Análise: Flamengo peca na eficiência, mas vence o Botafogo com sobras
Por Globo Esporte Segunda-Feira, 31 de Agosto de 2026
O placar da vitória por 3 a 0 do Flamengo sobre o Botafogo traduz o que foi a partida no primeiro tempo e na reta final do segundo, mas esconde um problema que perdura no time de Leonardo Jardim. Independentemente disso, o time rubro-negro buscou o importante resultado no Maracanã em uma semana que será decisiva para as pretensões no Campeonato Brasileiro.
A notícia mais positiva, como tem sido repetitivo dizer, foi Samuel Lino. Melhor jogador da Era Jardim, o atacante foi um dos poucos que não desmoronaram de rendimento no segundo tempo do clássico e decidiu o confronto com dois gols.
Ele também participou do golaço de Carrascal que deu números finais ao clássico. Durante o confronto, apareceu em todos os setores do ataque para criar jogo, dar opção, alargar o campo e infiltrar. A tomada de decisão, defeito do atacante em 2025, melhorou consideravelmente.
Na outra ponta, a disputa está mais aberta do que nunca. Luiz Araújo foi o escolhido para ser titular na vaga de Plata, vendido ao Dínamo Moscou, mas destoou mesmo em um primeiro tempo com ótima atuação coletiva. Substituído, teve primeiro Paquetá caindo pelos lados e depois Carrascal.
A comissão técnica irá aproveitar a semana com três jogos para fazer testes e dar minutos às alternativas no setor, especialmente visando a Libertadores. Nesta semana, o clube deve anunciar a contratação de Anthony Valencia, que já está no Rio de Janeiro.
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Jogadores do Flamengo comemoram gol contra o Botafogo — Foto: Gilvan de Souza/Flamengo
Problemas antigos
O Flamengo foi soberano no primeiro tempo. Apesar do susto logo de início no contra-ataque do Botafogo que gerou o gol anulado de Arthur Cabral, o time se recuperou rapidamente ao abrir o placar com Samuel Lino. A partir daí, foi envolvente, ditou o tom da partida e correu poucos riscos até o intervalo.
O meio-campo consistente com Pulgar e Jorginho não impediu totalmente as chegadas do adversário, que avançava pouco. Danilo e Montoro tentavam achar as escapadas, mas estavam bem marcados e não conseguiam progredir. Na área, Arthur Cabral deu trabalho a Léo Pereira e Léo Ortiz, que perderam algumas disputas.
Os dois maiores problemas, entretanto, são filmes repetidos. Primeiro, o Flamengo empilhou chances, mas pecou na tomada de decisão e não soube aproveitá-las. O excesso de preciosismo, especialmente com Pedro, fez a equipe desperdiçar chegadas promissoras. Arrascaeta tampouco viveu tarde inspirada. Por isso, o time saiu para o intervalo com vantagem mínima, apesar da grande superioridade.
Em segundo lugar, a equipe não manteve o ritmo, retornou do intervalo desatenta e viu o Botafogo crescer. Errando muito, levou pressão e sentiu o clássico ficar perigoso. Sem segurar a bola e com pouquíssima profundidade, o time de Jardim passou a errar muito. A sensação em certo momento era de que a bola queimava nos pés dos jogadores, que prejudicavam o andamento dos lances. Do outro lado, o rival ganhava confiança. Por isso, o treinador português acionou o banco de reservas.
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Samuel Lino comemora segundo gol em Flamengo x Botafogo — Foto: André Durão
Paquetá entrou aos 11 minutos do segundo tempo na vaga de Luiz Araújo, mas a mudança demorou a surtir efeito. Carrascal, acionado aos 29, foi quem fez a chave virar. Nos últimos minutos, o Flamengo voltou a dominar o rival. Em boas tramas no ataque, Lino fez o segundo por cobertura aos 40 minutos, e o colombiano fechou a conta com um golaço de jogada coletiva iniciada por ele mesmo em roubada de bola.
Com o empate do Palmeiras diante do Mirassol, o Flamengo tem uma oportunidade de ouro no Brasileirão nesta semana. Quatro pontos separam as duas equipes. Na quarta-feira, o time carioca enfrenta o Mirassol em jogo atrasado no Maracanã. Depois, no domingo, encara o Remo fora de casa podendo assumir a liderança a depender do resultado do rival paulista contra o Botafogo, no Nilton Santos, no último duelo antes das quartas de final da Libertadores.