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Entenda como Flávio Bolsonaro pode ter fugido do país, após cruzar fronteira com a Argentina e tomar um jato privado

Por Brasil 247   Terça-Feira, 27 de Outubro de 2026

O senador e ex-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pode ter deixado o Brasil às escondidas por meio de uma rota alternativa rumo aos Estados Unidos a bordo de uma aeronave executiva, com decolagem na madrugada desta terça-feira (27) a partir de Puerto Iguazú, na província de Misiones, na Argentina, informa o portal Infobae. A manobra internacional ocorre logo após o próprio parlamentar tornar público que foi alvo de sanções do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinaram a apreensão de seus passaportes e impuseram proibição expressa de saída do território nacional.

A travessia da fronteira rumo ao país vizinho teria ocorrido por via terrestre com o uso de seu documento de identidade civil. Ao chegar ao município argentino, o parlamentar teria embarcado em um jato Gulfstream G400, prefixo LV-JQW, operado pela empresa Baires Fly S.A. A operadora de táxi aéreo encaminhou às autoridades aduaneiras e de migração locais a solicitação de liberação para uma comitiva formada por quatro passageiros e três tripulantes.

Registrada na Argentina em nome da Baires Fly S.A. desde 25 de setembro de 2020, a aeronave de modelo 2004 foi produzida pela Gulfstream Aerospace, possui 14 assentos, dois motores Rolls-Royce Tay e alcance de voo projetado entre 7mil e 7,8 mil quilômetros. O histórico do avião inclui registros prévios nos Estados Unidos e no México sob os prefixos N524GA, N522AC, N522AG, XA-CHG e N152GA. A estrutura diretiva da empresa responsável pelo voo é composta por Luis Grande na presidência, María Belén Grande Ratti na vice-presidência e María Florencia Grande Ratti como diretora suplente.

O cerco judicial contra o parlamentar intensificou-se após o encerramento do segundo turno das eleições presenciais, no qual o presidente Lula (PT) foi eleito com 51,79% dos votos válidos, ante 48,21% obtidos pelo candidato derrotado. Diante do resultado nas urnas, o senador não reconheceu o pleito e indicou que solicitaria a anulação da votação, alegando que a extensão do horário de votação no domingo (25) teria favorecido a candidatura vitoriosa.

Na segunda-feira (26), Flávio Bolsonaro relatou ter sido abordado por agentes da Polícia Federal logo após deixar a residência de seu pai, em Brasília, para notificação de despacho assinado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

“Me ordenaram ali mesmo, na rua, que entregasse meus passaportes, e além disso tenho proibido sair do país”, declarou o senador em vídeo veiculado em suas redes sociais.

As restrições impostas estão vinculadas a inquéritos que apuram suposto esquema de lavagem de dinheiro e conexões com o advogado Willer Tomaz, também investigado por movimentações financeiras no setor de apostas. As apurações abrangem suspeitas de corrupção na captação de recursos para o filme Dark Horse, além de uma segunda investigação no STF sobre ocultação de bens. O congressista nega qualquer irregularidade em ambos os casos.

Durante suas declarações públicas, o parlamentar tentou dissociar sua situação de manifestações de seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL), sobre deixar o país em caso de derrota eleitoral. “Eu nunca disse isso. Isso é motivo para me tirar o passaporte?”, questionou o senador. O Supremo Tribunal Federal e a Polícia Federal não emitiram posicionamento imediato sobre o caso.

Apesar de supostamente ter viajado ao exterior sem autorização da Justiça, o senador sustentou no mesmo pronunciamento que manteria sua atuação na oposição política. “Para resistir ao caos, vou organizar a oposição”, afirmou no vídeo publicado. “Vou entregar meus passaportes e vou me defender desta aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar. Mas ninguém vai me calar”, concluiu o congressista.

 

 

Suspeita surge após ordem de Alexandre de Moraes

A notícia sobre a possível saída de Flávio Bolsonaro do Brasil ganhou repercussão poucas horas depois de se tornar pública uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF, para que o senador entregue todos os seus passaportes à Polícia Federal.

A ordem judicial abrange inclusive eventuais documentos de viagem emitidos por outros países, além do passaporte brasileiro. A medida coloca sob atenção das autoridades a possibilidade de deslocamentos internacionais do parlamentar.

Nesse contexto, a informação divulgada pelo Infobae levou a Polícia Federal a procurar as autoridades argentinas para verificar a existência de registros que possam esclarecer o suposto deslocamento.

Até o momento das informações divulgadas pelo Metrópoles, não havia confirmação oficial de que Flávio tivesse ingressado na Argentina ou embarcado em uma aeronave com destino aos Estados Unidos.

 

Coordenador da campanha nega viagem de Flávio Bolsonaro

O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador-geral da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, negou que o candidato tenha deixado o Brasil.

Questionado pela coluna de Igor Gadelha na manhã desta terça-feira, Marinho respondeu de maneira categórica: “Não saiu”.

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