SEGUNDA, 21-09 - VOCÊ NÃO PODE PERDER: A caça aos votos de Veneziano e a traição a Maikon Minervino na Câmara
Por Vicente Conserva - 40 graus Segunda-Feira, 21 de Setembro de 2026
DESESPERO ATIVADO
Pelo que se vê, o modo desespero já foi adotado por alguns candidatos que veem suas campanhas ameaçadas na reta final, faltando 15 dias para as eleições. Diante disso, partiram para o vale tudo. Vale comprar votos e apoios, vale mentir e até prometer o que não é possível. Cabe ao eleitor fazer a análise e não cair no conto do vigário.
A FORTALEZA AZUL
Os vereadores Davi Maia, Brenna Nóbrega e Maikon Minervino já estariam de malas prontas para ingressar no Republicanos. Caso seus partidos não os liberem logo, vão esperar a janela partidária abrir em 2028 mesmo. Maikon já havia confirmado e aguarda ser liberado pelo PP. Outros parlamentares podem seguir o mesmo caminho. Caso isso ocorra, haverá um esvaziamento em algumas legendas como PSB e Rede Sustentabilidade.

RISCO DE INCHAÇO
O Republicanos corre o risco de inchaço total e prejudicar candidatos de menor expressão ou até mesmo vereadores que já estão lá. Com a probabilidade de ficar com mais de 12 vereadores, a legenda ganha poder, mas é pouco provável que esse poder seja traduzido em votos suficientes para reelegê-los em 2028. Com isso, a legenda com muitos nomes, já com mandato, pode ser um tiro no pé.
MAIKON AMEAÇADO
Quando se pensava que a eleição de 4 de dezembro que escolherá a nova Mesa Diretora da Câmara de Patos estava tudo certo para eleição de Maikon Minervino, a coluna recebeu a informação que muita coisa pode acontecer. Maikon corre o risco de perder o apoio de 3 a 4 vereadores que já haviam declarado apoio ao seu nome.

Nos bastidores, o vereador Jonatas Kaiky tenta viabilizar seu nome com o apoio de Tide Eduardo, atual presidente. Já teria certos pelo menos quatro votos e tenta viabilizar mais cinco para ter maioria. Estes viriam de vereadores que já assumiram o compromisso com Miakon e outros que estão em cima do muro.
PRESENTE DE GREGO
O vereador Maikon Minervino, tido como favorito para presidente da Câmara de Patos, recebeu um verdadeiro presente de grego das mãos da atual presidente Tide Eduardo. Sem avisar a ninguém, colocou e conseguiu a aprovação, na última quinta-feira (9), do Projeto de Lei nº 249/2025-PL, que amplia o número de servidores comissionados nos gabinetes dos vereadores. A matéria eleva de cinco para dez o total de cargos por gabinete. Todos os parlamentares assinaram a autoria do projeto, que foi aprovado por unanimidade.

Essa era uma promessa de campanha da presidente Tide Eduardo quando pleiteava ser reconduzida ao cargo. E uma das razões de Tide ter perdido apoio na Casa e não ter conseguido emplacar seu candidato para eleição de janeiro, deve-se a isso. Até então, ela não tinha cumprido a promessa de aumentar o número de assessores para cada parlamentar.
Um detalhe: a matéria não foi combinada com Maikon Minervino, e não se tem ainda um estudo do impacto financeiro. A aprovação não implica na obrigação de ocupar todos os cargos de uma só vez, mas joga o abacaxi para o próximo presidente descascar. A Câmara hoje não tem condições financeiras para colocar toda essa gente porque já está no limite prudencial com gastos de pessoal, chegando a 66% do orçamento quase estourando o limite de 70%. A conta é simples: 85 servidores a mais ganhando um salário mínimo (com base no próximo de 2027) daria 147.985,00 reais; mais 21% de previdência = R$ 31.076,85. A folha de pessoal teria um acréscimo mínimo de R$ 179.061,00, por mês.
MAIKON, O BONECO
O vereador Maikon Minervino achou pouco apenas declarar apoio a Nabor e resolveu fazer um boneco com sua própria caricatura. De quebra, fez um boneco também de Nabor. Adivinha quem está embaixo da vestimenta? Ele mesmo: Fábio Lopes. Pau para toda obra.

