Carregando...
Por favor, digite algo para pesquisar.

A história da Procissão dos Homens em Patos nos seus 72 anos de fé, devoção e tradição

Por José Romildo de Sousa - historiador   Quinta-Feira, 2 de Abril de 2026

Como acontece desde 1954, portanto, há mais de sete décadas toda quinta-feira da Semana Santa a população masculina do município de Patos se concentra em frente à Igreja de Nossa Senhora da Conceição - a 1º edificação da Urbs -, localizada na praça Edivaldo Mota para, a partir da meia-noite, sair dali em caminhada pelas principais avenidas da cidade cantando e orando e, assim, participando do singular evento religioso mais conhecido como “A Procissão dos Homens”.

A procissão reúne uma grande quantidade de devotos e algumas das nossas mais conhecidas figuras, que sempre fizeram a maior questão de não faltarem ao compromisso da meia-noite da Quinta-feira Santa, entre eles, podemos relembrar de Zezinho Pintor, Beca Palmeira, Fernando Soares, José Gayoso, Antônio Tranca-Rua, Codó, Rubens Palmeira, Nego Côco, Zé Neves, Afonso do Posto, Zequinha, Zé do Motor, Eudim do Tiro de Guerra, Carreiro, Bacalhau, e Antonio Rafael.

660251548_34741693385446353_7269258357041611168_n

A Procissão sempre tem o seu término na Catedral de Nossa Senhora da Guia, local onde os participantes, num gesto de significativa espiritualidade, retiram do caixão do Senhor Morto flores que o ornamentavam e guardam-nas como relíquias para livrá-los dos supostos atropelos que o dia-a-dia pode proporcionar.

O INÍCIO DE TUDO

Um dos fundadores da “Procissão dos Homens”, Vigolvino – o Grande – que por muito tempo foi também sacristão, revelou que no início, toda quinta-feira da Semana Santa, juntava-se com alguns adeptos do pingue-pongue e ficavam jogando na sede da “Ação Católica”, que ficava localizada ao lado da Igreja de Nossa Senhora da Guia. Lá pelas tantas, quando as pessoas estavam dormindo e as ruas completamente desertas, eles iam até à Igreja da Conceição, pegavam o Senhor Morto e o traziam para a Matriz Diocesana.

659716771_34741685658780459_3891737104246463690_n

Com o passar do tempo, segundo Vigô o número de participantes foi aumentando consideravelmente a cada ano. Em uma determinada ocasião a multidão já se tornava quase incontrolável. Nesta oportunidade, ocorreu que alguns populares resolveram ir buscar o Caixão do Senhor Morto mais cedo que o previsto. Houve então um começo de tumulto, que foi controlado, após muito diálogo. Devido este acontecimento, a Igreja resolveu assumir, em definitivo, a Procissão. Naquela época, dirigia os destinos religiosos de Patos o Padre Francisco de Assis Sitônio, que foi vigário da Matriz de 1953 a 1959.

Os demais precursores da Procissão dos Homens foram: Valdim de Mizael, que era músico da Filarmônica 26 de Julho; Faustino Viera, que trabalhou em “Batista Tecidos”, Fernando Mocinha e Eduardo, este último proprietário do Buffet São Jorge.

O CAMINHO PERCORRIDO

A Procissão, como de costume, sai impreterivelmente à meia noite da frente da Igreja da Conceição que fica situada na Praça Edvaldo Motta. O carro batedor da polícia segue na frente, os fiéis atrás vão se revezando no transporte do andor e acompanhando oscantores, que vão no Carro de Fernando Som: “Perdão Meu Jesus / Perdão Deus de Amor / Perdão Deus Clemente /

Perdoai Senhor”. Deixando a Igreja da Conceição o Cortejo dobra à Direita e pega a rua do Prado. Passando em frente ao antigo prédio onde funcionou o Cine São Francisco, a multidão dobra à esquerda e desce pela 26 de julho. Na confluência das ruas Espinharas, Porfírio da Costa – o herói de Patos na Guerra do Paraguai) e a 26 de julho (onde morou Manduri), bem em frente à residência de Sebastião Soares e a oficina de Benildes acontece a primeira parada para orações e meditações.

Dobrando a esquina, onde se encontra a bodega de João David a Procissão percorre a rua 18 do Forte. Ao atingir a Irineu Joffily para retornar a avenida do Prado ocorre a segunda parada.

660275654_34741688312113527_6740441501848851061_n

Dando seqüência, os fieis ingressam na Leôncio Wanderley e, quando vão chegando ao antigo mercado, bem em frente à entrada do Beco do Cruzeiro, mais uma parada, a terceira.

