Lula resgata histórico na ONU e reafirma compromisso com combate à fome, soberania e reforma global
Por Brasil 247 Terça-Feira, 22 de Setembro de 2026
Em publicação realizada nesta terça-feira (22), poucas horas antes de proferir seu pronunciamento na Assembleia Geral das Nações Unidas, o presidente Lula (PT) resgatou as diretrizes e os temas centrais de suas intervenções na tribuna do organismo internacional ao longo de mais de duas décadas. A resenha histórica destacou o combate à fome e à desigualdade, a defesa incontestável do multilateralismo e a cobrança por maior representatividade dos países em desenvolvimento na diplomacia mundial como pilares permanentes de sua atuação.
Ao resgatar o histórico de pronunciamentos, a postagem ressaltou que, nos discursos mais recentes do mandatário, o conceito de soberania nacional ganhou relevância ampliada, figurando ao lado do fortalecimento das instituições democráticas e da urgente reestruturação da governança internacional.
A trajetória do presidente brasileiro na sede da ONU em Nova York teve início em 2003. Naquela ocasião, em meio a um cenário internacional tencionado pelos desdobramentos da Guerra do Iraque, Lula colocou o combate à fome no centro da agenda externa do Brasil. Desde a estreia, o chefe de Estado defendeu a centralidade da ONU para a mediação e resolução de conflitos, além de cobrar uma ampla reforma no Conselho de Segurança da instituição — pleito reiterado de forma sistemática em suas participações posteriores.
A pauta do desenvolvimento social manteve-se prioritária nos anos seguintes. Nos pronunciamentos de 2004 e 2005, o presidente voltou a enfatizar a erradicação da pobreza e a necessidade de destinação de maiores recursos para o desenvolvimento global. Na avaliação apresentada à época, o crescimento econômico deveria caminhar associado à redução das disparidades sociais, garantindo às nações em desenvolvimento maior protagonismo na formulação das normas que regem o sistema internacional.
Nos anos de 2006 e 2007, o presidente brasileiro agregou à pauta social críticas contundentes aos desequilíbrios do comércio multilateral e conferiu maior centralidade às questões ambientais. Suas intervenções associaram de forma direta a manutenção da paz mundial ao desenvolvimento sustentável, reforçando a urgência de reformar o desenho das instituições multilaterais para espelhar a relevância econômica e política dos países emergentes.
Com o advento da crise financeira global de 2008, o foco do discurso voltou-se à regulação econômica. Da tribuna da ONU, Lula exigiu maior controle e transparência sobre as engrenagens do sistema financeiro, sustentando que problemas de dimensão planetária demandam soluções coordenadas entre os Estados. Em 2009, o mandatário sintetizou os grandes desafios globais em três eixos centrais: a superação da crise econômica, a construção de uma governança global estável e o enfrentamento do colapso climático.
Ao retornar ao plenário da Assembleia Geral em 2023, após um intervalo de 14 anos, o chefe de Estado reativou e atualizou essa agenda tradicional. A redução da desigualdade reapareceu como vetor orientador da política externa brasileira, acompanhada da defesa da preservação ambiental, da governança global reformada e da defesa irrestrita de saídas negociadas para conflitos armados, marcando a reinserção ativa da diplomacia brasileira nos grandes fóruns globais.
Nas edições seguintes, novas demandas globais foram incorporadas ao repertório. Em 2024, diante do agravamento das guerras na Ucrânia e no Oriente Médio, Lula reiterou apelos pela diplomacia e cobrou mudanças estruturais na ONU, sem deixar de abordar a emergência climática, a fome e temas emergentes, como a governança digital e os impactos da inteligência artificial.
Já na Assembleia Geral de 2025, os temas da democracia e da soberania ganharam destaque prioritário. Em sua fala, Lula classificou a soberania brasileira como “inegociável”, vinculou a expansão da desigualdade ao enfraquecimento dos regimes democráticos e defendeu abertamente a regulação das plataformas digitais, ao mesmo tempo em que manteve inalterada a defesa do multilateralismo, da ação climática e do combate à miséria.