Segundo as más línguas, esta faz parte de uma competição entre os parlamentares para escolher quem é o cabo eleitoral mais presente na campanha do ex-prefeito. Em outras palavras, é o chamado puxa saco de carteirinha mesmo.
TRÂNSITO DESGOVERNADO

As medidas adotadas pelo supre tem causado furor dentro e fora do governo. O jeito intransigente de agir é visto por muitos como modo insano de fazer tudo, o que na avaliação de muitos, só prejudica o governo, principalmente o prefeito que fica cada vez mais exposto. A verdade é que muitas medidas adotadas não tem respaldo de técnicos da STTrans nem do governo.
MEDIDAS INDIGESTAS

Segundo as más línguas, Ítalo Torres não é muito de atender pedido de seu ninguém. A tolerância costuma ser zero, bem como o bom senso. Até mesmo pedidos do prefeito Jacob Souto e de deputados para consertar coisas erradas, já teriam sido negadas pelo simples fato dele não concordar em desfazer medidas tomadas que prejudicaram a população e categorias. Um exemplo foi a redução da praça de táxi do Banco do Brasil. Os taxistas reprovaram a medida já que foram prejudicados, e mesmo com apelos e pedidos do alto escalão do governo, nada foi revisto até agora.
O INIMIGO BEM DO LADO
Em campanha eleitoral a gente pode ver de tudo. E essa foi na cidade de Sumé, no Cariri paraibano. O prefeito de São João do Cariri, Chico de Eulina (União Brasil), surpreendeu durante um comício ao declarar publicamente seu voto no presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A manifestação ocorreu durante um evento político do senador e candidato ao Governo da Paraíba, Efraim Filho (PL). Mesmo apoiando Efraim na disputa estadual, Chico de Eulina afirmou que, para a Presidência da República, seu voto será em Lula. Mas achando pouco, ele ainda citou outros apoios que não são do palanque de Efraim.
DORMINDO COM O INIMIGO
Uma fonte confidenciou que o prefeito de Cabedelo, Evilásio Cavalcanti (Avante), esteve na última sexta-feira (18) na sede do Republicanos acompanhado de dez vereadores. Evilásio já apoia Nabor Wanderley (Republicanos) para uma das vagas ao Senado, mas a visita aumentou as especulações sobre uma possível adesão ao ex-governador João Azevêdo (PSB) para a segunda vaga. Até agora, essa mudança não foi confirmada.
Evilásio não participou, na quinta-feira (17), do encontro de Veneziano Vital do Rêgo (MDB) com vereadores de Cabedelo. O evento ganhou repercussão depois que o presidente da Câmara Municipal, José Pereira, surpreendeu Veneziano e declarou apoio ao governador Lucas Ribeiro (PP). O vídeo do momento circulou nas redes sociais. Veneziano apoia Cícero Lucena (MDB) na disputa pelo Governo do Estado
CRESCIMENTO VERTIGINOSO

A campanha do candidato ao Senado pela Paraíba, Nabor Wanderley (Republicanos), projeta que pelo menos de 15 a 20 prefeitos deverão declarar apoio ao ex-prefeito nesta reta final de campanha. Com isso, Nabor terá o maior número de apoios já visto por um candidato, quase a totalidade do número de prefeitos que compõem a Paraíba: 223. Ele contabilizava, até dias atrás, 170 gestores apoiando seu nome, porém, nos últimas dias, outra leva de prefeitos e lideranças passaram a lhe acompanhar também chegando ao número de quase 180.
PULADA DE GALHO
Nada como um dia atrás do outro. Na campanha de 2022, muitos foram os secretários do então prefeito Nabor Wanderley que apoiaram abertamente o presidente Jair Bolsonaro. A liberdade ocorreu devido ao Grupo Motta não ter declarado publicamente voto para nenhum candidato, ainda que posteriormente, Chica Motta e Nabor tenham dito que votaram em Lula, e Hugo até hoje ninguém saiba exatamente, embora pessoas mais próximas tenham confidenciado que ele na surdina apoiou Bolsonaro.

