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Papa nomeia 20 novos cardeais, entre eles Leonardo Steiner, o primeiro da Amazônia

Por O Globo    Sábado, 27 de Agosto de 2022


O Papa Francisco nomeou, neste sábado, 20 novos cardeais, incluindo dois brasileiros, em mais uma etapa de sua lenta e constante reforma da cúpula da Igreja Católica, na tentativa de torná-la mais diversa e representativa, inclusive do ponto de vista geográfico, à medida que o Pontífice também prepara a sua sucessão.

Seguindo a tradição dos consistórios anteriores promovidos por Francisco, países que até então nunca tiveram um purpurado passaram a contar com um — caso do Paraguai, Timor Leste, Mongólia e Cingapura. Com a mudança, o colégio cardinalício terá 229 integrantes, dos quais 133 — com idade até 80 — têm direito de votar no conclave realizado na Capela Sistina para a escolha de um novo Papa.

Com a criação dos novos cardeais, Francisco inclui na lista de possíveis sucessores religiosos sensíveis aos problemas sociais, procedentes de regiões distantes, onde a Igreja é minoritária ou está em crescimento, a exemplo dos brasileiros Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus e presidente da Comissão Episcopal Especial para a Amazônia. Ele será o primeiro cardeal da Amazônia.

— Ao voltar sua atenção para a Amazônia, Papa Francisco quer que nossa Igreja seja mais samaritana, dinâmica e sinodal, assumindo a responsabilidade de evitar a destruição da terra — disse Steiner ao site Vatican News.

Outro brasileiro elevado a cardeal é Paulo Cezar Costa, arcebispo de Brasília de 55 anos — jovem para o padrão do Vaticano — que ascendeu rápido na estrutura da Igreja em Roma, conforme nota o vaticanista brasileiro Filipe Domingues, vice-diretor do Lay Centre, instituição educacional católica baseada na cidade.

A cerimônia, iniciada às 16h na Basílica de São Pedro, no Vaticano (11h no Brasil), contou com a presença de religiosos de todo o mundo e provocou muitas especulações, em particular sobre o estado de saúde do Papa, de 85 anos, que passou por uma cirurgia no cólon em 2021 e sofre com dores no joelho direito que o impedem de caminhar e o obrigam a usar uma cadeira de rodas.

Dos 20 novos cardeais, 16 têm menos de 80 anos e, por isso, têm direito a voto em caso de conclave pela renúncia ou morte do Papa. Os novos cardeais "representam a Igreja de hoje, com uma forte presença do Hemisfério Sul, onde vivem 80% dos católicos", destacou o vaticanista Bernard Lecomte.

Esta é uma ocasião particular, oficialmente dedicada à reforma da Constituição Pontifícia, aprovada em março e em vigor desde 5 de junho, que para muitos é uma espécie de pré-conclave, durante o qual será feito um balanço da situação da Igreja após quase 10 anos de liderança do papa latino-americano.

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Em quase dez anos de papado, Francisco realizou oito consistórios e designou 83 cardeais do total atual de 133 eleitores, quase dois terços do grupo. Um número determinante em caso de eleição do Papa, que exige justamente maioria de dois terços.

Fiel a sua linha a favor de uma igreja mais social, menos europeia, próxima aos esquecidos, o Papa argentino selecionou quatro latino-americanos (além dois dois brasileiros, um paraguaio e um colombiano), dois africanos e cinco asiáticos, incluindo dois indianos, confirmando o avanço do continente na Igreja.

Entre as nomeações mais notáveis está a do americano Robert McElroy, arcebispo de San Diego, na Califórnia, considerado um progressista por suas posições sobre os católicos homossexuais e o direito ao aborto.

— Viemos dos quatro cantos do mundo para nos conhecermos — assegurou McElroy.

Outra nomeação emblemática é a do missionário italiano Giorgio Marengo, que trabalha na Mongólia. Ele será o cardeal mais jovem do mundo, com apenas 48 anos.

— Com simplicidade e humildade, vim para ouvir pessoas com muito mais experiência do que eu — disse Marengo, que considera a sua designação "um sinal de atenção para realidades que geralmente são consideradas minoritárias, porque as pessoas à margem estão no coração do Santo Padre.

Três futuros cardeais ocupam cargos na Cúria, o governo central da Igreja: o britânico Arthur Roche, o coreano Lazzaro You Heung-sik e o espanhol Fernando Vérgez Alzaga, presidente do governo do Estado da Cidade do Vaticano.

Inicialmente designado, o belga Lucas Van Looy, de 80 anos, arcebispo emérito de Ghent, pediu a dispensa do título devido às críticas de sua gestão ao escândalo de abusos sexuais por integrantes do clero.

A Europa continua sendo o continente com maior representação no Colégio Cardinalício com 40% dos representantes, à frente da América do Sul e da Ásia (16% cada), África (13%) e América do Norte (12%).

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