Piloto revela que funcionário de aeroporto viu nome de Flávio Bolsonaro em lista de jato com destino aos EUA
Por Brasil 247 Terça-Feira, 27 de Outubro de 2026
Uma notificação recebida de um trabalhador do terminal aéreo de Puerto Iguazú indica que o nome do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi incluído na relação de ocupantes de uma aeronave privada posicionada no país vizinho. O relato foi apresentado nesta terça-feira (27) pelo piloto Mauro Mattosinho, que detalhou as informações obtidas durante a madrugada junto ao profissional do aeroporto, informa a Folha de São Paulo.
Em depoimento prestado ao veículo de imprensa, o aviador revelou o cenário observado no pátio do aeródromo sul-americano. “Segundo me informaram, a decolagem inicialmente estava prevista para as 2 horas da madrugada, mas permanecia na pista às 7 horas”, disse Mattosinho.
O relato transmitido ao piloto pelo funcionário local — que optou por preservar sua identidade — aponta que o campo reservado aos dados de identificação pessoal do congressista brasileiro encontrava-se sem preenchimento na documentação de bordo. Conforme os detalhes fornecidos pela fonte do terminal, três dos quatro passageiros esperados haviam se apresentado por volta das 1h30, contudo, divergências e problemas na documentação acabaram por paralisar a decolagem planejada.
A operação envolvia uma aeronave modelo Gulfstream G400, com registro LV-JQW, administrada pela companhia argentina Baires Fly S.A. O avião partiu da capital Buenos Aires às 22h14 de segunda-feira (26) e completou o pouso na cidade fronteiriça às 23h45, permanecendo no local no aguardo de quatro passageiros e três tripulantes para prosseguir trajeto, conforme divulgado originalmente pelo portal argentino Infobae.
O aeroporto internacional argentino situa-se a aproximadamente 22 quilômetros do limite territorial brasileiro. O percurso rodoviário a partir da Ponte Internacional Tancredo Neves — conexão entre Foz do Iguaçu, no Paraná, e a localidade de Puerto Iguazú — demanda cerca de trinta minutos de deslocamento de automóvel, excluindo o tempo gasto nas etapas de fiscalização alfandegária e controle migratório.
A revelação dos bastidores do voo ocorre em meio ao cercamento judicial determinado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Na segunda-feira (26), um dia após a confirmação da vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, o magistrado ordenou o cancelamento de todas as cadernetas de viagem de Flávio e decretou a proibição imediata de sua saída do território nacional.
Em decorrência das decisões da Suprema Corte, a Polícia Federal deflagrou um rastreamento em todas as divisas terrestres brasileiras e passou a monitorar as rotas aéreas operadas entre o Brasil e a Argentina para averiguar uma possível fuga do parlamentar. A checagem inicial da corporação atesta que o congressista não realizou travessia registrada pelos postos de fiscalização oficiais.
De forma alinhada, órgãos governamentais e a Direção Nacional de Migrações da República Argentina sustentam não possuir anotações sobre o ingresso do filho de Jair Bolsonaro em seu território. Da mesma forma, o senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordenou a campanha presidencial do aliado, negou taxativamente a saída do congressista do país, não existindo até o momento a comprovação de que o parlamentar tenha ingressado no aeroporto ou embarcado na aeronave.