Médico alerta para crescimento de 72% de casos de câncer de pele em dez anos no Brasil
Por Vicente Conserva - 40 graus Quarta-Feira, 28 de Janeiro de 2026
O aumento progressivo dos casos de câncer de pele no Brasil tem gerado alerta entre especialistas em saúde pública. Dados recentes revelam que, nos últimos 11 anos, o país registrou 479 mil casos da doença, resultando em aproximadamente 49 mil mortes. Entre 2014 e 2024, a incidência da enfermidade apresentou um crescimento expressivo de 72%.
A exposição prolongada e sem proteção ao sol é o principal fator de risco, afetando diretamente trabalhadores que exercem atividades ao ar livre. Em cidades com sol praticamente o ano inteiro, como Patos, no interior da Paraíba, a rotina de ambulantes e prestadores de serviço torna o uso de filtros solares indispensável para evitar danos severos à saúde no futuro.

Riscos da exposição ocupacional e barreiras de acesso
Para quem trabalha sob sol a pino e asfalto quente, a proteção nem sempre é constante. A ambulante Maria Aparecida Matos relata que a pele costuma ficar sensível e com queimaduras ao fim do dia, admitindo que nem sempre consegue se proteger adequadamente. Outros trabalhadores reforçam que a rotina começa cedo e que o uso do protetor antes da jornada é a única forma de mitigar o calor intenso.
Segundo o médico e professor Umberto Joubert, que atende na Sedare Policlínica em Patos, os danos causados pela exposição diária são cumulativos. A médica ressalta que o sol tomado cotidianamente ao longo do tempo ocasiona não apenas o envelhecimento precoce e manchas, mas eleva significativamente o risco de desenvolvimento do câncer de pele.

Apesar da gravidade do cenário, as estatísticas indicam um comportamento de risco: 65% dos brasileiros não utilizam protetor solar diariamente. Um dos principais obstáculos apontados para a adesão ao hábito é o alto preço do produto no mercado nacional.
Prevenção como ferramenta de saúde
Na contramão das estatísticas de negligência, há trabalhadores que transformam o cuidado em prioridade. É o caso da ambulante Carol Bonfim, que utiliza o protetor de forma rigorosa como estratégia de saúde e estética. A conscientização individual, contudo, esbarra na realidade econômica de muitos brasileiros que priorizam o sustento imediato em detrimento da prevenção a longo prazo.
Dr. Joubert reforça que a proteção deve ser encarada como item de segurança do trabalho para quem atua em vias públicas ou praias. A falta de cuidados básicos deixa marcas que ultrapassam o aspecto visual, evoluindo para diagnósticos oncológicos que sobrecarregam o sistema de saúde e aumentam os índices de mortalidade no país.
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