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As implicações políticas da ascensão de Hugo Motta na Paraíba

Por Flavio Lúcio Vieira   Segunda-Feira, 9 de Setembro de 2024

Não chega a ser surpreendente que o deputado federal patoense, Hugo Motta, do Republicanos, tenha assumido a condição de favorito para presidir a Câmara dos Deputados pelos próximos dois anos — e, quem sabe, repetir a dose no primeiro biênio da legislatura seguinte (2027-2028), como aconteceu com Rodrigo Maia e Arthur Lira.

Embora jovem, Hugo Motta está exercendo o quarto mandato na Câmara Federal (ele completará 35 anos ainda esse ano, a idade mínima para assumir a Presidência da República em caso do Presidente do Vice se ausentarem do país ao mesmo tempo). De atuação pública discreta, como convém ao novo padrão de atuação parlamentar, Hugo Motta mostrou uma habilidade incomum nas articulações de bastidores, associado a um senso de oportunidade que lhe permitiu sair maior dos momentos decisivos da política nacional na última década — que foram muitos, não esqueçamos.

A ascensão de Hugo Motta, portanto, consolida o modelo de liderança que prospera hoje na Câmara dos Deputados, que já foi presidida, entre 1986 e 2003, por políticos como Ulysses Guimarães (PMDB), Ibsen Pinheiro (PMDB), Luís Eduardo Magalhães (PFL), Michel Temer (PMDB) e Aécio Neves (PSDB), só para citar os políticos que ocuparam a Presidência da Câmara depois da redemocratização.

Aliás, desde que o PT assumiu a Presidência da República, em 2003, deputados federais do que antes se chamava “baixo clero” passaram a ganhar relevância, assim como parlamentares do PT de pouca projeção nacional, mas que tinham ótimas relações com Lula, como João Paulo Cunha e Arlindo Chinaglia.

Caso eleito, Hugo Motta será o mais jovem deputado federal a presidir a Câmara dos Deputados. O mais jovem até aqui foi Luís Eduardo Magalhães, que tinha 40 anos quando assumiu o posto, mas é preciso levar em conta a “bagagem” do político baiano, que era filho do Antônio Carlos Magalhães numa época em que o PFL mantinha uma sólida aliança com o PSDB durante o governo de Fernando Henrique Cardoso.

O fato de um político do sertão da Paraíba, que se elegeu pela primeira vez aos 21 anos, ter se tornado na Câmara dos Deputados líder do seu partido, o Republicanos, que é o mesmo partido do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e ser hoje apontado como candidato de consenso de Lula e Arthur Lira — quem sabe até de Jair Bolsonaro —, demonstra as qualidades políticas do paraibano.

Aliás, essa habilidade de Hugo Motta não se restringe às articulações nacionais. Como presidente estadual do Republicanos, Hugo Motta transformou um partido comum no maior partido paraibano em termos de representação parlamentar. E o fez distribuindo poder regionalmente, e não concentrando, como em geral acontece: dos três deputados federais (o próprio Hugo Motta, Murilo Galdino e Wilson Santiago), mais o quarto no exercício do mandato (Raniery Paulino), nenhum é concorrente direto. Na bancada de oito deputados estaduais está, por exemplo, o todo-poderoso presidente da Assembleia, Adriano Galdino.

Com esse exército, o Republicanos virou peça-chave na eleição de 2022 e, pode-se dizer, teve participação decisiva na eleição para o Senado de Efraim Filho e mesmo na reeleição de João Azevedo — uma mudança de palanque do Republicanos no segundo turno, como se chegou a especular, poderia ter mudado o resultado da eleição em favor de Pedro Cunha Lima.

Forte candidato a uma das vagas para o Senado na próxima eleição, em caso de eleição para a Presidência da Câmara, Hugo Motta provavelmente terá de refazer seus planos, porque, como já antecipamos, a possibilidade de reeleição exige que ele se mantenha como deputado federal, e pouco políticos não se deixariam seduzir por tanto poder, sobretudo nas condições atuais.

Essa mudança de planos terá impactos inegáveis nas composições de 2026. O primeiro e mais evidente é a abertura da vaga na chapa majoritária que já está acertada com o governador João Azevedo para ser ocupada por Hugo Motta. Essa condição dará ainda mais poder ao futuro presidente da Câmara dos Deputados nas definições políticas aqui na Paraíba, já que a definição de seu substituto terá necessariamente de passar por Motta, caso ele se assuma mesmo a Presidência da Câmara. E também mais flexibilidade às articulações de João Azevedo, sobretudo se o governador decidir permanecer no governo.

Com Hugo Motta na presidência da Câmara, Lula será obrigado a dispensar um olhar mais atencioso aos aliados da Paraíba, o que significa que Ricardo Coutinho perderá poder sobre os destinos do PT — aliás, já perdeu, porque, em 2024, seu grupo nacional teve de fazer composições para aprovar a intervenção no PT de João Pessoa para fazer de Luciano Cartaxo candidato a prefeito. Com Hugo Motta na jogada, e, claro, apoiando a reeleição de Lula, dificilmente o presidente aceitaria comprar essa briga. Aliás, será que isso já não está em curso?

Aliás, para arrematar, é bem provável que o apoio de Lula a Hugo Motta tenha sido definido durante a viagem que o presidente fez à Paraíba na semana passada — não esqueçamos que os dois viajaram juntos e permaneceram por muito tempo próximos em solo paraibano. O presidente voltou a Brasília e, no início dessa semana, os dois voltaram a conversar, agora no Palácio do Planalto. Em seguida, Lula tornou público seu apoio a Hugo Motta.

Se a eleição de Hugo Motta para a Presidência da Câmara produzirá alguma alteração nos rumos da política nacional não dá para antecipar. Já na política estadual, Hugo Motta será uma rainha no tabuleiro político até 2026.

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