No final da Leôncio Wanderley, a Procissão continua e passa entre a Estação Ferroviária e a Praça dos Pombos. Beirando a linha de ferro, chegam à rodoviária e aí se dá a quarta parada.

Seguindo adiante, a multidão passa em frente ao Posto Apolo XI e sobe a ladeira da Floriano Peixoto. No encontro desta com a Pedro Firmino, se faz a quinta e última parada.

O cortejo segue e desce pela Peregrino Filho, até chegar a Catedral onde o Vigário da Diocese os espera para as últimas orações.

AS PECULIARIDADES DA PROCISSÃO

Nas primeiras procissões, lembra Mazim de Zé Conrado um dos seus assíduos freqüentadores, existia uma grande concorrência entre as pessoas que se dispunham a sair conduzindo as barulhentas matracas, a fim de irem acordando os adeptos da caminhada religiosa. Neste ofício se destacavam: Odilon Nicácio, Martinho e Zé Gomes e o próprio Mazim. Com a consagração do evento as matracas foram aposentadas, não precisavam mais de sair as ruas acordando os homens para a procissão.

Lembra ainda o ex-atleta do Esporte Clube de Patos que naquele tempo o motor da luz que deixava de funcionar por volta das 23:00 horas, na noite da Procissão ficava trabalhando até mais tarde, dando tempo, inclusive, para que os participantes do evento retornassem aos seus lares.

Por um longo período, continua Mazim, era da responsabilidade de Fernando Mocinha a tarefa de puxar o terço e os cantos da Procissão, contando ainda o apoio de Zé Neves do Banco do Brasil. Com a morte de Fernando, Rafael passou a desempenhar esta função, juntamente com outros companheiros.

O FATO INUSITADO

Querendo demonstrar a grandiosidade, em termo de participação que atingiu a Procissão a Procissão dos Homens, alguns patoenses ousam afirmar que nos idos de 60 a Procissão saiu sem o motivo maior da sua realização: a Imagem do Senhor Morto. Argumentam eles que a multidão era tamanha que o pessoal da frente pensava que o caixão vinha lá atrás e, os do final, que ia lá na frente.

659871828_34741683322114026_2585406072819430762_n

Para oficializar esta versão que corre na cidade, vamos buscar o testemunho do Dr. João Soares Filho que é categórico em relatar que se encontrava em seu consultório no final da Procissão tomando vinho com alguns amigos, entre eles o seu irmão Dr. Chico Soares (a gargalhada mais gostosa da cidade de Patos), que foi Promotor de Justiça em sua terra natal e

secretário de Interior e Justiça no Governo de Ernani Sátyro, quando entrou de supetão Sebastião Soares, soltando fogo pelas ventas e largando o verbo: “Eu fico muito mordido quando tentam me fazer de besta! Pois não é que deixei de ir dormir para assistir a Procissão... E, depois de andar quase metade da cidade, vim a saber que o andor não tinha nem saído da Igreja!...

A FÉ INABALÁVEL

Encerrada a Procissão e feita as últimas orações, o Senhor Morto é levado para o interior da Igreja de Nossa Senhora da Guia, localizada na rua Sólon de Lucena, onde tem inicio um dos momentos mais esperados pelos participantes da caminhada: a retirada das relíquias. Os devotos se comprimem em volta do Senhor Morto e travam uma grande disputa na busca de conseguir uma flor, uma rosa, um cravo, ou mesmo uma pequenina folha de um ramo que ornamentavam o caixão e que será guardado com muito carinho, respeito e devoção.

660939553_34741681732114185_7335850535571717880_n

O MOTIVO DO EVENTO

A procissão dos Homens, originaria da cidade de Patos, nasceu da necessidade de trazer o Caixão do Senhor Morto (que permanece durante todo o ano na Igreja da Conceição) para a Matriz de Nossa Senhora da Guia, de onde sai toda Sexta-feira Santa, a partir das 17:00 horas, acompanhado por uma grande quantidade de paroquianos que vão reverenciando a Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo na perspectiva da sua ressurreição.

Esta Procissão, a da sexta-feira, tem o seu encerramento na Igreja da Conceição, onde o senhor morto fica exposto em adoração até às 21:00 horas e, em seguida, é por ela acolhido para ali permanecer, por mais um ano.

« Voltar

Veja também...

RELIGIÃO

Primeira Igreja de Lúcifer do RS será inaugurada na véspera da Sexta-feira Santa

Publicado em Quinta-Feira, 2 de Abril de 2026
Primeira Igreja de Lúcifer do RS será inaugurada na véspera da Sexta-feira Santa

TV 40 Graus

Click 40 Graus

YOHANA RAYRA

Yohana Rayra: A dona de um corpo perfeito

Publicado em Sábado, 14 de Março de 2026
Yohana Rayra: A dona de um corpo perfeito