
Médico explica como amenizar reações das vacinas e detalha tecnologias dos imunizantes
Por G1 Paraíba Domingo, 4 de Julho de 2021
As pessoas que se vacinaram contra a Covid-19 podem sentir como reação adversa alguns sintomas como dor no braço, dor de cabeça, cansaço e febre. O médico e secretário executivo de gestão em redes de saúde da Paraíba, Daniel Beltrammi, explicou como funciona o tipo de tecnologia para proteção que cada um dos imunizantes dispõem e ponderou que os efeitos colaterais de qualquer vacina são normais. O tema foi abordado no Paraíba Comunidade deste domingo (4).
O medicou explicou que é natural das vacinas, não somente da Covid-19, mas de todas, que hajam reações adversas. “Existem as reações comuns, que são as esperadas, como a dor local. Também existem as orgânicas como a moleza no corpo e febre. Qualquer uma dessas reações esperadas podem ser resolvidas como remédio para febre que você já está acostumado a tomar e que não é alérgico”, explicou.
Beltrammi também afirmou que é importante lembrar que as pessoas são diferentes, com organismos diferentes. “Por isso algumas pessoas reagem mais e outras menos. Temos pessoas que tomam e não sentem nada e outras que sentem os desconfortos”.
O mais importante, segundo o médico, é que todas essas reações são esperadas é isso não deve desmotivar as pessoas a tomarem a primeira e a segunda dose dos imunizantes.
“Tão importante quanto e até mais que o efeito de proteção individual que as vacinas podem nos trazer contra a Covid, as vacinas têm efeito populacional: quanto mais pessoas vacinadas, mais impossível torna-se a tarefa para o vírus circular entre nós. Se vacinar é sim um efeito de cidadania”, disse.
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Reações da AstraZeneca
O médico explicou que as vacinas de vetor viral não replicante, como a AstraZeneca, têm essa ação normalmente. “Os sintomas como dor de cabeça, febre e outros, de algumas horas até três dias são sintomas que marcam como essa vacina é capaz de estimular o nosso sistema de proteção. Esses sintomas são o sinal de que o sistema está desenvolvendo uma resposta adequada contra o coronavírus”, disse.
Daniel também informou que alguns medicamentos analgésicos e antitérmicos cessam os sintomas com facilidade, mas devem ter prescrição.
AstraZeneca e grávidas
De acordo com o especialista, foi identificado um efeito colateral da vacina para pessoas que têm sensibilidade específica a um anticoagulante.
“É um tipo específico de risco de trombose que está vinculado ao uso da vacina. Na gestação as mulheres tem uma maior predisposição ao desenvolvimento de um quadro de trombose e isso é uma característica inerente à gravidez.”
Por enquanto o recomendado é que as gestantes façam uso das vacinas da Pfizer e da Coronavac.

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Tipos de tecnologia de proteção das vacinas
O Brasil possui quatro imunizantes contra a Covid-19 em circulação no país, com tecnologias de proteção diferentes. A primeira delas é a vacina que usa a tecnologia do vírus inativado. “Nessas vacinas temos vírus inteiros, que são preparados e cultivados em laboratório. O vírus inativado é um vírus que não se multiplica e por isso, não é capaz de causar a doença”, explicou.
A vacina em circulação no Brasil que usa a tecnologia de vírus inativado é a Coronavac, do Instituto Butantã. “A Coronavac, que tem sido muito atacada nos últimos dias, tem estudos no mundo inteiro que mostram a sua efetividade”, disse.
As vacinas AstraZeneca e Janssen são vacinas que usam a tecnologia de vetor viral não replicante. “É utilizado um vírus, que não é o da Covid-19, como transportador. No caso da AstraZeneca é usado o adenovírus de chimpanzé, que não é capaz de causar doenças em seres humanos. No da Janssen é utilizado o adenovírus 26, que faz parte das gripes e resfriados, mas que é um vetor viral não replicante”, explicou.
Segundo o médico, a diferença entre as vacinas é que a AstraZeneca é um imunizante de duas doses e a Janssen tem uma única dose.
A quarta vacina disponível é a Pfizer. “Essa é uma vacina de última geração, que é chamada de vacina genética. Ela é feita de RNA mensageiro, que funciona como uma receita onde se explica como se produz a proteína”, disse.
Beltrammi explicou que as vacinas precisam serem acompanhadas ao logo da linha do tempo para que se consiga continuar entendendo a efetividade e eficácia. “Os números de efetividade, quando as vacinas são aplicadas na população em geral tem sido maiores que os números observados em laboratório, que são números de eficácia”, afirmou.