na Liga Europa.

- Em grande parte, ele concordou para voltar ao Sevilla, porque o clube prometeu a ele que no mercado de transferências eles trariam muitos jogadores para seu estilo, mas no final apenas quatro contratações chegaram. Apesar de tudo, aqui em Sevilha, ele não é considerado o único culpado. A temporada do Sevilha está sendo ruim porque houve um mau planejamento por parte da direção esportiva - concluiu.

« Voltar

Veja também...

CONVOCADOS

Da Paraíba para a Copa: conheça Matheus Cunha e Douglas Santos, convocados da Seleção

Publicado em Segunda-Feira, 18 de Maio de 2026
Da Paraíba para a Copa: conheça Matheus Cunha e Douglas Santos, convocados da Seleção

TV 40 Graus

Click 40 Graus

LÍGIA MARTINS

Ligia Martins: Ela vai seduzir você...

Publicado em Sábado, 16 de Maio de 2026
Ligia Martins: Ela vai seduzir você...