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Pastor unge armas em igreja evangélica no Paraná; veja vídeo

Por O Globo   Quarta-Feira, 16 de Março de 2022

Um vídeo que viralizou nas redes sociais nesta terça-feira mostra um pastor benzendo um arsenal de armas em uma igreja evangélica da capital paranaense Curitiba. No ritual, o líder da Igreja Agnus, Renê Arian, realiza a unção de revólveres, pistolas, uma espingarda e um fuzil com intuito de "proteger a população".

"Senhor Deus, em nome de Jesus, nós ungimos essas armas para a segurança da nossa população de nossa cidade, Senhor. Nós pedimos que o Senhor venha nos guardar, venha nos proteger, através dessas armas", diz Arian na gravação.

O religioso prossegue e justifica que a bênção serve para segurança da população contra o que chama de "homens maus". Ao GLOBO, ele afirmou que já realizou a unção de outros instrumentos de trabalho e que há respaldo na palavra de Deus.

"A Tua palavra diz: tudo o que ligares aqui na Terra terá sido ligado nos céus. E nós ligamos, através da unção com óleo, essas armas que serão para a nossa proteção, para guardar a população, em nome Jesus, contra os homens maus. Para a glória, Deus e louvor, de seu nome, nós pedimos que o Senhor nos guarde, nos livre e nos proteja, em nome de Jesus. Amém e amém", emendou.

 

 

A cerimônia, ocorrida no último sábado, contou com a presença de dois delegados e um investigador, além de outra pastora. O vídeo foi gravado e publicado pelo delegado Tito Barrichello, da 2ª Delegacia de Homicídios da capital. Também aparecem nas imagens a delegada Tathiana Guzella, da 1ª Delegacia de Homicídios de Curitiba, um investigador apresentado como "Cabelo" e a pastora identificada apenas como Erlane.

Em seguida, Barrichello agradece ao pastor pela unção e afirma que as armas serão usadas "na defesa da sociedade dentro das regras estabelecidas pela própria sociedade". No Instagram, o delegado classificou a bênção como "muito especial". Ele tem mais de 41 mil seguidores na rede social.

 

'Armas privadas e legalizadas'

Questionado, Barrichelo afirmou que as armas são todas privadas e legalizadas. Disse ainda que a ideia partiu do pastor René por haver "diversas passagens de benções aos escudos e armas".

— A unção tem um sentido de benção, para que aquilo, apesar de poder causar um dano a outro, seja um instrumento de paz. Na polícia, organizamos para que não ocorra reação do investigado. A ideia da arma é não utilizá-la — disse ao GLOBO.

O delegado disse também que é católico, mas frequenta igrejas evangélicas pela "relação com os pastores".

— A polícia tem que se relacionar com a sociedade. Me convidam para um culto, e eu vou. Já estive em outros.

Instrumento de trabalho

Ao GLOBO, o pastor Renê confirmou que fez o convite aos delegados e justificou que já realizou a unção de ferramentas de trabalho de outros profissionais, baseado na palavra de Deus.

— Como são instrumentos que usam a trabalho, não só deles, mas de médicos e mecânicos, já ungi ferramentas de trabalho. Encontro na palavra de Deus a possibilidade. É um insturmento deles de trabalho, defendem a sociedade das armas, não há nada de errado na palavra de Deus. Não fiz nada demais. As pessoas não conhecem a palavra de Deus, só o que ensinam em algumas instituições — explicou.

O pastor, que também é teólogo, disse que recebeu questionamentos de fiéis, mas que outros foram a favor.

— Tenho que ensinar a verdade às pessoas.  A diferença é que Deus proteja amanhã do livramento, de pessoas más, de roubarem.

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