Recidiva: PF e MPF apreendem carimbos de dezenas de prefeitos em escritório de contabilidade
Por João Paulo Medeiros - Jornal da Paraíba Terça-Feira, 15 de Dezembro de 2020
Policiais federais e investigadores do Ministério Público Federal (MPF) encontraram uma situação, no mínimo, inusitada hoje, ao cumprirem mandados de busca e apreensão na 5ª fase da Operação Recidiva.
Eles se depararam com dezenas de carimbos, em nome de prefeitos paraibanos, nos locais relacionados a um escritório de contabilidade investigado na ação.
O empreendimento, conforme o MPF, recebeu mais de R$ 15 milhões de prefeituras paraibanas nos últimos anos. As suspeitas dos investigadores são de que o escritório teria contribuído para fraudes já investigadas no âmbito da Recidiva.

Foto: reprodução
A investigação também tenta encontrar elementos que demonstrem que a atuação do escritório ultrapassaria os limites estabelecidos nos contratos de prestação de serviços, sendo uma espécie de orientador e executor de licitações e outros procedimentos administrativos.
A apreensão dos carimbos pode, inclusive, reforçar essas teses.
Segundo a Polícia Federal, em diversos momentos da investigação que originou a Operação Recidiva, os réus, investigados, políticos, engenheiros, servidores das prefeituras e empresários fizeram alusão a reuniões e orientações prestadas pelo escritório de contabilidade, que já foi alvo de duas buscas judiciais: a primeira no âmbito da Operação Dublê, em 5 de maio de 2012, e a segunda no mês seguinte, quando da deflagração da Operação Pão e Circo.
Segundo o MPF, verdadeiro ponto de encontro dos investigados de toda sorte, o escritório aparentemente prestava serviço contratado pelas prefeituras para ‘consultoria’ e prestava ‘orientações’ aos investigados, muitas das quais possivelmente ilícitas.