Análise: Flamengo paga de novo por erros defensivos e ataque pouco perigoso
Por Globo Esporte Quinta-Feira, 29 de Janeiro de 2026
O Flamengo começou o Campeonato Brasileiro ainda em ritmo de pré-temporada. Enquanto o São Paulo entrou em campo entendendo a importância de uma vitória, os cariocas foram displicentes e dispersos, pagaram por mais erros defensivos e saíram com a derrota por 2 a 1, de virada, no Morumbis. A pressão sobe às vésperas da primeira decisão da temporada em um contexto que já começava a se tornar problemático pelo rendimento no Carioca.
A falta de ritmo naturalmente pesou na primeira partida com todos os principais jogadores à disposição de Filipe Luís em 2026. Mas o resultado não passou apenas por isso. O Fla teve o domínio do primeiro tempo e não soube o que fazer. No segundo, marcou o gol e parou, apenas observando o adversário crescer sem senso de urgência. Alguns jogadores ainda demonstram falta de condições, como Léo Ortiz, que atuou os 90 minutos, e Arrascaeta, acionado no segundo tempo.
Em uma equipe na qual o controle de tempo em campo dita muito mais as decisões do que o aspecto técnico nesse começo da temporada, o planejamento pode custar caro em um ano que já começa decisivo. Último a se apresentar, o Flamengo precisará recolher rápido os cacos das duas derrotas seguidas, retomar o bom ritmo demonstrado contra o Vasco e esperar que os principais jogadores recuperem o espírito que fez a equipe sair tão vencedora de 2025.
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Filipe Luís durante a derrota do Flamengo para o São Paulo — Foto: Marcello Zambrana/AGIF
Posse sem serventia
Os 15 desarmes do São Paulo contra apenas dois do Flamengo ajudam a contar a história do primeiro tempo. Apesar das oito finalizações, sendo três no alvo, o time carioca teve a bola e não soube o que fazer com ela. Com uma sucessão de decisões erradas, Carrascal foi quem teve a chegada mais promissora, mas foi mal na finalização e perdeu uma chance claríssima. O colombiano se precipitou com frequência nos movimentos.
Everton Cebolinha ganhou uma oportunidade como titular depois das boas atuações desde o ano passado e foi uma rara boa notícia durante a noite. Nasceu dele a chance de Carrascal e também uma boa chegada aos 17 minutos. Com liberdade de movimentação, o atacante foi quem mais tentou até ser substituído no segundo tempo.
O São Paulo chegava fácil ao ataque com infiltrações e velocidade, além das roubadas de bola constantes. Apesar de não ser tão acionado defensivamente, o Flamengo demonstrou insegurança toda vez que a bola chegava atrás. Pulgar e Ortiz foram o elo mais fraco do sistema. Evertton Araújo foi bem, mas o meio-campo ficou espaçado e sem criação, com Carrascal caindo mais pelos lados e sem dar melhores alternativas por dentro.
Utilizado em todas as partidas até aqui, Plata mostrou problemas técnicos e não físicos. O gol depois de uma assistência brilhante de Pedro não apagou a noite ruim do colombiano, que chegou a irritar Filipe Luís no primeiro tempo e, mesmo com a sucessão de erros prejudicando o andamento das jogadas, completou os 90 minutos em campo.
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Jogadores do Flamengo contra o Sâo Paulo — Foto: Adriano Fontes / Flamengo
Displicência e novos erros
Filipe Luís voltou para o segundo tempo sem substituições, como de costume. Foi só chamar Jorginho e Arrascaeta após sete minutos que a grande jogada do Flamengo na partida saiu, com troca rápida e eficiente de passes que abriu o espaço necessário para o gol. Isso indicava o caminho para o time sonhar com a vitória na estreia, mas a equipe foi pela rota contrária.
Pedro e Evertton Araújo foram sacados, mesmo com outros atletas sentindo mais a partida. O volante, inclusive, aparece como boa opção diante de um meio-campo que tem Saúl como desfalque ainda por algum tempo e De la Cruz em controle rígido de carga. Allan foi completamente para o fim da fila.
O Flamengo retornou bem do intervalo, fez o gol e parou. O São Paulo entendeu a urgência e lutou. Luciano aproveitou a desatenção da defesa para subir entre Léo Pereira e Alex Sandro e deixar tudo igual pouco tempo depois. Uma bola dada de Pulgar para Danielzinho deu os números finais ao confronto em mais um erro claro defensivo pelo segundo jogo seguido. O problema na jogada foi desde a origem, com muito espaço para a troca de passes e construção.
Desorganizado defensivamente e sem inspiração na frente, o Flamengo não fez por merecer a vitória ou até o empate. Acomodado, o time não conseguiu acertar o pé. O retorno de Arrascaeta e o time desconfigurado reduziram um ritmo que já era baixo e nada mais saiu.
O Flamengo não tinha tido duas derrotas seguidas em todo 2025, mas já começa 2026 desta maneira. Agora, precisa se recuperar rápido para a Supercopa do Brasil neste domingo, às 16h, contra o Corinthians, em Brasília. O elenco chegou ao Rio de Janeiro na madrugada, folga nesta quinta e se reapresenta na sexta-feira. O único treino com o grupo completo é no sábado, antes da viagem.
— Tem alguns jogadores que já estão na melhor forma, outros ainda não, que vieram de lesões ou não treinaram. Há jogadores que já estão 100%. Isso é normal, acontece ao longo da temporada, uns jogadores melhores que os outros. Acredito que vamos chegar à final da Supercopa melhor do que estamos agora porque os jogadores já têm essa carga de jogos e minutos. Espero que estejamos na nossa melhor versão — disse Filipe.