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Como fica a disputa pela liderança da oposição após a fuga de Flávio Bolsonaro para EUA

Por Global South World   Sexta-Feira, 30 de Outubro de 2026

Ao embarcar para os Estados Unidos dois dias após ser derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva  (PT) no segundo turno da eleição presidencial, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) antecipou a briga pelo comando da oposição ao petismo .

Em território americano, o senador divulgou uma carta de teor golpista na qual chegou a se declarar “presidente eleito”. Em Brasília, porém, lideranças do bolsonarismo iniciaram uma disputa pelo espólio dos mais de 59 milhões de votos recebidos pelo candidato derrotado no pleito .

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) , desponta como o nome mais forte para preencher o vácuo de poder deixado pelo 'Zero Um'. Embora tenha apoiado Flávio, Tarcísio impôs limites ao discurso de contestação e defendeu publicamente o respeito às urnas e a transição pragmática para a fiscalização do novo governo. 

A postura reflete uma reunião prévia à viagem em que Tarcísio e advogados tentaram convencer Flávio a abandonar teses de que as urnas foram fraudadas.

Ao mesmo tempo, outras lideranças do PL e aliados do Centrão buscaram equilibrar a solidariedade a Flávio com o distanciamento de suas contestações eleitorais . Coordenador da campanha e líder do PL no Senado, Rogério Marinho (RN) declarou abertamente não haver provas de fraude nas urnas, definindo o manifesto do colega apenas como um " desabafo pessoal ". 

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto , foi mais direto ao afirmar que "ninguém aprovou a carta" divulgada sem o conhecimento da cúpula partidária. No mesmo tom, a senadora  Tereza Cristina (PP-MS) defendeu a lisura do processo eleitoral, enquanto a recém-eleita senadora Michelle Bolsonaro (PL-DF) e o senador eleito Carlos Bolsonaro (PL-SC) adotaram movimentos próprios: a primeira alinhando metas diretamente com Valdemar; o segundo, silenciando sobre a conduta do irmão.

 

O primeiro teste de fogo

A primeira disputa institucional da direita após a derrota presidencial será a eleição dos presidentes da Câmara e do Senado , prevista para fevereiro de 2027.

Com as maiores bancadas nas duas Casas, o PL pretende converter o avanço eleitoral em poder sobre a agenda do Congresso, mas enfrenta resistências do Centrão e articulações para manter os atuais presidentes nos cargos.

Bandeira de dezenas de eleitos pela legenda, o impeachment de integrantes do STF (Supremo Tribunal Federal) está obrigatoriamente condicionado a essa meta. A abertura desse processo depende de aval do presidente do Senado e, atualmente no posto, Davi Alcolumbre (União-AP) se opõe a essa possibilidade -- o senador deverá disputar um novo mandato no cargo em fevereiro com apoio do centrão e da base governista. 

Na Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) ganhou força ao reunir apoio de partidos de centro e da esquerda . Dias após o pleito, PT, PCdoB e PV oficializaram o endosso à sua reeleição, ampliando o bloco que tenta impedir que o PL conquiste o comando da Casa.

Já o partido de Flávio elegeu 121 deputados, mas ainda não definiu como disputará a presidência nem se aceitará apoiar um candidato de outra legenda em troca de espaço no Senado.

Na Casa Alta, a disputa expõe divergências inclusive dentro do núcleo duro da oposição. Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio, e Tereza Cristina (PP-MS) articulam uma candidatura única contra Alcolumbre, que busca a reeleição e já recebeu o apoio formal da federação União Progressista.

A senadora, porém, decidiu manter sua pretensão mesmo sem o respaldo da federação, enquanto o PL marcou para 4 de novembro uma reunião para discutir o lançamento de Marinho.

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