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Plano de governo de Lula terá foco em crescimento econômico, soberania e combate às desigualdades

Por Brasil 247   Terça-Feira, 9 de Junho de 2026

 O programa de governo que o PT prepara para uma eventual reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2026 terá como pilares a defesa da soberania nacional, o fortalecimento da democracia e a redução das desigualdades sociais. As diretrizes foram detalhadas por José Sergio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras e coordenador da elaboração do plano, em entrevista publicada pela coluna Painel, da Folha de S.Paulo.

Segundo Gabrielli, o novo programa partirá da experiência acumulada pelos governos petistas, mas buscará responder aos desafios contemporâneos enfrentados pelo país e pelo cenário internacional. “Temos quatro mandatos e meio governando o Brasil. Vamos partir do que já realizamos, mas é evidente que teremos coisas novas para os próximos desafios”, afirmou.

Entre os temas centrais do documento estará a defesa de uma política econômica voltada ao crescimento, com maior espaço para investimentos públicos e privados dentro das regras fiscais. De acordo com o coordenador, o arcabouço fiscal não pode se transformar em um obstáculo para a expansão da atividade econômica.

“Não é possível retomar o crescimento com as atuais taxas de juros, nem concordar que a única maneira de combater a inflação é com o aumento do desemprego. O arcabouço não pode ser usado como argumento para impedir crescimento e investimento”, declarou Gabrielli.

A proposta também deverá resgatar compromissos que não avançaram durante o atual governo. Entre eles estão a regulamentação do trabalho por aplicativos, a criação de um Ministério da Segurança Pública e a implementação de políticas voltadas à tarifa zero no transporte urbano.

No caso da mobilidade, a ideia é estruturar um sistema nacional que permita ao governo federal apoiar iniciativas municipais voltadas à redução ou eliminação das tarifas do transporte coletivo. “Queremos cidades melhores, o que envolve um programa de mobilidade e a discussão sobre tarifa zero. O que propomos é a criação de um sistema nacional de mobilidade, que seria um instrumento para o governo federal estimular políticas em âmbito municipal”, explicou.

Outro tema que segue em debate dentro do partido é a criação de uma Autoridade Nacional Climática. A proposta integrou a campanha presidencial de 2022, mas ainda não foi implementada devido a resistências registradas inclusive dentro da própria administração federal.

O PT também pretende incorporar ao programa reflexões sobre transformações estruturais que impactarão o Brasil nos próximos anos. Gabrielli destacou questões ligadas à inteligência artificial, às novas tecnologias energéticas, ao envelhecimento populacional e às mudanças no cenário geopolítico global.

“Há toda a problemática da Inteligência Artificial, as novas tecnologias de energia e combustíveis. Existe um processo de envelhecimento da população que é real, com novas necessidades nas áreas de saúde e educação e impactos na economia. No plano externo, assistimos à decadência do multilateralismo e à presença ostensiva dos EUA mudando o quadro político”, afirmou.

A discussão sobre soberania aparece como um dos eixos centrais da proposta petista. Para Gabrielli, o conceito envolve não apenas aspectos territoriais, mas também questões energéticas, tecnológicas, digitais e produtivas.

“Estamos sob ameaça da principal potência ocidental. Temos dependência da importação de fertilizantes, precisamos discutir soberania energética, tecnológica, digital”, disse.

Na área da segurança pública, a defesa da criação de um ministério específico para o setor volta a ganhar força. O argumento é que as transformações recentes da criminalidade exigem uma atuação mais direta do governo federal.

“O crime modificou-se, a expansão das milícias, e as novas infiltrações no sistema financeiro obrigam o governo federal ter uma ação mais direta sobre esse tema”, afirmou o coordenador.

A elaboração do programa está sendo feita com participação popular por meio de uma plataforma digital lançada pelo PT em 29 de maio. O espaço permanecerá aberto para sugestões até 30 de junho. Até o início desta semana, já haviam sido registradas 224 propostas, concentradas principalmente em áreas como saúde, educação e combate às desigualdades.

O texto final deverá ser concluído até agosto. Paralelamente, o partido promove nesta semana um seminário dedicado à reforma do Judiciário, tema que também deve integrar o programa. Entre os pontos em discussão estão a regulamentação dos chamados penduricalhos e a criação de um código de conduta para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

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