Secretário de Saúde de Patos revela débito de R$ 2,5 milhões com fornecedores e desorganização geral nos serviços de gestão
Por Epitácio Germano e Vicente Conserva Terça-Feira, 11 de Setembro de 2018
O secretário de Saúde de Patos, Wendel Palmeira, revelou em entrevista ao Programa Cidade em Debate, na 102.9 FM, nesta terça-feira (11) que o município enfrenta dificuldades para gerir os serviços da Saúde em questão de dívidas da Prefeitura Municipal com fornecedores, bem como pela total descontinuidade dos atendimentos ocasionados pela falta de bom gerenciamento do setor. O caos no setor está instalado, segundo constatação da nova gestão. Dinaldo deixou uma herança considerada maldita com graves problemas em todos os órgãos.
Wendel fez questão de frisar que mesmo tendo feito parte da gestão de Dinaldo como secretario adjunto da pasta, coordenador do Samu, Diretor da UPA, não tinha conhecimento sobre a real situação logística, estrutural e financeira. “Por mais que a gente esteja de dentro, é apenas o secretário que tem controle geral da situação”, disse ele.
O gestor disse que por conta disso, foi pego de surpresa ao tomar pé da situação e revelou que está muito difícil gerenciar neste princípio tudo. “Estamos fazendo um esforço concentrado para colocar a casa em ordem a pedido do prefeito Bonifácio Rocha”, garantiu ele.
Todos os órgãos tem problemas graves que devem ser resolvidos urgentemente, é o que afirma o gestor.
Para se ter uma ideia dos caos instalado na área, segundo o gestor da Secretaria de Saúde, o débito do município ultrapassa o valor de R$ 2 milhões com fornecedores deixados pela gestão do prefeito afastado Dinaldo Filho. “O débito da secretaria hoje é de quase R$ 2,5 milhões com fornecedores, ou seja, é uma situação difícil. O momento está sendo de cortes, inclusive, pessoas estão sendo demitidas em conseqüência da necessidade de ajustar essa realidade financeira”, revelou Wendel Palmeira, secretário de Saúde.
Ele ainda revelou que os antecessores não tiveram o cuidado de manter os pagamentos em dia com planejamento de parcelas com os fornecedores. O resultado foi débitos milionários e falta de tudo nos diversos órgãos da pasta por falta de ter como comprar o básico até.
O secretário disse que no momento a única saída é tentar negociar o débito com os fornecedores com pagamento mais suave para que tenha condições de comprar emergencialmente os medicamentos da Farmácia Básica e insumos da Secretaria.
Ainda de acordo com Wendel Palmeira, faltam materiais de insumos para abastecer as Unidades Básicas de Saúde e a previsão orçamentária do município não atende a necessidade atual. “A nossa dificuldade hoje está relacionada à previsão de orçamento, pois o valor que o município recebe não consegue atender a realidade”, disse o secretário.
Ele disse que encontrou uma secretaria totalmente desorganizada, sem planejamento de ações e pagamentos e que está tendo um enorme trabalho para colocar a casa em ordem.
Farmácia básica há 9 meses sem compra de medicamentos
Wendel Palmeira também lamentou a situação de desabastecimento da Farmácia Básica de Patos e revelou que o atendimento para distribuição só deve começar a ser normalizado no mês de outubro. “Há dois meses não há medicação se quer para cumprir os pedidos de ordem judicial e a previsão de normalizar esse abastecimento deve acontecer apenas em outubro, infelizmente. O estoque da farmácia não zerou, mas está muito baixo”, declarou Wendel Palmeira.
No entanto, Wendel disse que faz 9 meses que a Secretaria não compra medicamentos e o que resta é muito pouco para suprir a demanda. “O que vem ocorrendo é que os usuários não estão tendo a oferta da medicação. Estamos correndo atrás para negociar com os fornecedores e fazer uma compra emergencial. Mas só poderemos ter isso de concreto no início de outubro, infelizmente,” afirmou ele.
Marcação de exames
Wendel ainda falou sobre a Central de Regulação e Marcação de Consultas que hoje opera de forma centralizada na Rua Galim Assis. Ele revelou que o modelo não vem dando certo e a população vem sofrendo e pagando um preço muito alto. “Vamos descentralizar novamente os serviços com funcionários que farão o recolhimento das guias de consulta nas próprias unidades”, disse ele.
Segundo o gestor, existe uma demanda reprimida e diversos problemas com relação a falta de exames, consultas e pedidos que o sistema não suporta. “Com a desorganização, a situação só piorou”, disse ele.
Ele prometeu fazer o possível para dar atendimento a população a partir de agora, mas pediu compreensão dos usuários para que medidas corretivas sejam tomadas como forma de melhorar. “Só faremos mudanças profundas em outubro quando todo o sistema tiver adequado”, revelou.