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Governo Lula trabalha com cenário de recessão global devido medidas de Trump

Por G1   Quarta-Feira, 9 de Abril de 2025

Dentre os vários desdobramentos possíveis da guerra comercial após o anúncio das tarifas a países por Donald Trump, o governo Lula trabalha, como cenário mais provável para os próximos meses, um quadro de recessão global e de escalada da disputa entre Estados Unidos e China.

blog conversou com ministros do governo federal, integrantes da equipe econômica e auxiliares do presidente no Palácio do Planalto. Segundo estas fontes, o Brasil ainda está em "modo de observação" e ainda não tem uma visão clara do que irá acontecer. Os sinais de agora, no entanto, são de que as duas maiores economias do mundo não vão chegar a um acordo em torno das tarifas e isso irá arrastar o planeta para uma recessão global.

Isso quer dizer que países como Estados Unidos, nações da União Europeia, Reino Unido e Japão devem sofrer uma retração no Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, enquanto a China deve ter um crescimento muito mais tímido do que o registrado nos últimos anos.

Integrantes da equipe econômica têm mantido diálogo constante com agentes de outros países para entender os desdobramentos da crise. A Fazenda acredita que, em se confirmando uma recessão global, a pressão inflacionária no Brasil deve reduzir sensivelmente.

O dólar, que vinha numa trajetória de queda desde o final de 2024, mudou de direção e passou a subir de forma acelerada após o anúncio do tarifaço de Donald Trump. Além disso, os produtos importados vão ficar mais caros em função dessas tarifas. Esses dois fatores pressionam a inflação no mundo todo, inclusive no Brasil, no curto prazo. Já no médio e longo prazo o desaquecimento das economias decorrente das tarifas tende a frear a inflação.

Fontes do governo admitem, no entanto, que alguns alimentos podem ficar mais caros em função da reorganização das cadeias produtivas globais.

A possibilidade de recessão no Brasil é tratada como remota. Os argumentos são que o Brasil tem uma balança comercial diversificada, não é alvo preferencial do tarifaço de Trump, possui um mercado interno grande e conta com indicadores positivos de emprego e renda.

 

Oportunidade e negociação

 

Nos bastidores do governo, a palavra de ordem é cautela. Há, claro, uma evidente apreensão com o que pode vir nos próximos dias, mas também uma certa dose de otimismo com as oportunidades que podem surgir nessa crise.

O governo brasileiro vê na guerra comercial uma oportunidade de o país se posicionar como um ator mais relevante no comércio internacional. A mudança já é notada na prática. Nos últimos dias, representantes de países da União Europeia, do Canadá, da Arábia Saudita, entre outros, procuraram o governo brasileiro com a perspectiva de ampliar negócios.

O governo acredita que a posição anti-europeia de Trump fará com que o acordo entre Mercosul e União Europeia seja finalmente concluído pela pura necessidade dos europeus em buscar alternativas. O Brasil aposta ainda em ampliar parcerias na Ásia e na América Latina.

Não há pressa do lado brasileiro para encerrar as negociações com os americanos. O foco, neste momento, está em tentar avançar nas tratativas específicas sobre as taxas de aço e alumínio, anunciadas no primeiro tarifaço de Trump, em março, e que passaram a valer no início deste mês. O Brasil tenta convencer os americanos a restabelecer as cotas de exportação do aço.

A negociação em torno da tarifa linear de 10% sobre todos os produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos fica, nesse momento, em segundo plano.

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