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Patos é uma das cidades onde mais se registra casos de trabalho escravo na Paraíba

Por Redação 40 Graus com Jornal da Paraíba   Sábado, 26 de Janeiro de 2019

De 2013 a 2018, o Ministério Público do Trabalho na Paraíba (MPT-PB) conseguiu resgatar 843 trabalhadores em situação de escravidão e, no país, 44,2 mil resgates. Atualmente, 41 casos estão sendo investigados em municípios paraibanos. O MPT tem hoje 1,7 mil procedimentos em investigação e acompanhamento, em suas 24 Procuradorias Regionais espalhadas pelo País, envolvendo trabalho análogo ao de escravo, aliciamento e tráfico de trabalhadores para a escravidão. Os dados (filtrados em 22 de janeiro de 2019) são do sistema informatizado do Ministério Público do Trabalho (MPT Digital/Gaia).

Entre os casos investigados e acompanhados pelo MPT na Paraíba está o de uma Rede Internacional de aliciamento e tráfico de jovens para a Europa, para trabalho degradante e análogo à escravidão, que incluía exploração sexual de adolescentes (uma das piores formas de trabalho infanto-juvenil, segundo a Convenção n.182 da OIT).

“Apesar do cenário atual desfavorável, o MPT, quanto ao combate a este flagelo, contará com a PRF, PF e a Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão, parceiros históricos nessa luta”, concluiu Eduardo Varandas, que foi um dos responsáveis pela criação da Coordenadoria Nacional contra o Trabalho Escravo no MPT.

Os municípios paraibanos de onde mais saem trabalhadores que são explorados como mão de obra escrava em outros Estados são Patos, Pombal, Araruna, Picuí, Manaíra, Boa Vista, Serra Branca, Juripiranga e Cuité.

Campanha

Para marcar o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo – 28 de janeiro (próxima segunda-feira), o Ministério Público do Trabalho lança uma campanha nacional nas suas redes sociais, para alertar a população sobre a escravidão contemporânea e estimular a sociedade a denunciar.

O procurador do Trabalho Eduardo Varandas ressaltou a importância de campanhas permanentes de conscientização e alertou sobre a redução das operações de fiscalização e resgate de trabalhadores.

“Com a extinção do Ministério do Trabalho e não realização de concurso para auditor fiscal do trabalho, o sistema de repressão ao trabalho escravo está vulnerável e enfraquecido. Temo que a tendência futura seja o aumento desumano da exploração do trabalhador”, destacou Varandas, coordenador regional na Paraíba da Coordenadoria Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo (Conaete/MPT).

Um vídeo  será postado nas redes sociais do MPT para chamar a atenção para as formas de aliciamento para o trabalho escravo. O vídeo, com duração de um minuto, tem o objetivo de mostrar como trabalhadores são iludidos com falsas promessas de boa remuneração, qualidade de vida e segurança no trabalho.

Aliciadores

Os “gatos”, como são conhecidos os aliciadores, são os empreiteiros que percorrem os estados à procura de trabalhadores com pouca renda e que sonham em mudar de vida. Eles se aproveitam da vulnerabilidade dessas pessoas para convencê-las a aceitarem suas falsas promissoras propostas de empregos. O triste cenário encontrado por esses trabalhadores depois é de exploração, miséria, abuso e violência.

Quatro cards serão postados nas redes sociais como parte da campanha. O primeiro será postado hoje. Unidades do MPT em outros Estados também estarão mobilizadas para divulgar e compartilhar os conteúdos. Os cards trazem uma reflexão sobre a exploração e as condições degradantes em que se encontram muitos trabalhadores em várias localidades pelo Brasil afora, inclusive na área rural. O objetivo é mostrar à sociedade a escravidão contemporânea e alertar que muitos casos violam a dignidade humana e impactam na economia.

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