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Senadores articulam pedido de cassação contra Flávio Bolsonaro por ligação com Vorcaro

Por Brasil 247   Quarta-Feira, 21 de Outubro de 2026

Um grupo de senadores, liderado por Randolfe Rodrigues (PT-AP), iniciou nesta terça-feira (20) a coleta de assinaturas para apresentar um pedido de cassação do mandato do senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A iniciativa se baseia em suspeitas envolvendo transações financeiras milionárias, a relação do parlamentar com o banqueiro Daniel Vorcaro e possíveis vantagens econômicas recebidas pelo presidenciável.

A representação será encaminhada ao Conselho de Ética do Senado e solicita a abertura de um processo disciplinar por quebra de decoro parlamentar. Os autores defendem a aplicação da punição máxima, a perda do mandato, caso as irregularidades apontadas sejam comprovadas.

O documento concentra suas acusações na participação de Flávio Bolsonaro em negociações financeiras relacionadas ao filme Dark Horse, que teria recebido recursos por meio de um fundo de investimentos nos Estados Unidos. A representação também questiona a proximidade do senador com Vorcaro, investigado por suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.

Transferências de US$ 12,33 milhões estão no centro das suspeitas

Um dos principais pontos levantados pelos parlamentares envolve a suposta transferência de pelo menos US$ 12,33 milhões para um fundo de investimentos norte-americano. Conforme a representação, os recursos teriam sido destinados ao financiamento da produção cinematográfica Dark Horse.

O fundo mencionado na denúncia teria ligação direta com o advogado do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio. A movimentação financeira passou a ser examinada pela Polícia Federal, que busca esclarecer a origem dos valores, o percurso das transferências e a identidade dos beneficiários finais.

Os senadores também sustentam que Flávio Bolsonaro teria solicitado recursos a Daniel Vorcaro e obtido benefícios decorrentes de sua relação com o empresário.

Outro elemento apresentado na representação diz respeito a supostas contradições nas explicações fornecidas pelo parlamentar sobre os repasses financeiros, sua relação com o Banco Master e os contatos mantidos com Vorcaro.

Segundo os autores, declarações do senador às autoridades e à imprensa seriam incompatíveis com elementos reunidos nas investigações, incluindo registros de conversas, mensagens e comprovantes de operações financeiras.

 

Uso de jatinhos e benefícios econômicos também são questionados

A representação inclui suspeitas de que Flávio Bolsonaro teria usufruído de vantagens econômicas sem justificativa legal identificada pelos denunciantes.

Entre os episódios mencionados estão a utilização de aeronaves executivas em deslocamentos particulares e a hospedagem gratuita em imóveis associados a pessoas próximas de Daniel Vorcaro.

Os parlamentares argumentam que o eventual recebimento desses benefícios, especialmente diante das relações financeiras investigadas, pode configurar violação das exigências de transparência e integridade relacionadas ao exercício do mandato.

As suspeitas também envolvem o advogado Willer Tomaz, apontado nas apurações como uma figura de ligação entre diferentes episódios relacionados ao senador.

De acordo com os registros mencionados na reportagem, Flávio Bolsonaro apareceria como “usuário master” de uma conta bancária vinculada à empresa Alcazar Holdings, formalmente pertencente a Willer Tomaz.

Essa classificação indicaria a possibilidade de administrar a conta e autorizar operações financeiras, circunstância que os autores da representação consideram relevante para esclarecer a relação entre o parlamentar e as movimentações investigadas.

Parlamentares querem investigação no Conselho de Ética

Além da abertura de um processo disciplinar, os senadores pretendem solicitar a convocação das pessoas mencionadas nas investigações para prestar depoimentos.

O documento também prevê a realização de diligências, a produção de provas periciais e a análise de registros bancários e outros documentos que possam esclarecer as suspeitas.

Caso as acusações sejam confirmadas durante a tramitação, os parlamentares defendem que o Conselho de Ética encaminhe um relatório à Mesa Diretora do Senado recomendando a cassação do mandato de Flávio Bolsonaro.

A iniciativa, entretanto, ainda depende da conclusão da coleta de assinaturas e de sua apresentação formal ao colegiado. Portanto, não há, até o momento descrito na reportagem, um processo disciplinar instaurado a partir dessa representação.

A perda de mandato por quebra de decoro parlamentar depende de procedimentos previstos na Constituição e nas normas do Senado, com garantia do direito de defesa ao parlamentar investigado.

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