Quatro anos, muitos são os mesmos secretários que permanecem no governo municipal e que viraram a casaca, pelo menos aparentemente. Como nesta eleição o Grupo Motta apoia abertamente o presidente Lula, muitos auxiliares estão demonstrando apoio ao presidente e foram vistos na carreata de Lula dias atras com camisas, bandeiras e outros adereços. Se é falsidade ou não para não desagradar o patrão, só a urna testemunhará e Deus.
Mas tem aqueles bolsonaristas de outrora que se espera a declaração de voto, mas estão calados. Vão tirar o desface quando?
O VOTO CRUZADO
Um fenômeno que vem sendo bastante observado nas eleições de 2026 na Paraíba é o do voto cruzado. No entanto, algumas lideranças políticas têm declarado apoios em detrimento de candidatos dos seus próprios partidos.

Isso aconteceu em Alagoinha, no Agreste da Paraíba. Lá, o prefeito Alírio Filho, que é do MDB, decidiu tirar o seu apoio à candidatura de Veneziano Vital do Rêgo, que também é do MDB, e migrar para o bloco de apoio a João Azevêdo na campanha por uma cadeira no Senado Federal. Praticamente toda a ‘colinha’ de Alírio já estava preenchida com a chapa governista. O prefeito de Alagoinha já tinha optado por apoiar Lucas Ribeiro (PP), em vez de Cícero Lucena (MDB), e Nabor Wanderley (Republicanos), em vez de André Gadelha (MDB).
O BOMBARDEIO GOVERNISTA
O esquema governista que tem Lucas Ribeiro (PP) como candidato à reeleição ao Executivo intensificou uma verdadeira “blitzkrieg” para furar o balão da candidatura do senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB), que luta para conquistar um segundo mandato na Casa e apoia a candidatura de Cícero Lucena a governador. Um intenso bombardeio foi deflagrado nos últimos dias, infligindo “baixas” no esquema de apoios que Veneziano havia costurado em municípios importantes de regiões eleitoralmente estratégicas da Paraíba.

Trata-se de uma ação coordenada para esvaziar o potencial de Veneziano e, com isto, favorecer a ascensão do ex-prefeito de Patos, Nabor Wanderley, pai do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, à segunda vaga de senador em disputa. Nabor faz dobradinha com o ex-governador João Azevêdo (PSB), que tem liderado pesquisas de intenção de voto para o Senado.
O MAGO TEM RAZÃO
O ex-governador Ricardo Coutinho, candidato a deputado federal pelo Partido dos Trabalhadores, criticou a desarticulação da campanha em favor da reeleição do presidente Lula na Paraíba. Ricardo, por não concordar com a decisão da direção estadual em apoiar a candidatura do governador Lucas Ribeiro (PP), a quem diz ter objeção de consciência, rasgou o manual do militante disciplinado, fez voto aberto de desobediência e, naturalmente, isolou-se do contexto das forças políticas que estão segurando o barco.

Se dependesse do ex-governador, a cúpula petista – estadual ou nacional, teria enquadrado aliados do governador Lucas Ribeiro que não fazem campanha conjunta para a presidência da República e mal falam o nome de Lula para mais um mandato. Só que a estruturação do PT paraibano para as eleições deste ano se deu em ambiente de “PT sendo PT”, ou seja, dispersa, confusa e desagregadora.
Faltou à presidente estadual do PT, deputada Cida Ramos, mais habilidade para agregar a frente ampla para reforçar a liderança cativa do presidente Lula junto ao eleitorado paraibano, e isto retirou do PT o cacife para indicar o vice de Lucas. Mas é verdade que líderes governistas do entorno de Lucas e filiados a outros partidos têm ignorado a propaganda de Lula. Lucas gravou com Lula pedindo voto para ele, mas falta o inverso no palanque de Lucas e de outros candidatos do grupo.