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Ricardo Boechat: jornalista ganhou três prêmios Esso e atuou em alguns dos principais veículos e canais do Brasil

Por G1   Segunda-Feira, 11 de Fevereiro de 2019

Ricardo Boechat, que morreu nesta segunda-feira (11) aos 66 anos após a queda de um helicóptero em São Paulo, ganhou três vezes o Prêmio Esso, um dos mais prestigiosos do jornalismo brasileiro, e atuou em alguns dos principais veículos e canais do país. Nos últimos anos, foi âncora da BandNews FM e no Jornal da Band. Também era colunista da revista “Istoé”.

Ao longo de uma carreira iniciada na década de 1970, escreveu em jornais como “O Globo”, “O Estado de S. Paulo”, “Jornal do Brasil” e “O Dia”. Na década de 1990, teve uma coluna diária no “Bom Dia Brasil”, na TV Globo, e também trabalhou no "Jornal da Globo".

Foi diretor de jornalismo da Band e trabalhou no SBT.

Boechat era o recordista de vitórias no Prêmio Comunique-se, com 17 troféus, e o único a ganhar em três categorias diferentes (Âncora de Rádio, Colunista de Notícia e Âncora de TV).

Em pesquisa do site Jornalistas & Cia em 2014, que listou cem profissionais do setor, Boechat foi eleito o jornalista mais admirado.

Boechat lançou em 1998 o livro “Copacabana Palace – Um hotel e sua história” (DBA).

O jornalista Ricardo Boechat, em foto de 2006 — Foto:  José Patrício/Estadão Conteúdo/Arquivo

O jornalista Ricardo Boechat, em foto de 2006 — Foto:  José Patrício/Estadão Conteúdo/Arquivo

O jornalista Ricardo Boechat, em foto de 2006 — Foto: José Patrício/Estadão Conteúdo/Arquivo

Em entrevista ao "Memória Globo" em 2000, Boechat contou que começou a trabalhando ao deixar em escola, na virada de 1969 para 1970, após um período de militância em que fez parte do quadro de base do Partido Comunista em Niterói (RJ). O pai de uma amiga, que era diretor comercial do "Diário de Notícias", foi quem o convidou.

"Se me perguntar fazendo o quê, eu, nada, olhando, juntando um papel, às vezes até limpando a mesa, não que alguém me pedisse isso não. (...) Note que eu mal batia à máquina, não tinha noção de rigorosamente nada. Tinha morado a vida inteira em Niterói. O Rio de Janeiro para mim era o exterior." Um de seus primeiros textos foi uma nota exclusiva sobre Pelé.

Depois, Boechat passou a escrever na coluna de Ibrahim Sued (1924-1995), no mesmo "Diário de Notícias". Sobre este trabalho, afirmou:

"Era uma coluna de grande repercussão; era a coluna. Não tinha outra. (...) Era uma coluna que se prevalecia desta situação de visibilidade, de notoriedade do seu titular. Era uma coluna feita por uma equipe pequena, eram dois repórteres trabalhando e ele, muito idiossincrática, a notícia era, para ele, o que ele achava".

Boechat considerou o período de 14 anos em que trabalhou com Sued como "uma coisa decisiva para minha formação como repórter". "Não foi o Diário de Notícias, a militância, os jornaizinhos, mimeógrafos para o Partidão ou para o MDB de Niterói que me deram nenhuma base como repórter; o Ibrahim é que fez."

Ele ainda disse que "Ibrahim talvez tenha sido um fenômeno, o maior fenômeno da imprensa brasileira de todos os tempos, como personagem, como figura".

"Eu pude ter uma escola na qual a doutrina era procurar informações e por trás de mim o primeiro e maior dos pitbulls que eu já conheci que era ele, rosnando no meu ouvido 24 horas por dia. Dormia tendo pesadelo, acordava tendo pesadelo que a notícia estava ruim, a imagem dele rasgando o noticiário, dizendo que era ruim, era diária. Então aquilo me fez, a custa de muita esofagite, úlcera, insônia e outras mazelas, me fez aprender o pouco que eu sei hoje de apurar notícia, de correr atrás de notícias, de apresentar essa notícia para o leitor."

Boechat saiu em 1983, quando ela já era publicada em "O Globo", após uma briga com o titular da coluna. Foi, então, para o "Jornal do Brasil", a convite do concorrente Zózimo Barroso do Amaral, tendo retornado ao "Globo" pouco depois, na coluna "Swann".

Em uma segunda passagem pelo jornal, que durou até 2001, foi titular de uma coluna que levava o seu nome. Sobre o conteúdo de suas notas, descreveu: "Meu negócio é esse garimpo. O conteúdo de notícias, se pode gostar ou não gostar da coluna, gostar ou não gostar daquele tópico, mas em nenhum tópico você encontrará algo que não seja uma notícia. Pretensamente em primeira mão, pretensamente correta. Isto era experiência que eu trazia do Ibrahim, forjada à chicote".

Questionado sobre os momentos mais marcantes da carreira, Boechat respondeu:

"Claro que, remotamente, a minha ida para o Ibrahim em 1971, por aí. Foi o fato mais decisivo na minha vida porque pegou um garoto que não tinha... que estava ali num 'Diário de Notícias', um jornal vivendo os últimos anos de sua curta existência e que fatalmente ficaria por ali mesmo. Não demonstrava nenhum talento especial para nada dentro de uma redação e cai na mão de um mito, um monstro sagrado do jornalismo, do colunismo, e que com a sorte de ser esse mito, esse monstro sagrado um homem com uma profunda sensibilidade para informação, para a notícia".

Ele também destacou sua passagem por "O Globo", "para uma coluna que registrou, em seu cotidiano, as consequências da minha chegada, pela mudança em seu conteúdo de maneira muito visível, muito rápida, o que fez com que o mercado e o próprio 'Globo' identificasse em mim alguém capaz de fazer aquele tipo de trabalho ali".

Ricardo Eugênio Boechat nasceu em 13 de julho de 1952, em Buenos Aires.

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