Chegada da primavera deve piorar o clima seco no Sertão e El Nino deve atrasar e reduzir chuvas na Paraíba
Por Mônica Melo - Click PB Terça-Feira, 22 de Setembro de 2026
A chegada da primavera deve piorar o clima seco no sertão paraibano e fenômeno climático El Niño deve atrasar e reduzir os volumes e o período de chuvas na Paraíba. O professor e meteorologista, Ranyere Nóbrega, explicou a Redação do ClickPB que no período da primavera, a umidade relativa do ar e a chuva diminui e fica muito mais visível no Sertão. “Acontece em toda a Paraíba, porém, no sertão, os valores da umidade diminuem mais ainda por ser uma região em que as temperaturas são muito elevadas”, detalhou.
Ele prossegue detalhando que os valores de umidade relativa nesta região chegam a 15%, 20% ou 30% em alguns dias, principalmente no período da tarde. “Por isso que há sempre aquela recomendação de evitar atividades diretas no sol entre 9 horas da manhã e as 16 horas”.
No Agreste, a umidade é um pouco maior, chegando perto dos 50% ou 40% em alguns dias. No litoral chega 60%, por conta da proximidade do mar. “A água do mar evapora e os ventos transportam umidade. No caso da Paraíba, o sertão fica mais seco porque está distante do litoral e também depois do Planalto da Borborema. É um padrão climático normal, porém neste ano em específico nós estamos sob o efeito do super El Niño, que vai influenciar ainda mais os próximos meses”.
O Planalto da Borborema atua como uma barreira natural que gera chuvas orográficas ao forçar o ar úmido do oceano a subir w abrange os estados de Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte, que nesta localidade apresenta os picos mais altos da região, podendo chegar até a 1200 metros de altitude. Em virtude de sua elevação, o Planalto constitui-se como uma barreira natural que impede ou dificulta a passagem das massas úmidas que se formam no Oceano Atlântico – e é responsável pela maior parte das chuvas das sub-regiões Zona da Mata e Agreste, ou seja, nas regiões que estão antes do planalto.

Planalto da Borborema (Escola educação)
Quando essa massa de ar encontra com o planalto ou Serra da Borborema, ocorrem ali as chuvas orográficas, que se precipitam no lado do planalto que está voltado para o oceano. Deste modo, a massa de ar ao adentrar o sertão nordestino, já se encontra seca e contribui para os baixos índices pluviométricos da área quando comparados ao restante da Região Nordeste. Esse fenômeno resulta em longos períodos de estiagem que podem durar de seis a oito meses, contribuindo para agravar os inúmeros problemas sociais de parte da população que ali reside.
Uma das características do super El Niño é diminuir o volume de chuva no semiárido, no sertão. “Um outro fator é o aumento das temperaturas, então as temperaturas deverão ficar muito altas e a evaporação também muito alta”.
O período de primavera é como se fosse uma zona de transição. O mês de dezembro, marca o início das chuvas no sertão. Então no final de dezembro, a configuração da umidade começa a mudar trazendo um período mais chuvoso, em que a umidade aumenta. “Lembrando que no ano de El Nino, pode haver um atraso desse período chuvoso e até uma diminuição desse volume de chuva”, finalizou.
El Niño
O El Niño é um fenômeno climático natural que provoca o aquecimento anormal das águas superficiais na faixa equatorial do Oceano Pacífico. O nome surgiu no Peru, quando pescadores perceberam que o mar esquentava por volta do Natal.
O Serviço Nacional de Meteorologia da NOAA anunciou em junho que o El Niño se desenvolveu no Pacífico tropical e emitiu um alerta de El Niño.

Chegada da primavera piora clima seco no sertão e El Niño deve atrasar e reduzir chuvas na Paraíba
Prevê-se que o El Niño, a fase quente da Oscilação Sul do El Niño (ENSO), se intensifique para um nível moderado ou forte neste outono. Os meteorologistas preveem uma probabilidade de 63% de as temperaturas da superfície do mar ultrapassarem os 2,0 °C na região do Pacífico monitorada pelo El Niño . Se esse limite for ultrapassado, a NOAA considera o evento um El Niño “muito forte”.
A NOAA declara a formação de um El Niño (palavra espanhola que significa “menino”) quando as temperaturas no Pacífico equatorial estão 0,5°C acima da média por vários meses consecutivos. Além disso, a NOAA monitora a atmosfera sobre essa região do Pacífico, buscando um padrão chamado Circulação de Walker , um fluxo de ar massivo de leste para oeste impulsionado pelas diferenças de temperatura e pressão entre os oceanos quentes do oeste e os oceanos frios do leste. Quando a Circulação de Walker se desfaz e a água mais quente se desloca para leste, em direção à América do Sul, o El Niño é declarado. (https://www.noaa.gov/)