Jardim cita falta de maturidade em derrota do Flamengo: 'Perdas de bolas até infantis'
Por Globo Esporte Domingo, 23 de Agosto de 2026
O Flamengo perdeu para o Cruzeiro por 2 a 1, no Mineirão, neste sábado, e desperdiçou a oportunidade de assumir a liderança do Brasileirão. Em entrevista coletiva, o técnico Leonardo Jardim analisou a partida e disse que faltou maturidade no segundo tempo para manter a vantagem no placar construída antes do intervalo. O português apontou falta de concentração e citou algumas bolas perdidas de forma infantil.
— Essa foi a história do jogo, entramos bem, criamos as situações e poderíamos ter feito outro gol. Não conseguimos ter a bola na segunda etapa, cansaço é normal, permitimos ao adversário crescer ao jogar em casa. Sofremos o gol do empate em um lance similar da Libertadores. O jogo foi dando contra-ataque ao adversário, demos a transição e não tivemos maturidade de segurar a bola. Nós temos a bola a nosso favor no lance do gol e perdemos. Parabéns ao Cruzeiro pela vitória, mas que isso sirva de exemplo para nós, que não podemos entrar tão bem no jogo, ser tão dominante e deixar o adversário agir - disse o técnico, que completou:
— Com certeza, quando se ganha a vantagem, é sempre importante reter a vantagem. Os adversários reagem. Prefiro estar ganhando para gerir o jogo do que começar perdendo. Os pontos são iguais. Se perdermos com o adversário sendo melhor na primeira parte e nós, na segunda, a derrota é a mesma. Importante é quando termos a bola, com mais cansaço, gerirmos o jogo com experiência e não dar o que o adversário pretende, o contra-ataque, não perder a bola com facilidade. Hoje não conseguimos gerir, com perdas de bola até infantis.
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Leonardo Jardim; técnico do Flamengo — Foto: Fernando Moreno/AGIF
O treinador aproveitou a coletiva para analisar a atuação de Carrascal e justificar duas das substituições feitas no segundo tempo: Evertton Araújo e Plata nos lugares de Pulgar e Samuel Lino.
— O Carrascal vinha fazendo bons jogos. Hoje não esteve no seu melhor nível, mas precisávamos gerir alguns jogadores que estavam sobrecarregados. O Erick (Pulgar) já mostrava dificuldade para continuar, assim como o Lino. São jogadores que, há dois dias, fizeram 90 minutos em alta intensidade. Por isso mexemos na equipe para refrescar e mantivemos em campo alguns que não tinham jogado a partida anterior, porque acreditávamos que teriam mais capacidade para suportar os 90 minutos. Mais do que a condição física, porém, faltou capacidade para segurar a bola. Se tivéssemos conseguido ter mais posse, poderíamos controlar melhor o jogo. Nossa característica é circular a bola e ter posse, como fizemos no primeiro tempo, e não jogar constantemente em contra-ataque - explicou.
O Flamengo está com 45 pontos e ocupa a segunda colocação do Brasileirão, dois pontos atrás do líder Palmeiras. Agora, o clube carioca volta a campo contra o Botafogo, no próximo domingo.
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Sobre problemas no sistema defensivo e no gol
— Nosso objetivo é sempre reduzir o número de finalizações do adversário, e nesse aspecto temos conseguido números baixos. O que tem acontecido é que sofremos alguns grandes gols. Lembro de Bragantino, Cruzeiro, entre outros jogos, com chutes de fora da área ou finalizações difíceis de defender. Claro que precisamos defender melhor, e quando falo em defender não me refiro apenas ao goleiro, mas a toda a equipe. Hoje mesmo tivemos situações de um contra um antes da finalização em que poderíamos ter pressionado melhor ou evitado o drible. De qualquer forma, sofrer poucas finalizações é positivo. É o que todas as equipes procuram. Precisamos manter isso e ser mais eficientes para evitar que essas jogadas terminem em gol.
Sobre reforços
— Não faço essa análise dessa forma. Já fui claro sobre isso. O clube tem pessoas responsáveis na direção e no mercado. Nosso trabalho é aproveitar da melhor maneira os jogadores que estão disponíveis e encontrar soluções. Já fizemos isso algumas vezes. Se falta o Arrascaeta, colocamos o Lino por dentro. Se falta um atacante, utilizamos o Bruno Henrique por dentro. Temos gerido o elenco com as opções que estão aqui. Prefiro não falar sobre mercado porque, principalmente no Flamengo, isso pode parecer que estamos desvalorizando os nossos jogadores. E são eles a base do sucesso da equipe nos últimos anos e também serão importantes para o futuro do clube. As pessoas responsáveis conhecem o cenário e certamente vão tomar as melhores decisões.