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Dólar cai a R$ 5 após inflação vir abaixo do esperado

Por G1   Terça-Feira, 11 de Abril de 2023

 

O dólar opera em queda nesta terça-feira (11), com o resultado do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) abaixo do esperado pelo mercado. Investidores se animaram com a perspectiva de que uma queda de juros possa estar mais próxima.

Às 15h20, a moeda norte-americana caía 1,23%, cotada a R$ 5,0037. Na mínima do dia, chegou a R$ 4,9894. Veja mais cotações.

Na véspera, o dólar teve alta de 0,17%, cotada a R$ 5,0660. Com o resultado, o dólar passou a acumular perdas de 0,06% no mês e de 4,02% no ano.

Sob o mesmo efeito, o Ibovespa opera em forte alta, perto dos 105 mil pontos.

 

O que está mexendo com os mercados?

 

O destaque da agenda hoje é interno, com o resultado do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O indicador subiu 0,71% em março, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A expectativa de mercado era de alta de 0,77%.

Com isso, o país passa a ter uma inflação acumulada de 4,65% na janela de 12 meses. É o menor valor para 12 meses desde janeiro de 2021.

O grande destaque no mês foi aumento da gasolina, que subiu 8,33% e teve impacto individual de 0,39 ponto percentual no índice. Trata-se de um efeito da reoneração dos combustíveis, determinada pelo governo federal no fim de fevereiro.

O grupo de Transportes teve a maior alta do índice em março, com a subida de 2,11% no mês. O segmento registrou impacto de 0,43 ponto percentual no IPCA. Além da gasolina, o etanol teve alta de 3,20% em março. No acumulado de 12 meses, contudo, ambos têm quedas de 22,06% e de 19,28%, respectivamente.

O resultado do IPCA vem na sequência de um avanço de 0,84% em fevereiro — uma desaceleração, portanto.

Mas, uma das principais preocupações dos economistas, o Índice Serviços do IPCA teve alta de 0,25% em março. Também é uma redução de ritmo relevante em relação a fevereiro, quando subiu 1,41%, mas a variação em 12 meses está acima do IPCA, marcando 7,63%.

Na China, a inflação ao consumidor atingiu uma mínima em 18 meses e a queda nos preços ao produtor acelerou em março. Em contraste com as demais economias desenvolvidas, a demanda no país permaneceu fraca, reforçando o argumento de que as autoridades talvez precisem tomar mais medidas para sustentar a recuperação econômica depois do impacto da pandemia.

O índice de preços ao consumidor subiu 0,7% na comparação anual, o ritmo mais lento desde setembro de 2021 e mais fraco do que o avanço de 1,0% em fevereiro, informou o Escritório Nacional de Estatísticas nesta terça-feira. O resultado ficou aquém do aumento de 1,0% apontado em uma pesquisa da Reuters.

O índice de preços ao produtor caiu 2,5% em relação ao ano anterior, o ritmo mais rápido desde junho de 2020 e em comparação com uma queda de 1,4% em fevereiro. O índice registra recuo agora por seis meses consecutivos.

A inflação dos preços dos alimentos, um dos principais impulsionadores da inflação ao consumidor, desacelerou para 2,4% em relação ao ano anterior, de 2,6% no mês anterior. Na comparação mensal, os preços dos alimentos caíram 1,4%.

 

"O relatório de inflação da China em março sugere que a economia chinesa está passando por um processo de desinflação, o que aponta para um espaço maior para flexibilização da política monetária para impulsionar a demanda", disse Zhou Hao, economista da Guotai Junan International, à Reuters.

 

Para amanhã, todos os olhos estão voltados para dados de inflação nos Estados Unidos, com economistas prevendo que os preços ao consumidor cresceram 5,2% em março na base anual, após aumento de 6,0% em fevereiro. No entanto, o núcleo dos preços deve ter subido 5,6%, um ritmo ligeiramente mais rápido em comparação com os 5,5% de fevereiro.

Qualquer dado forte no relatório de inflação deve alimentar apostas de que o Federal Reserve continuará elevando os juros em sua próxima reunião de política monetária, no início de maio. Atualmente, os mercados futuros já precificam cerca de 70% de chance de o banco central norte-americano subir sua taxa básica em 0,25 ponto percentual.

 

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